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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Caçadores Massacram Dúzias de Elefantes em Importante Parque Africano

O Garamba National Park está sob ataque de caçadores, possivelmente do grupo terrorista Lord's Resistance Army.

Por Bryan Christy
Publicado em 13 de maio de 2014

Patrulheiros anti-caça protegem a vida selvagem no Garamba National Park,
na República Democrática do Congo
(Fotografia de Frans Lanting, National Geographic Creative)

Um dos mais antigos parques nacionais da África anunciou nesta terça-feira que tem sido atingido por uma onda incomum de ataques por caçadores de elefantes armados. Dúzias de carcaças foram encontradas e três suspeitos foram mortos.

O Garamba National Park, um parque remoto de quase 500 mil hectares na República Democrática do Congo, soltou um alerta urgente na terça-feira, de que tem sido atacado por caçadores vindos de uma área conhecida por abrigar o grupo terrorista Lord's Resistance Army.

De acordo com o African Parks Network (APN), ONG que gerencia o Garamba, em acordo com o Instituto Congolês de Conservação da Natureza, 33 carcaças de elefantes foram descobertas até agora. A maior parte parece ser de elefantes mortos em abril, mas dez carcaças foram descobertas na sexta-feira, com as presas removidas.

A caça ilegal na África Central, a região mais instável do continente, tem sido a fonte do marfim que deixa o continente através de seus principais portos, incluindo os do Quênia, da Tanzania e do Togo.

A APN afirma que durante o final de semana suas equipes anticaça conseguiram capturar um grupo de oito caçadores, dos quais três foram mortos. Um segundo grupo de caçadores escapou. Os esforços anticaça prosseguem.

Pode-se se dizer que os ataques no Garamba adquiriram um perverso caráter sazonal. Este ataque vem exatamente dois anos depois de outro ataque significativo no Garamba, que deixou duas dúzias de elefantes mortos, e de outro incidente atribuído ao Lord's Resistance Army no ano passado.

Buracos à bala no topo das cabeças dos elefantes durante o incidente de 2012 indicaram que os animais tinham sido atingidos do ar, reforçando alegações de que eles foram mortos pelos helicópteros militares de Uganda.  

Em 2009, um ataque do LRA no Garamba deixou pelo menos oito pessoas mortas.

O Rio Garamba segue seu curso através dos pastos do
Garamba National Park (Fotografia de Nigel Pavitt, John Warburton-Lee Photography/Corbis)
Possíveis links terroristas

Em seu comunicado distribuído hoje, o chefe executivo da APN, Peter Fearnhead, escreveu: “Embora não possamos confirmar a fonte do perigo, temos razões para acreditar que a principal pressão de caça ilegal emana de uma área de densa floresta a oeste do parque - um setor de caça chamado Azande Domaine de Chasse. Azande tem sido uma base tradicional para o Lord's Resistance Army (LRA) por muitos anos, mas ainda não podemos confirmar se os ataques atuais de caça vêm do LRA, de gangues de caça sudanesas, de caçadores locais congoleses, ou de uma combinação deles. O nível extremamente elevado de caça ilegal sugere um grupo organizado ou grupos de caçadores focando seus esforços no Garamba."

Garamba é o lar de cerca de 2 mil a 3 mil elefantes, uma das maiores populações de elefantes remanescentes na África Central.  É também o lar de muitas outras espécies, incluindo hipopótamos, leões e búfalos. O parque fica na borda do Sudão do Sul, de onde grupos de caçadores armados têm aterrorizado os países vizinhos.

Saiba mais: assista à videorreportagem de Bryan Christy para a Getty Images, Marfim de Deus, e conheça as raízes e os bastidores do comércio internacional de marfim e seus efeitos sobre as populações de elefantes.

Tradução, revisão e edição:  João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Hong Kong apreende marfim ilegal, chifres de rinoceronte e peles de leopardo no valor de R$12,2 milhões (US$5,3 milhões)


Foto: Associated Press
Oficiais da alfândega de Hong Kong apreenderam de um carregamento de marfim ilegal, chifres de rinoceronte e peles de leopardo valendo cerca de R$ 12,2 milhões (US$5,3 milhões), na segunda maior apreensão de produtos de espécies selvagens em um mês. 

O lote é também o mais recente de uma série de grandes apreensões de marfim durante o último ano, em Hong Kong.

Agindo com informações de oficiais da alfândega da China, autoridades de Hong Kong confiscaram cerca de 1.120 presas de marfim, 13 chifres de rinoceronte e cinco peles de leopardo, que pesaram um total de 2.266 quilos, segundo Vincent Wong, diretor da alfândega.  

Os itens foram encontrados na terça-feira, em 21 caixas escondidas em um contêiner cheio de madeira vindo na Nigéria, disse ele. Wong afirmou ainda que o carregamento mudou de navio em Xangai antes de chegar a Hong Kong, mas que não acredita que a antiga colônia britânica fosse o destino final. 

Ativistas da vida selvagem dizem que a crescente presença da China na África é a culpada pelo aumento sem precedentes da caça ilegal de elefantes para obtenção de suas presas, e acredita-se que a maior parte delas seja contrabandeada para a China e para a Tailândia, para ser transformada em enfeites de marfim. 

De acordo com a CITES, o organismo internacional que monitora as espécies ameaçadas, o comércio ilegal de marfim representa em tamanho, hoje, pelo menos o dobro do que em 2007.

O marfim pode alcançar R$ 4,6 mil (US$2 mil) por quilo no mercado negro e mais do que R$ 115 mil (US$50 mil) por uma presa inteira.

No mês passado, mais de duas toneladas de presas de elefantes valendo cerca de R$5,2 milhões (US$2,25 milhões) encontradas em um contêiner vindo do Togo foram confiscadas por oficiais da alfândega de Hong Kong, que afirmou que essa havia sido a maior apreensão desde 2010. Em janeiro, oficiais confiscaram um carregamento de marfim valendo R$3,2 milhões (US$1,4 milhão) vindo do Quênia, que se seguiu a duas outras grandes apreensões no final do ano anterior.

A demanda por chifres de rinoceronte é gerada pela crença, na Ásia, de que  curaria doenças, o que não é apoiado por evidências médicas. O chifre do rinoceronte é feito de queratina, proteína encontrada nas unhas dos humanos.

Ninguém foi preso.

Pelas leis de Hong Kong, qualquer culpado de comércio de produtos vindos de espécies ameaçadas enfrenta até dois anos de prisão e multa de até R$1,5 milhão (US$645 mil).

Link para o artigo original do The Washington Post.

Assista a vídeo da BBC sobre a apreensão de carregamento de duas
toneladas de presas de elefantes jovens em Hong Kong, em Julho de 2013.
Saiba mais sobre o comércio de marfim no Blog do Planeta, da Revista Época, e apoie nossa campanha contra o comércio de marfim - Cada Presa Custa uma Vida -, compartilhando ilustrações e informações com seus amigos.

Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.