terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Cuidados durante o início da infância modelam o futuro dos Elefantes Africanos

Um estudo sugere que a capacidade de uma mãe elefanta de alimentar e cuidar de seu filhote tem “consequências a longo prazo” até a sua fase adulta.

Por Mark Kinver
Repórter ambiental, BBC News
Publicado em 13 de Fevereiro de 2013.


Estudo sugere que um bom começo de vida é vital para questões como, por exemplo,
o tamanho dos Elefantes Africanos.

Pesquisadores identificaram uma conexão entre a qualidade dos cuidados maternais durante os primeiros dois anos de vida de um filhote de Elefante Africano com a redução do crescimento e o atraso da maturidade.

Eles acrescentam que a projetada mudança climática e a perda de habitat poderiam ter um impacto profundo na espécie.

Detalhes dessa descoberta aparecem no periódico Biology Letters. 
“Cuidados maternais durante os primeiros dois anos de vida de fato afetam a sobrevivência de um elefante por mais de 40 anos, gerando consequências de longo prazo”, explicou a coautora Phyllis Lee, da Universidade de Stirling.

“É um problema que costumamos deixar de lado, a não ser que estejamos pensando em seres humanos: como animais respondem, a longo prazo, a eventos aparentemente pequenos que acontecem em suas vidas.”

A professora Lee e colegas da equipe internacional de pesquisadores disseram que mães inexperientes frequentemente proporcionam “cuidados inapropriados”.  

“Muitas vezes, elas não são apenas inexperientes. Se uma elefanta tem um filhote aos 10-12 anos, ela é muito pequena fisicamente e não tem estrutura física para dedicar-se ao seu filhote.Isso tem consequências imediatas porque é mais provável que os filhotes morram, mas aqueles bebês que conseguem sobreviver tendem, então, a ter uma desvantagem pelo resto de suas vidas, principalmente os filhotes machos.” 

Atraso no desenvolvimento

Essas desvantagens incluem atraso no desenvolvimento sexual e físico. 

“Isso é verdade principalmente para os machos, que se tornam adultos menores do que a média”, relatou a Professora Lee à BBC News.

“Como resultado, eles demoram mais para entrar em um estado reprodutivo, chamado frenesi sexual, e como nunca serão tão grandes quanto os outros machos da mesma idade, talvez fiquem sempre em desvantagem reprodutiva.Se você perde alguns anos de seu potencial reprodutivo e seu tempo de vida não é tão longo, isso pode diminuir drasticamente o seu sucesso reprodutivo.”

Elefantes têm uma característica incomum entre os mamíferos: continuam a crescer
por toda a sua vida, apesar de que, após a maturidade sexual, o ritmo seja mais lento.

Frenesi sexual refere-se a um período em que elefantes machos ficam com as glândulas temporais inchadas, por onde sai um fluido de cheiro forte, rico em testosterona, que escorre por suas bochechas. Durante o frenesi sexual, machos se tornam muito agressivos e sexualmente atraentes. 

Ela explicou que as fêmeas de Elefantes Africanos (Loxodonta africana) são capazes de ter filhotes desde os 10-12 anos, mas machos não atingem maturidade sexual antes dos 25-30 anos.

“A razão dessa demora é que os custos fisiológicos do estado reprodutivo são tão altos que o macho realmente tem que ser grande, forte e resistente para entrar em frenesi sexual.”

Entretanto, a Professora Lee explicou que os bem documentados fortes laços sociais que os elefantes formam com outros indivíduos do grupo proporcionam exceções para a regra. 

O que achamos que acontece é que os que sobrevivem bem, no início de suas vidas, é porque tiveram uma mãe presente no grupo ou uma matriarca com muitos conhecimentos.”

“Esses são dois fatores importantes que ajudam o bebê de uma mãe de primeira viagem a sobreviver – mães inexperientes que têm uma mãe ou avó no grupo têm muito mais vantagem do que mães sem um suporte social.”

A Professora Lee disse, ainda, que pressões induzidas por humanos, como a caça, além da projetada mudança climática e da perda de habitat, têm o potencial de mudar as relações dinâmicas entre as populações de elefantes e prejudicar a sobrevivência da espécie a longo prazo. 

“Na ausência de mortalidades induzidas por humanos, ainda temos consequências causadas por mudanças ambientais antropogênicas”, sugere ela.

“Isso significa que quanto mais períodos de seca tivermos, mais as mães de primeira viagem terão dificuldades para criar seus filhotes sem um suporte social, e portanto, nesse caso, poderemos ter uma maior propensão de perder animais no decorrer de suas vidas.” 

“Isso mudará a composição do grupo, já que você muda as estruturas de conhecimento, muda o suporte social e muda a sobrevivência de cada indivíduo naqueles grupos de laços sociais muito fortes.”


Conheça e compartilhe com seus amigos nossa campanha "Cada Presa Custa uma Vida", pelo fim do comércio de marfim.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Uma Caminhada pela Vida Selvagem e Pelo Fim do Comércio de Marfim


Jim Nyamu, do Elephant Neighbours Centre, no Quênia, caminhou entra sexta-feira e sábado de Mombasa a Nairobi, por 490 km, num apelo global a todas as pessoas no mundo todo que se preocupam com elefantes e conservação. 



Na foto, sua chegada a Nairobi e o banner da campanha CADA PRESA CUSTA UMA VIDA - NÃO COMPRE MARFIM. O elefante em ideogramas chineses significa “China”. 




"
Nosso objetivo é sensibilizar os jovens sobre os valores da vida selvagem, engajá-los para que atenuem o conflito entre humanos e elefantes e conduzam um patrulhamento, a fim de mapear e reportar os incidentes de caça. A partir da perspectiva da comunidade, a caça aos elefantes na África, por seu valor, é uma caça a um tesouro social", afirmou ele.

Acompanhe e divulgue massivamente a campanha contra o comércio de marfim,  disponível neste link.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Junte-se à nossa campanha e a compartilhe: CADA PRESA CUSTA UMA VIDA


Uma das artes finais desenvolvidas pela artista novaiorquina Asher Jay para a campanha da ElephantVoices.

A ElephantVoices lançou uma campanha contra o comércio de marfim, que se baseia em duas poderosas peças gráficas da artista novaiorquina Asher Jay. As imagens, com os slogans CADA PRESA CUSTA UMA VIDA, NÃO COMPRE MARFIM e CADA PRESA CUSTA UMA VIDA, PAREM COM O COMÉRCIO, são dirigidas a compradores potenciais e tomadores de decisão, expressando nossa visão de que a única maneira de parar com a matança desenfreada de elefantes é sufocar a demanda por marfim e parar com o comércio. Há versões em Inglês, tanto das imagens como dos slogans, e versões em chinês das imagens, com o slogan NÃO COMPRE MARFIM. Você pode ver todas as versões acessando este link e clicando em uma das duas imagens que aparecem.

Toda a cadeia de países e pessoas envolvidas, desde o comprador de marfim até o caçador em campo, tem que ser inspirada e forçada a parar com as mortes. Como uma nova superpotência, e presentemente consumindo um volume gigantesco de marfim, a China tem uma grande responsabilidade em garantir que a matança pare.

Com a ajuda de colaboradores, a ElephantVoices está tentando alcançar o mundo todo com essas mensagens. Precisamos de sua ajuda, também. Milhões de pessoas, consumidores potenciais de marfim, não sabem que elefantes estão morrendo em números recordes por causa de enfeites e  peças de decoração. Pedimos a cada um e a todos vocês que espalhem esta mensagem amplamente. 



Imagens da Campanha - Estrelas Amarelas Irradiam Luz, PAREM COM O COMÉRCIO. Versão em Inglês. Download de artes finais em diversas resoluções através do link nesta página, para qualquer objetivo não comercial, com objetivo de reduzir o comércio de marfim e a matança de elefantes.  

Por favor, vá até a Central de Documentos da ElephantVoices para fazer download dos arquivos apropriados. Mantendo o nome da artista e o da ElephantVoices intactos, em respeito aos direitos das imagens, espalhe a mensagem por todos os meios possíveis. Compartilhe em sua página do Facebook, nas redes sociais asiáticas e onde mais puder. Faça camisetas, adesivos para carros, pôsteres e cartazes. Use-os, dê-os para amigos, coloque-os em sua casa, no seu carro, na sua mochila. Organize caminhadas, encontros, contate sua mídia local, discuta com seus amigos. Aja AGORA. O terror é iminente para os elefantes.

Você pode ver todos os arquivos disponíveis através deste link, e fazer download dos que escolher, para qualquer uso não comercial, com objetivo de reduzir o mercado global de marfim e a matança de elefantes.

Imagem 1: Estrelas Amarelas Irradiam Luz (note que o elefante em ideogramas chineses significa “China”)



Imagens da Campanha - Estrelas Amarelas Irradiam Luz. NÃO COMPRE MARFIM. Versão em Chinês. Download de artes finais em diversas resoluções através do link nesta página, para qualquer objetivo não comercial, com objetivo de reduzir o comércio de marfim e a matança de elefantes.

Há muitas pessoas comprando marfim em demasiados países. A demanda atual por presas de elefantes é insustentável e está rapidamente exterminando os elefantes da África. A maior demanda é na China e, portanto, o governo chinês e seu povo têm uma grande responsabilidade para tomar a liderança para acabar com a dizimação dos elefantes. A China teve permissão de adquirir uma quantidade restrita de marfim apreendido e estocado, uma decisão tomada pela comunidade internacional que resultou num grande dano aos elefantes. Noventa por cento do marfim disponível na China é proveniente da matança de elefantes. Sua origem, portanto, é ilegal; seu comércio,  idem. Os compradores chineses merecem saber que dezenas de milhares de elefantes estão sendo mortos a fim de abastecer o comércio de marfim. Cada presa custa uma vida.


A China tem a capacidade de conscientizar o público, além de impor suas severas leis para rapidamente sufocar o comércio, a compra e a caça ilegal. A China pode coibir seus cidadãos que estão causando a destruição do patrimônio e da biodiversidade da África, e, ao mesmo tempo, proteger seus enormes investimentos no continente africano. Pedimos à China que aja agora para acabar com qualquer comércio de marfim. Não podemos permitir a perda de uma espécie-chave da África. 中国 Zhōngguó significa China. O poder da estrela é necessário para salvar os elefantes africanos do extermínio.

Imagem 2: Valores de Família


Imagens da Campanha - Valores de Família. NÃO COMPRE MARFIM. Versão em Chinês. Download de artes finais em diversas resoluções através do link nesta página, para qualquer objetivo não comercial, com objetivo de reduzir o comércio de marfim e a matança de elefantes.

As presas de “marfim” do elefante são dentes inervados, compostos por dentina, que crescem durante toda a vida, acrescentando dois centímetros a cada ano. Não são trocadas como as galhadas dos cervos, não caem sozinhas e simplesmente não podem ser removidas de elefantes vivos. Para obtê-las, você precisa golpeá-las com um machado. As presas de elefantes machos são muito maiores que as das fêmeas. Os caçadores ilegais visam aos elefantes com as maiores presas, matando, primeiramente, os machos maduros, em idade reprodutiva. Quando todos estão mortos, os caçadores focam os machos mais jovens. 

As sociedades dos elefantes, hoje, se parecem com as comunidades humanas após uma prolongada guerra: a maioria dos elefantes patriarcas, os de grandes presas, se foram. Não há modelos de conduta para seus filhos machos. Conforme o número de elefantes machos disponíveis para caça declina, os caçadores se voltam para as fêmeas mais velhas - as líderes das sociedades dos elefantes. Eles escolhem primeiramente as integrantes mais velhas da família, matando as matriarcas, uma a uma. Conforme o preço do marfim aumenta com a crescente demanda, os caçadores matam as mães e as filhas, causando a desintegração de famílias inteiras. Um elefante filhote, assim como uma criança humana, não pode sobreviver sem os cuidados amorosos de sua mãe. Os órfãos de elefantes da África estão sucumbindo em grandes quantidades à fome, à tristeza do luto e à morte. Os comerciantes e compradores de marfim estão devastando as famílias de elefantes da África. O mundo tem obrigação moral de proteger as sociedades de elefantes, certamente um teste crucial dos valores humanos. 


A ElephantVoices foi fundada em 2002 e trabalha globalmente pelos interesses dos elefantes. Sua missão é inspirar a admiração pela inteligência, pela complexidade e pelas necessidades dos elefantes e garantir a eles um futuro melhor, através de pesquisa, conservação e compartilhamento de conhecimentos. A cofundadora Dra. Joyce Poole é uma especialista em elefantes reconhecida mundialmente e os tem estudado e trabalhado por sua conservação e bem-estar desde 1975.

Sobre a CITES

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES é um dos acordos ambientais mais importantes para preservação das espécies, tendo, como signatários,
a maioria dos países do mundo (177). O Brasil aderiu à Convenção em 1975. O Decreto nº 76.623/1975 promulgou seu texto, que foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, do mesmo ano.

A CITES regulamenta a exportação, importação e reexportação de animais e plantas, suas partes e derivados, através de um sistema de emissão de licenças e certificados que são expedidos quando se cumprem determinados requisitos.

A implementação das disposições da CITES no país ocorreu por meio do Decreto no. 3.607, de 21 de setembro de 2000. Este Decreto, entre outras providências, designou o IBAMA como Autoridade Administrativa, com atribuição de emitir licenças para a comercialização internacional das espécies constantes nos Anexos da CITES e, como Autoridade Científica, o Jardim Botânico/RJ, ICMBIO e também o Ibama.

A próxima reunião da CITES se dará de 3 a 14 de março deste ano.


Acesse aqui o Comunicado para a Imprensa.

Acesse aqui o texto da campanha em Inglês, na página de internet da ElephantVoices.




COMUNICADO DA ELEPHANTVOICES À IMPRENSA: Parem com o Comércio de Marfim AGORA

18 de Fevereiro de 2013

A ElephantVoices está lançando uma campanha contra o comércio de marfim, que está causando a matança de dezenas de milhares de elefantes todos os anos. A especialista em Elefantes e Cofundadora da ElephantVoices, Dra. Joyce Poole, observa: “É com uma sensação de déjà vu e profunda tristeza, embora com pouca surpresa, que, após o torpedeamento da proibição de 1989 pela “venda única” de estoques de marfim, estejamos passando por – e batalhando contra – outro massacre de elefantes”. Duas semanas antes dos representantes para a Convenção Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Convention on International Trade in Endangered Species –  CITES) se encontrarem em Bangcoc, na Tailândia, para discutirem, uma vez mais, o destino dos elefantes, a ElephantVoices relembra ao mundo que cada nova presa no mercado significa mais mortes, trauma e destruição. 

"Estamos pedindo às pessoas que nos ajudem a atingir os compradores potenciais de marfim que não se dão conta de que elefantes estão morrendo em números recordes para se tornarem bugigangas e objetos de decoração. O único modo de acabar com essa brutal matança de elefantes é reprimir a demanda por marfim e acabar com o comércio", afirma Joyce Poole.

A ElephantVoices está usando duas poderosas peças gráficas da artista novaiorquina Asher Jay como base para esta campanha. As imagens, com os slogans CADA PRESA CUSTA UMA VIDA, NÃO COMPRE MARFIM; e CADA PRESA CUSTA UMA VIDA, PAREM COM O COMÉRCIO são dirigidas a compradores potenciais e tomadores de decisão, e, também, especificamente, ao público chinês . "A ElephantVoices está fazendo algo único ao disponibilizar a arte gráfica na internet em muitas versões, possibilitando que ilustrações sejam compartilhadas nas redes sociais e usadas para camisetas, adesivos para carros, pôsteres e cartazes", afirma o Diretor -Executivo, Petter Granli.

"Apelamos às pessoas que compartilhem essas mensagens amplamente, tornando-as virais. A caça ilegal está colocando os elefantes em perigo, arriscando a biodiversidade e ameaçando o turismo, o sustento das pessoas e a estabilidade nos países onde vivem os elefantes. O terror é iminente para os elefantes, e temos que agir já", diz Joyce Poole.

Estrelas Amarelas Irradiam Luz 



Há muitas pessoas comprando marfim em demasiados países. A demanda atual por presas de elefantes é insustentável e está rapidamente exterminando os elefantes da África. A maior demanda é na China e, portanto, o governo chinês e seu povo têm uma grande responsabilidade para tomar a liderança para acabar com a dizimação dos elefantes. A China teve permissão de adquirir uma quantidade restrita de marfim apreendido e estocado, uma decisão tomada pela comunidade internacional que resultou num grande dano aos elefantes. Noventa por cento do marfim disponível na China é proveniente da matança de elefantes. Sua origem, portanto, é ilegal; seu comércio,  idem. Os compradores chineses merecem saber que dezenas de milhares de elefantes estão sendo mortos a fim de abastecer o comércio de marfim. Cada presa custa uma vida.

A China tem a capacidade de conscientizar o público, além de impor suas severas leis para rapidamente sufocar o comércio, a compra e a caça ilegal. A China pode coibir seus cidadãos que estão causando a destruição do patrimônio e da biodiversidade da África, e, ao mesmo tempo, proteger seus enormes investimentos no continente africano. Pedimos à China que aja agora para acabar com qualquer comércio de marfim. Não podemos permitir a perda de uma espécie-chave da África. 中国 Zhōngguó significa China. O poder da estrela é necessário para salvar os elefantes africanos do extermínio.

Imagem 2: Valores de Família




As presas de “marfim” do elefante são dentes inervados, compostos por dentina, que crescem durante toda a vida, acrescentando dois centímetros a cada ano. Não são trocadas como as galhadas dos cervos, não caem sozinhas e simplesmente não podem ser removidas de elefantes vivos. Para obtê-las, você precisa golpeá-las com um machado. As presas de elefantes machos são muito maiores que as das fêmeas. Os caçadores ilegais visam aos elefantes com as maiores presas, matando, primeiramente, os machos maduros, em idade reprodutiva. Quando todos estão mortos, os caçadores focam os machos mais jovens. 

As sociedades dos elefantes, hoje, se parecem com as comunidades humanas após uma prolongada guerra: a maioria dos elefantes patriarcas, os de grandes presas, se foram. Não há modelos de conduta para seus filhos machos. Conforme o número de elefantes machos disponíveis para caça declina, os caçadores se voltam para as fêmeas mais velhas - as líderes das sociedades dos elefantes. Eles escolhem primeiramente as integrantes mais velhas da família, matando as matriarcas, uma a uma. Conforme o preço do marfim aumenta com a crescente demanda, os caçadores matam as mães e as filhas, causando a desintegração de famílias inteiras. Um elefante filhote, assim como uma criança humana, não pode sobreviver sem os cuidados amorosos de sua mãe. Os órfãos de elefantes da África estão sucumbindo em grandes quantidades à fome, à tristeza do luto e à morte. Os comerciantes e compradores de marfim estão devastando as famílias de elefantes da África. O mundo tem obrigação moral de proteger as sociedades de elefantes, certamente um teste crucial dos valores humanos. 


A ElephantVoices foi fundada em 2002 e trabalha globalmente pelos interesses dos elefantes. Sua missão é inspirar a admiração pela inteligência, pela complexidade e pelas necessidades dos elefantes e garantir a eles um futuro melhor, através de pesquisa, conservação e compartilhamento de conhecimentos. A cofundadora Dra. Joyce Poole é uma especialista em elefantes reconhecida mundialmente e os tem estudado e trabalhado por sua conservação e bem-estar desde 1975.


Sobre a CITES

A Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção - CITES é um dos acordos ambientais mais importantes para preservação das espécies, tendo, como signatários, 
a maioria dos países do mundo (177). O Brasil aderiu à Convenção em 1975. O Decreto nº 76.623/1975 promulgou seu texto, que foi aprovado pelo Decreto Legislativo nº 54, do mesmo ano.

A CITES regulamenta a exportação, importação e reexportação de animais e plantas, suas partes e derivados, através de um sistema de emissão de licenças e certificados que são expedidos quando se cumprem determinados requisitos.

A implementação das disposições da CITES no país ocorreu por meio do Decreto no. 3.607, de 21 de setembro de 2000. Este Decreto, entre outras providências, designou o IBAMA como Autoridade Administrativa, com atribuição de emitir licenças para a comercialização internacional das espécies constantes nos Anexos da CITES e, como Autoridade Científica, o Jardim Botânico/RJ, ICMBIO e também o Ibama.

A próxima reunião da CITES se dará de 3 a 14 de março deste ano.


Acesse aqui o texto do comunicado para a imprensa em inglês, na página de internet da ElephantVoices.






segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Harmonizando Mortes de Elefantes


Publicado por Joyce Poole e Petter Granli, da ElephantVoices, em “Uma Voz para os Elefantes”, Coluna da National Geographic, em 5 de Fevereiro de 2013.


Uma foto de identificação de Goodness, matriarca morta por flechadas
por causa de suas presas. Foto: ElephantVoices.

Banhados pela luz da lua, esperávamos deitados pelo alarme, que deveria tocar às 4:30h, quando teríamos que nos levantar. O Rift Valley se espraiava sereno e mágico abaixo de nós. Um momento de tranquilidade. teríamos um longo dia pela frente, que Começaria com três horas e meia de estrada, de Il Masin, ao sul dos Ngong Hills, através do Rift Valley, até Ewaso Nyiro, em Narok, para chegarmos para a reunião das 9h.

Ainda bem que o tráfego estava tranquilo àquela hora tão cedo, dando algum espaço em nossas mentes para que vislumbrássemos a reunião da qual iríamos participar. Estávamos temerosos em pensar quantos elefantes estariam na lista final. Nossa previsão era que fossem 150 indivíduos, talvez alguns a mais ou alguns a menos. Qualquer que fosse o número, sabíamos que isso representaria apenas as carcaças que foram encontradas. Havia outros lá fora, escondidos por densa vegetação, em lugares sem patrulhamento, cujas mortes jamais seriam apuradas. Quantos corpos e ossos de machos ainda estariam lá? Quantas fêmeas? Quantos filhotes teriam sucumbido por causa da fome e do sofrimento causado pela morte de suas mães? Quantos deles no mato e quantos na lista daquele dia eram elefantes que tínhamos minuciosamente fotografado, registrado e descrito em nosso banco de dados, mas cujas mortes jamais iríamos registrar?  

Dois dias depois, uma fêmea adulta foi encontrada assassinada ali perto, e o macho adulto m0243 foi visto tomando conta desse filhote de 6 anos. Foto: ElephantVoices.

“Não podíamos usar a palavra ‘harmonizar’ sem chorarmos um pouco.”

O objetivo do dia não era nada bonito. Iríamos nos encontrar com outras pessoas integrantes do processo, na sede do Kenya Wildlife Service (KWS), no condado de Narok, para harmonizarmos as mortes de elefantes de 2012 que cada um de nós havia coletado do mundialmente famoso ecossistema de Maasai Mara. Não podíamos usar a palavra harmonizar sem chorarmos um pouco. Sincronizar teria sido um termo melhor, já que a tarefa que tínhamos pela frente não parecia nem um pouco harmoniosa ou agradável.

Os participantes foram chamados com alguma antecedência e vieram de todo o Maasai Mara. Havia representantes do KWS, das Câmaras Municipais de Narok e Transmara, das unidades de conservação, além de ONGs e cientistas, todos reunidos numa pequena sala. Fomos munidos de nossos mortos — em papéis, em fotografias, em arquivos, em pastas, em planilhas e em nosso banco de dados. Muitos deles também estavam em nossos corações, como indivíduos que havíamos conhecido. Lekuta e Tenebo, dois machos maduros, cujos nomes foram dados, respectivamente, por patrulheiros das unidades de conservação Olare Orok e Siana, estavam na lista. A linda matriarca Goodness (Bondade) cujo nome foi dado por Derrick Nabaala, guia da unidade de conservação Mara Naboisho, por causa de sua natureza tão gentil, também estava na lista. Todos os três tinham sido mortos por flechadas por causa de suas presas.

O dia todo se passou com a discussão em torno das georreferências dos locais dos cemitérios dos elefantes, das presas que foram recuperadas e das que foram perdidas e das horríveis mortes individuais, por tiros, flechadas e setas envenenadas. Esclarecemos quais morreram de morte natural, quais foram mortos em conflitos com pessoas por causa dos minguantes recursos, ou os que foram mortos por causa de suas presas de marfim. Haviam todos sido georreferenciados? Sem um ponto de GPS, eles não poderiam ser verificados e contados entre os mortos. Acrescentamos nossas “novas” vítimas e riscamos os que estavam contados duas vezes na lista. 

“Vejam, vejam, vejam o que está acontecendo com nossos elefantes! PAREM com a matança! PAREM com o mercado de marfim!”

Trabalhamos até o fim do dia, quando tomamos o caminho de casa. outros continuaram durante o dia seguinte, até que cada registro tivesse sido checado e estivesse de acordo. Planejado para ocorrer a cada trimestre, estávamos esperando por esse processo. Uma vez que os dados estejam organizados, podemos ir para a imprensa com os horríveis números, podemos postá-los no Facebook, podemos gritar para o mundo com os difíceis fatos, a incontestável evidência: “Vejam, vejam, vejam o que está acontecendo com nossos elefantes! PAREM com a matança! PAREM com o comércio de marfim!”

Enquanto isso, o registro de 2013 começou, e a matança continua: seis em Janeiro, em apenas uma unidade de conservação do Mara. Dizem-nos que muitas pessoas na China acham que os elefantes deixam cair suas presas, como caem as armações dos cervídeos. A repulsiva mensagem de que cada presa custa uma vida não chegou a esses compradores. Temos que fazer com que a compra de marfim, assim como o uso de casacos de pele de felinos malhados, seja algo a ser desprezado

Usando um colar com GPS que permite que pesquisadores monitorem seus movimentos, Omondi faz uma pausa para escutar. Assim como muitos machos do Mara, ele tem um ferimento supurado, provocado por uma flecha. Foto: ElephantVoices.

Enquanto existir um mercado para o marfim, ele terá valor. Enquanto ele tiver valor, será um recurso controlado por pessoas que têm poder. O comércio de marfim no Quênia, assim como em qualquer outro local, é um negócio corrupto e sujo. Em todos os lugares a que vamos, escutamos o mesmo refrão: “É sempre assim em ano de eleição”, ou “não melhorará até que ocorram as eleições”. As pessoas insinuam que os políticos estão engajados   no mercado de marfim para levantar verba para suas campanhas. Pode ser verdade, mas a escala do problema é muito, muito maior que isso, e não temos ilusões de que a situação ficará melhor depois das eleições do começo de Março, a não ser que ajamos solidariamente e falemos como uma só voz.

O que significa exatamente "harmonizar" a mortalidade dos elefantes, e por que devemos fazer isso? A simples resposta é que, com tantas pessoas engajadas em conservação de elefantes no Quênia, temos que organizar esses números, de modo que possamos documentar o que está acontecendo e reagir de modo apropriado. Na realidade, a situação é um pouco mais complexa.

Para explicar, é necessário um pouco de história. Até 1990, os elefantes Africanos estavam no Apêndice II da Convenção do Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Convention on International Trade in Endangered Species - CITES), que permitia a venda de marfim pelos países que tinham elefantes, sob um sistema de cotas. Era um sistema tão aberto a abusos que o Leste da África perdeu 85% de seus elefantes em 15 anos, e a população de elefantes no continente caiu de 1,3 milhão para 600.000.

Em 1989, os Participantes da CITES votaram por colocar os elefantes Africanos no Apêndice I, decretando, por meio disso, uma proibição do comércio internacional de marfim. O voto certamente não foi unânime, e muitos países do sul da África e seus parceiros de negócios foram contra.

Nos dez anos que se seguiram, viu-se tanto uma lenta recuperação das populações desses mamíferos de longa vida, como também o desgaste da proibição. Muitas populações de elefantes dos países do sul da África foram “rebaixadas” para o Apêndice II e as chamadas vendas “únicas” de seus estoques de marfim foram permitidas para o Japão e para a China. 

Elefantes bebês brincando na segurança relativa das unidades de conservação.
Foto: ElephantVoices.
Em 2000, em resposta a preocupações de que essas vendas estimulariam o mercado, os Participantes da  CITES iniciaram um programa chamado  Monitoramento da Matança Ilegal de Elefantes (Monitoring the Illegal Killing of Elephants), ou MIKE, para ficar mais curto. O programa MIKE envolve a coleta de dados específicos da mortalidade de elefantes de umas 52 “localidades MIKE” ou de populações de elefantes monitorados através da África, tendo como um de seus objetivos principais monitorar onde e como as decisões tomadas pela CITES possam estar impactando os níveis de caça ilegal na região

Embora esses dados tenham fornecido indicadores valiosos sobre as tendências da caça ilegal, também foram altamente criticados por não terem sido capazes de comprovar, ou não, alguma causalidade entre as vendas de estoques de marfim e os níveis de caça ilegal. Já em 2007, havia indicadores de que nem tudo estava bem, mas, conforme o número de elefantes caçados continuou a subir, houve um grande desentendimento sobre se os “rebaixamentos na lista e as vendas dos estoques de marfim eram a causa, ou se a “proibição” (fragilizada por eles) não estava mais funcionando. No final de 2012, a situação da caça ilegal ficou completamente fora de controle, e o MIKE era ainda incapaz de concluir se as vendas de marfim eram a causa! 

Houve outras questões no MIKE que nos perturbaram. Na medida em que o MIKE forneceu fatos e números para as autoridades, em alguns países ele pode também ter levado a uma demora em soar o alarme sobre a matança de elefantes por causa do marfim. 

O Quênia tem duas localidades oficiais no MIKE: Tsavo e Samburu/Laikipia. Além disso, a presença de projetos com elefantes no Amboseli e em Maasai Mara também tem permitido registros detalhados de mortalidade coletados de acordo com os critérios do MIKE.

Uma família com órfãos, liderada por uma fêmea jovem, encontra na estrada  um bom lugar para um banho de lama. Foto: ElephantVoices.

Cientistas amam fatos e números, assim como os oficiais do governo. Fatos e números significam informação, e o controle dessas informações significa poder. Aqueles que coletam dados frequentemente querem usá-los para seus próprios propósitos e podem ser relutantes em compartilhá-los. Indivíduos e instituições podem também esconder números porque não gostam do que eles revelam e podem, por essa razão, querer controlar o acesso a eles.

No início dos anos 1990, quando Joyce encabeçava o Programa de Elefantes para o KWS (Serviço para a Vida Selvagem do Quênia), ela estabeleceu um Banco de Dados de Mortalidade de Elefantes, para ajudar o KWS a monitorar seus esforços anticaça, assim como o sucesso da proibição do comércio de marfim que tinha sido decretado pela CITES. É esse  banco de dados que agora abriga os dados do MIKE e forma uma importante  fonte de informação sobre o nível da caça ilegal de elefantes no país.

Como resultado do programa MIKE, algumas informações do Banco de Dados de Mortalidade do KWS são agora de interesse de uma audiência mais ampla. De fato, o mundo todo, subitamente, tem debatido esses dados. De particular interesse para o mundo todo, em geral, é o “PIKE” — ou o percentual de elefantes assassinados ilegalmente em relação ao número total de mortes. 

Nos últimos seis anos, o número de mortes e, particularmente, o PIKE, têm crescido constantemente (acreditamos que devido a decisões tomadas na CITES). Os números não têm sido bonitos, e é preciso dizer que algumas pessoas têm procurado tanto fazer discursos de fachada quanto esconder os fatos para mantê-los longe do público. Cientistas têm sido intimidados por terem diferenças de opiniões sobre os números. Há rumores de que, por  falarem abertamente sobre isso, pessoas têm tido seus financiamentos bloqueados, sócios honorários têm sido despojados de seus títulos e alguns têm sido acusados de conluio com caçadores. Qualquer que seja a verdade, tem florescido um clima de suspeitas, de sigilo, causando frustração e muita raiva, mesmo entre colegas e amigos. 

“Ainda bem que, nas últimas semanas, temos visto uma importante mudança de atitude no Quênia.”

Ainda bem que, nas últimas semanas, temos visto uma importante mudança de atitude no Quênia. A imprensa, de repente, está realmente bem informada, “dando nomes” e pressionando para que se faça algo. O Primeiro- Ministro, Raila Odinga, prometeu agir, e todos os sinais indicam que cabeças rolarão. O novo Diretor do Serviço para a Vida Selvagem do Quênia (Kenya Wildlife Service) está prometendo transparência, e isso está se estendendo a seus colaboradores, e encontros de harmonização estão acontecendo em todo o país.

Mais do que qualquer país do mundo, o Quênia é o epicentro do conhecimento sobre elefantes. Temos um time de conservacionistas internacionalmente reconhecido e autoridades em elefantes, experiência em  conservação, instituições, aplicação de políticas e um público alarmado e  desejoso de diminuir a matança. Enquanto escrevemos, membros de um novo grupo, Quenianos Unidos contra a Caça Ilegal (Kenyans United Against Poaching), marcham pelas ruas de Mombasa, cantando:

“Se não há vida selvagem – Não há turismo, 
Sem turismo – Não há trabalho, 
Sem turismo – Não há economia, 
Sem turismo – Não se vislumbra 2030. 
Temos que acabar com a caça ilegal agora. 
A China tem que Acabar com o Comércio de Marfim.”

Os elefantes são um recurso do Quênia e de seu povo e, enquanto aguardamos os resultados dos números oficiais de mortalidade de elefantes em 2012, temos a esperança de que o “Time Quênia” trabalhará junto, em harmonia, para proteger seus elefantes.



Joyce Poole estuda elefantes desde 1975, tem PhD em comportamento de elefantes pela Universidade de Cambridge e teve papel fundamental na obtenção da proibição do comércio de marfim, em 1989. Ela é uma autoridade mundial em comportamento social, reprodutivo, comunicativo e cognitivo e dedicou sua vida à conservação e bem-estar dos elefantes. Poole encabeçou o Programa de Elefantes do Serviço para a Vida Selvagem do Quênia (Kenya Wildlife Service) de 1990 a 1994 e foi responsável pela conservação e manutenção de elefantes em todo o Quênia. É autora de numerosos artigos científicos, de dois livros e a autora principal do “The Elephant Charter”. Poole e seu marido, Petter Granli, fundaram e dirigem a ElephantVoices. Em 2011, deram início a um projeto contínuo de conservação no Maasai Mara. Leia mais em www.elephantvoices.org.



Petter Granli é um economista com significativa experiência corporativa em gerenciamento e comunicação. Seu trabalho com conservação de vida selvagem começou em1998, como um dos fundadores da premiada empresa de ecoturismo norueguesa Basecamp Explorer, que dirigiu por três anos. Ali deu início ao Projeto de Conservação de Guepardos em Maasai Mara e a diversos trabalhos ecológicos colaborativos envolvendo os Maasai. Em 2004, enquanto trabalhava com Joyce Poole, começou um projeto de mitigação de conflitos entre humanos e elefantes na região do Amboseli. Com Joyce, fundou e dirige a ElephantVoices. Leia mais em www.elephantvoices.org.

Acesse o artigo original, na página da National Geographic.
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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A nova vida de Lucky


Lucky em sua nova vida no Santuário ENP, na Tailândia. Feliz, tomando banho no Rio (©Lek Chailert)

Lucky, a elefanta cega, balançava tristemente para frente a para trás, acorrentada em seu quintal, quando foi resgatada do circo, em 1 de fevereiro. 

Hoje, menos de quinze dias depois, recebemos notícias do santuário na Tailândia onde ela vive agora, o Elephant Nature Park. 

Nos conta Lek Chailert, fundadora do santuário: “Lucky tem três melhores amigas, que se tornaram seus olhos, sua irmã e sua babá. Hoje, pela primeira vez, ela se deitou e mergulhou no rio, jogou água enquanto trombeteava e brincou como uma criança, enquanto as três elefantas, Boon Ma, Danee e Bua, a vigiavam de perto.”


Lucky em sua nova vida no Santuário ENP, na Tailândia (©Lek Chailert)
Elefantes são animais de cérebro grande, inteligentes e curiosos. Estão entre os animais não humanos mais inteligentes e complexos - tanto do ponto de vista emocional como social. 

Na natureza, fora as duas ou três horas das 24 horas do dia em que podem ficar parados ou se deitar para dormir, os elefantes estão sempre em movimento ou envolvidos em alguma atividade. Sua vida é repleta de desafios intelectuais. As atividades experimentadas por eles dão motivação a uma mente ativa e mantêm o corpo vigoroso em boa condição física. Não importa qual seja o cenário – procura por alimentos, defesa, socialização ou reprodução –, a vida diária de um elefante se distingue por necessidade, propósito, desafio, escolha, vontade, autonomia e camaradagem. O aprendizado social também é visto em vários aspectos da vida diária de um elefante selvagem e é um componente vital da atividade mental. Esses elementos, tão necessários na vida de elefantes selvagens, atualmente estão completamente ausentes no cativeiro.

Temos certeza de que Lucky está agora no lugar certo. Ficamos felizes com as notícias e desejamos que mais elefantes que estejam sofrendo em cativeiro no mundo todo sejam  levados para santuários, onde possam, finalmente, ser elefantes.

Lucky em sua nova vida no Santuário ENP, na Tailândia (©Lek Chailert)

Saiba mais sobre elefantes na natureza e em cativeiro lendo "Mente e Movimento - Indo ao encontro dos interesses dos elefantes", escrito por Joyce Poole e Petter Granli, da ElephantVoices. 



Lucky em sua nova vida no Santuário ENP, na Tailândia (©Lek Chailert)

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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Comunicação Química dos Elefantes

Os sinais químicos e olfatórios são fundamentais na comunicação entre elefantes. Frequentemente eles levantam a tromba e farejam o ar, ou usam sua extremidade para explorar o solo (em busca de sinais ou rastros de urina e de material fecal), além de  utilizarem-na também para farejar genitais, glândulas temporais ou a boca de outros elefantes. A comunicação química produz sinais duradouros e energeticamente eficientes.

Secreção da glândula temporal durante o período de "Frenesi Sexual" (ou "Musth"). Mr. Nick. (©ElephantVoices)

Os odores utilizados na comunicação química

Os odores provenientes de urina, fezes, saliva e secreções da glândula temporal (uma grande estrutura multilobular que apresenta um orifício localizado entre o olho e a orelha) são os utilizados na comunicação química entre elefantes.


Os elefantes podem também utilizar as secreções das glândulas interdigitais e tarsais (também conhecidas como meibomianas), no processo de comunicação. Essas secreções são frequentemente observadas juntamente com secreções do ouvido, que provavelmente também transmitem informações.



Secreção do ouvido (©ElephantVoices)

O olfato

Os elefantes possuem um olfato apurado e o utilizam constantemente, da mesma maneira  que nós utilizamos nossa visão. Quando queremos saber mais sobre o que o elefante está pensando, ou para onde está dirigida a sua atenção, olhamos para a extremidade de sua tromba e não para o seu olhar (como faríamos, no caso dos humanos).  A extremidade de sua tromba está sempre se movimentando, virando de um lado para o outro, de cima para baixo, para frente e para trás, captando novos cheiros e buscando informações, e acreditamos que lá se encontra o foco de sua atenção. Certa vez, observamos um elefante retornar ao nosso carro, que estava a uma distância de 50 metros, a fim de localizar um pequeno pedaço (menor que 0,5cm de diâmetro) de banana que havia sido descartado.



Testando os genitais. (©ElephantVoices)
O olfato do elefante é tão apurado que, em Amboseli, onde eles são mortos pelos guerreiros masai, observamos elefantes fugirem de masais que estavam a 2km de distância, além de fugirem de um carro que levava um grupo de guerreiros masai no dia anterior. Lucy Bates e colegas demonstraram, experimentalmente, que os elefantes classificam grupos étnicos humanos somente pelo olfato. Classificam pessoas de acordo com o grau de ameaça que elas representam. Em seu estudo, observou que os elefantes correram para mais longe e permaneceram em estado de alerta por mais tempo quando expostos a camisetas que haviam sido usadas por masais, quando comparados a camisetas usadas por um grupo de pessoas que não representavam uma ameaça.
 

Numa ocasião, observamos a elefanta Virginia emitir um chamado para estabelecer contato bastante alto, depois de se deparar com um solo encharcado com a urina de sua filha Vida, que já estava separada de sua família por um período de dois dias.
O trabalho experimental de Lucy Bates e colegas demonstrou que os elefantes são capazes, através de seu olfato, de saber onde se encontram os indivíduos de seu grupo.



Testando urina. (©ElephantVoices)

A tromba contém 150 .000 subunidades musculares

A tromba é uma fusão do nariz com o lábio superior e contém, aproximadamente, 150.000 subunidades musculares. Embora obviamente tenha a função de captar água e alimento, também é utilizada na investigação tátil do meio ambiente, no olfato e no olfato vomeronasal.  A sua extremidade contém dois tipos de vibrissas, além de pequenos corpúsculos e terminações nervosas livres. Estas características permitem que detecte vibrações, além de manipular objetos e transferir líquidos.


Tromba de elefante descansando. (©ElephantVoices)

Na cavidade nasal, existem sete cornetos nasais (os cães têm apenas cinco), estruturas ósseas convolutas com tecido especializado na detecção de hormônios e de diferentes cheiros.Estas estruturas contêm milhares de células receptoras do olfato. Quando um macho está no "Frenesi Sexual" (ou "Musth"), com seus níveis de testosterona muito elevados, ou a fêmea no estro, eles podem detectar hormônios ou moléculas químicas presentes na urina, nas fezes e em secreções das glândulas temporais, observando também a boca e a tromba, que refletem o estado psicológico do animal analisado.



Três jovens farejando no modo "periscópio". (©ElephantVoices)

Um elefante capta muita informação ao farejar, ou ele pode também coletar determinada substância com a extremidade de sua tromba. Uma vez feito isso, a informação química é transferida ao órgão de Jacobson, também conhecido como órgão vomeronasal, localizado no céu da boca, onde esta informação é analisada. Este comportamento é conhecido como resposta flehmen. A informação é então transferida ao cérebro. Em frente ao órgão de  Jacobson existe uma pequena fileira de poros, conhecidos como fossas palatinas. Esses poros também podem intensificar a comunicação química, decifrando a informação molecular que foi levada à tromba, a fim de ser inspecionada.

Às vezes, pode-se observar um elefante achatando a extremidade de sua tromba sobre um ponto de urina no solo, como se estivesse vedando seu material de interesse. Ele pode então inalar pela boca para, depois, soprar sobre a substância, presumivelmente aquecendo-a de forma que mais compostos voláteis sejam liberados da matriz líquida.

Procure pesquisar as palavras “sniff” ou “sniffing”, ou “test” ou “testing” no ElephantVoices Gestures Database (Banco de Dados de Gestos da ElephantVoices), para saber mais sobre em que situações os elefantes usam seu olfato.


Clique aqui para ler as referências principais do texto. 

Saiba mais sobre a comunicação dos elefantes. Já publicados em Português: "A Comunicação Tátil dos Elefantes" e "A Comunicação Sísmica dos Elefantes".

Leia o texto original na página de internet da ElephantVoices.

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