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terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Projeto Gorongosa, da ElephantVoices

O Parque Nacional de Gorongosa, em Moçambique, é o local do mais recente projeto de monitoramento e conservação da ElephantVoices. Em 2011, a ElephantVoices foi convidada a ir a Gorongosa para avaliar os elefantes e iniciar um processo de familiarização, de modo que encontros entre elefantes e visitantes possam ser pacíficos. Acostumar elefantes com veículos de turistas é importante porque, sem a renda do turismo, esse lindo e biodiverso habitat não pode ser protegido. Com a atual pressão sobre os recursos naturais, e com a caça de elefantes por marfim em um novo pico, é imperativo garantir a sobrevivência da Gorongosa.


Grupo de Elefantes de Gorongosa (©Andreas Ziegler)

Entendendo e respeitando os sinais dos elefantes

Em 1972, Gorongosa era a casa de mais de 2.000 elefantes. Porém, entre 1977 e 1992 uma guerra civil tirou a vida da maioria desses indivíduos. A carne dos elefantes era usada para alimentar os soldados e seu marfim era vendido para a compra de armas e munição. Quando a paz foi restaurada, menos de 200 elefantes tinham sobrevivido. Hoje, graças à intervenção do Governo de Moçambique e ao Projeto de Restauração da Gorongosa, há cerca de 300-400 elefantes no parque, e seu número vem gradativamente aumentando. Mas, mesmo assim, os sobreviventes não se esqueceram de suas terríveis experiências e ainda estão, compreensivamente, cautelosos com relação às pessoas e continuam evitando grandes áreas do parque nacional.

Fazemos com que os elefantes se habituem aos veículos nos aproximando deles vagarosamente e desligando o motor ao primeiro sinal de medo ou agressividade. Fazendo isso, mostramos a eles que entendemos e respeitamos seus sinais, que não causamos danos e que não estamos com medo de sua postura de desafio.





Elefantes são dramáticos: adoram transformar algo pequeno em uma grande ocasião. E demonstram alguns dos mais dramáticos e aterrorizantes comportamentos defensivos, o que fica bem na televisão. Por isso, alguns de nossos encontros iniciais com elefantes na Gorongosa foram filmados para o documentário da National Geographic, War Elephants. É justo afirmar que a edição do filme aumentou a dramaticidade de nossas interações para a audiência da TV. Na realidade, encontramos elefantes normais, se comportando de modo bem próximo do que esperávamos. E os muitos elefantes que encontramos, em mais de uma ocasião, rapidamente aprenderam que não representávamos uma ameaça para eles. 


Quem é Quem e Onde Estão os Elefantes da Gorongosa


Em Outubro de 2012 começamos um trabalho mais intenso com os elefantes da Gorongosa. Começaremos por aprender o quanto pudermos com outras pessoas. Este é um novo lugar e são novos elefantes para a ElephantVoices, portanto temos muito o que aprender com aqueles que vivem e trabalham na Gorongosa. E, o mais importante, aprenderemos através de nossas experiências com os elefantes.

Traremos conosco versões customizadas das mesmas ferramentas online desenvolvidas pela ElephantVoices para nosso projeto de conservação de elefantes do Mara, no Quênia, o Elephant Partners. Com essas ferramentas, poderemos registrar cada elefante e coletar observações de modo sistemático e eficiente. Em colaboração com o Projeto de Restauração da Gorongosa e com a equipe do Parque Nacional, iremos, em tempo, construir o banco de dados "Quem é Quem e Onde Estão os Elefantes da Gorongosa", disponível para o público, para que explore, aprenda e contribua com ele.



Cada elefante em uma população é um indivíduo importante e começaremos o processo de identificação e registro de elefantes, um a um, povoando o banco de dados “Quem é Quem na Gorongosa” com fotografias, características fisionômicas e informações sobre sua história de vida. No caminho, teremos que aprender quem é assustado, quem é agressivo e dedicar mais tempo a esses indivíduos, para construir sua confiança.


Saiba mais: Elefantes da Gorongosa 

Conforme formos aprendendo sobre os indivíduos e suas famílias, trabalharemos no sentido de estimar o tamanho e a estrutura da população. Por exemplo, qual proporção da população é composta por machos e fêmeas, jovens e idosos? Quantos elefantes sem presas há? Quais são suas idades e o que esse padrão demográfico reflete sobre seu passado e qual o significado para sua sobrevivência no futuro?


Grupo de elefantes no Parque Nacional de Gorongosa (©ElephantVoices)


Mais conhecimento é a base para uma melhor proteção

Observações de indivíduos e famílias serão cadastradas no banco de dados da Gorongosa e, desse modo, começaremos a entender os padrões que definem a população, permitindo que a equipe do parque os proteja melhor. Por exemplo, precisamos saber quem passa seu tempo com quem, onde vão, quando e por quê.


Conforme conheçamos os elefantes, também treinaremos guarda-parques e guias sobre como coletar dados sobre eles e como deles se aproximarem, com benefício para ambos - pessoas e, com prioridade, elefantes. Com base no que aprendemos, nos engajaremos com outros cientistas que fazem pesquisas na Gorongosa e com a equipe do parque, para determinarmos possíveis futuros estudos sobre os elefantes e estratégias para sua conservação.


Guerreira, gf0050 - Essa linda matriarca foi assim nomeada devido a
dois furos grandes e perfeitamente redondos que tem nas orelhas, 
que muito provavelmente revelam que defendeu sua família, 
com as orelhas abertas, de uma saraivada de tiros (©ElephantVoices)

Link para o texto original 


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terça-feira, 24 de abril de 2012

Conhecendo Mr. Nick

Machos mais velhos são vitais para a sobrevivência e a saúde funcional das populações de elefantes, e tanto a caça por troféus como a caça por marfim podem causar sérios danos por décadas.

Por: Joyce Poole, ElephantVoices (11 de fevereiro de 2008)

Mr. Nick, ou M86 (Male 86, ou Macho 86), foi assim chamado pela enorme quantidade de falhas e pequenos cortes em suas orelhas. Ele tem o que chamamos de orelhas ”serrilhadas”. De fato, suas orelhas são tão serrilhadas quanto seria possível.

 Mr. Nick no Parque Nacional do Amboseli, no Quênia (© Petter Granli/ElephantVoices)

Nomeei Mr. Nick em 1976, quando ambos tínhamos 20 anos de idade - éramos jovens, nós dois. Eu já era crescida, estava ainda na universidade, e havia apenas começado a estudar machos que estavam em período de alto apetite sexual (“musth”). Ele havia deixado sua família alguns anos antes e, embora fosse maior e mais alto do que todas as fêmeas adultas, ele era insignificante, comparado aos outros machos.

Envelhecemos juntos, apesar de que Mr. Nick, aos 52, ainda estava no ápice de sua fase reprodutiva, enquanto que eu, não mais. O Parque Nacional do Amboseli é um dos poucos locais onde você ainda pode ver machos mais velhos e Mr. Nick tem tido sorte por viver tantos anos.

Elefantes machos chegam a seu ápice reprodutivo entre 45 e 50 anos de idade, mas, se são poucos os que vivem o suficiente para procriar, menos ainda são os que conseguem atingir esse ápice. A expectativa de vida de elefantes machos no Parque Amboseli é de apenas 24 anos. Se desconsiderarmos a morte causada por pessoas, sua expectativa de vida sobe para 39 anos. Você deve estar surpreso de saber que num local seguro como o Amboseli as pessoas têm tanta influência na sobrevivência dos elefantes. 

Nos outros locais, o impacto na mortalidade dos elefantes é ainda maior, especialmente em áreas onde o conflito humanos-elefantes é intenso, onde há caça ilegal por marfim, ou onde a caça por troféus é permitida.

As presas de um macho de 50 anos são sete vezes mais pesadas que as de uma fêmea da mesma idade, e, assim, tanto os caçadores ilegais em busca de marfim como os caçadores por esporte os têm como alvo. Os caçadores por marfim costumavam argumentar que os elefantes mais idosos estavam “muito velhos para se reproduzir” e que, portanto, eram dispensáveis, mas meu trabalho anterior com elefantes em seu ápice reprodutivo e em acasalamentos bem sucedidos derrubaram esse argumento. E, num estudo genético recente de paternidade, mostramos que 80% dos filhotes são filhos de machos mais velhos em seu ápice de apetite sexual (“musth”).

Estudos científicos de longo prazo, como aquele levado a cabo no Amboseli, são importantes porque proveem argumentos essenciais para a conservação e a gestão de elefantes. Machos mais velhos são vitais para a sobrevivência e a saúde funcional das populações de elefantes, e tanto a caça por troféus como a caça por marfim podem causar sérios danos por décadas.

 Mr. Nick no Parque Nacional do Amboseli, no Quênia (© Petter Granli/ElephantVoices)

Leia o texto original em Inglês, no website da ElephantVoices

terça-feira, 13 de março de 2012

Junte-se à Dra. Joyce Poole hoje às 15:30h na página do Facebook da National Geographic

Você pode participar hoje, ao vivo, na página do Facebook da National Geographic, de um chat em vídeo com a Dra. Joyce Poole, Diretora da ElephantVoices, sobre diversas questões relacionadas a elefantes.

Foto: ElephantVoices

Encaminhe antecipadamente suas perguntas, usando o campo de comentários do blog da National Geographic, ou poste-as diretamente na página do FaceBook. Depois, conecte-se  para assistir ao vivo, acompanhe as respostas, poste mais perguntas! Um jeito novo e gostoso de aprender sobre esses surpreendentes animais e os desafios para sua conservação!