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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Elefantes bebês aguardam seu destino, enquanto a África procura salvar a espécie


Publicado na National Geographic em 27 de Março de 2015
Por Paul Steyn


O mundo está perdendo a guerra contra a caça ilegal de elefantes por causa do mercado de marfim. Essa foi a descoberta crucial no encontro de cúpula em Botsuana, a respeito do comércio de elefantes e da vida selvagem.

Este jovem macho que definha no zoo de Taiyuan, na China, foi importado do Zimbábue em 2012. Tom de Meulenaer, cientista chefe do Secretariado da CITES, afirma que capturar elefantes selvagens e vendê-los para outros países é  "um problema de bem-estar". (Fotografia: cortesia da China Zoo Watch)

Kasane, Botsuana – Em relação ao comércio de elefantes selvagens, o Zimbábue está “aberto a fazer negócio com o mundo inteiro”, disse Saviour Kasukuwere, ministro do Meio Ambiente, Água e Clima do país, numa entrevista exclusiva para a National Geographic.

Kasukuwere, que compareceu, junto com representantes de outros países, à Reunião de Cúpula para os Elefantes Africanos, em Botsuana, em 23 de março, seguida pela Conferência Sobre o Comércio Ilegal de Vida Selvagem, em 25 de março, respondia à pergunta sobre o plano do Zimbábue de exportar elefantes bebês africanos mantidos em cativeiro no Parque Nacional de Hwange (veja: "Imagens reveladas: a situação dos bebês eelfantes capturados no Zimbábue) . 

Embora essa questão não estivesse na agenda dos dois encontros, que tinham a intenção de discutir o progresso feito para deter o comércio ilegal de marfim e espécies ameaçadas e fazer recomendações para ações futuras, ela foi o “elefante na sala”, enquanto os representantes discutiam as implicações morais e políticas de vender elefantes selvagens para o exterior.

Kasukuwere assegurou que os bebês de Hwange não são para exportação e serão mandados para outras regiões do país para equilibrar as populações de elefantes do Zimbábue.

“Isso é normal”, disse ele. “Transferimos animais de uma área com alta concentração para áreas de baixa. Vez ou outra capturamos esses animais para tentar equilibrar as populações.” 

De acordo com um documento publicado pelo Ministério do Meio Ambiente, Água e Clima sob o título “A Posição do Zimbábue em Relação a Vendas de Elefantes e Outras Espécies de Vida Selvagem Vivos”, o Parque Nacional de Hwange tem 54.000 elefantes, 40.000 a mais do que o parque nacional pode suportar.

Esta manada de elefantes vive no Parque Nacional de Chobe, no Botsuana, perto de Kasane, onde os representantes se reuniram para discutir o destino da espécie. (Fotografia: Karine Aigner, 
NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE)

Os últimos números do Elephant Database (Banco de Dados de Elefantes) – um website que mostra dados atuais das populações de elefantes no continente africano – estabelecem a população de Hwange em 34.000, segundo o censo de 2007.

“Nós temos muitos”, disse Kasukuwere. “Se você quiser alguns em Londres, por favor, nos diga. 

Nós somos obrigados a usar nossos recursos naturais de uma maneira sustentável, para podermos financiar o custo de manutenção da nossa equipe, que tem o dever de proteger os elefantes e a vida selvagem.”

O ministro deixou claro que o Zimbábue “não vendeu nenhum elefante ainda”.

A caça ilegal não diminuiu. Ainda cai o número de elefantes.

Na Reunião de Cúpula para os Elefantes Africanos, representantes da CITES apresentaram estatísticas do seu programa Monitoring the Ilegal Killing of Elephants – MIKE (Monitoramento da Matança Ilegal de Elefantes), mostrando que os números da caça ilegal entre 2013 e 2014 não mudaram. (veja: 100 mil elefantes mortos por caçadores ilegais em apenas três anos)

O programa MIKE avalia os níveis relativos de caça ilegal com base na proporção de elefantes mortos ilegalmente, que é calculada através do número de elefantes mortos encontrados, dividido pelo número total de carcaças de elefantes encontradas por patrulhas ou outros meios, agregados por um ano, em cada localidade.

Segundo os representantes da CITES, as populações de elefantes na África devem chegar a um número de 434.000 indivíduos, com base nas estimativas de 2012. Mas, ao se levar em consideração os altos níveis da caça ilegal dos últimos três anos, esse número pode ser bem menor, uma vez que a mortandade ultrapassou a natalidade.

“Claramente, ainda estamos encarando uma crise”, disse à National Geographic o cientista-chefe do Secretariado da CITES, Tom de Meulenaer. “Não vencemos a batalha pelos elefantes. Os números da caça ilegal estagnaram num nível altíssimo em 2014, comparado a 2013.”

“Ao mesmo tempo, existem sinais de que estamos caminhando para uma melhor situação para os elefantes. Há indicações de que o cumprimento da lei – e existe um grande e sério esforço para o cumprimento da lei em diversos países – está começando a ter efeito”, disse de Meulenaer.

“Claramente, ainda estamos encarando uma crise. Não vencemos a batalha pelos elefantes”

Tom de Meulenaer, cientista-chefe da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagens)

“Existe um esforço atual de comunicação com aqueles que investem no marfim ilegal na Ásia, especialmente a China, para que mudem de ideia. Essas pessoas sabem exatamente o que estão fazendo”. (leia sobre o mercado de marfim na China).

Mas Tshekedi Khama, ministro do Meio Ambiente, Vida Selvagem e Turismo de Botsuana e  anfitrião dos encontros em Kasane, culpou a corrupção e a falta de vontade política pelo flagelo contínuo da caça ilegal na África.

A população de elefantes em Botsuana – ainda robusta e estimada em 130.000 – por enquanto não foi atingida seriamente pela caça ilegal.

“A África tem que dizer NÃO”, disse Khama. “É nossa responsabilidade dizer NÃO. Mas, enquanto existir corrupção, levará mais tempo do que gostaríamos.”

Ele também levantou a questão da alta demanda na China. “O tipo de participação que queremos da China é o de eliminar qualquer venda de marfim. Uma vez retirado do mercado, o problema está resolvido”, disse ele.

“Queremos pegar os chefes”

O segundo encontro em Kasane, a Conferência Sobre o Comercio Ilegal de Vida Selvagem, deu seguimento à Declaração de Londres de 2014, da qual 46 países participaram. 

A Declaração de Kasane, com a participação de 32 países, inclusive a China e o Vietnã, reconhece o esforço realizado por governos para implementar as medidas discutidas em Londres, mas afirma que muito mais precisa ser feito.

“Este ano estamos determinados a encarar os crimes financeiros e a lavagem de dinheiro associados ao tráfico ilegal de vida selvagem”, disse o Lord de Mauley, ministro do Meio Ambiente, Alimentos e Questões Rurais da Grã-Bretanha, numa conferência de imprensa depois do encontro.

“Nós queremos pegar os chefes envolvidos, não apenas os caçadores ilegais. Temos que chegar aos cérebros desse comércio pernicioso.”

De Mauley realçou os esforços renovados de infiltração nas redes de transportes que movem os produtos pelo mundo. (Leia sobre estancar o comércio de marfim na Ásia através de portos de embarque).

“Existe uma operação criada pelo príncipe William, que irá engajar as companhias de transporte – particularmente as companhias aéreas e marinhas – que são crucialmente importantes.”

Países africanos também irão devotar mais atenção à necessidade de beneficiar pessoas nas áreas onde ocorre a caça ilegal, ele disse. “Dar às pessoas um motivo para apoiar a luta contra a caça ilegal, em vez de precisarem dela para sobreviver.”

Este jovem elefante, separado de sua mãe no Parque Nacional de Hwange, faz parte do grupo que está sendo mantido lá, possivelmente para ser embarcado a outro país, ou movido para outra área do Zimbábue. (Fotografia: cortesia de Elephants DC)

Críticos de conferências de alto nivel, como a de Kasane, dizem que só um pouco mais do que promessas são alcançadas por alguns Estados participantes.
Mas Khama enfatizou que ficar sentado discutindo e observando “não está na agenda. Temos que manter a pressão”.

“Não vamos analisar os progressos apenas uma vez por ano”, disse ele. “Temos que ter uma inspeção contínua para ver como estamos agindo e realizando.”

Realizar significa ser capaz de mirar um declínio na matança de elefantes de 2015 em diante.

Uma das maneiras de atingir isso é incentivar o turismo da vida selvagem que irá gerar empregos e possibilitar uma renda para que as pessoas não precisem recorrer à caça ilegal – especialmente num país como o Zimbábue, que ainda tem milhares de elefantes (leia: "Zimbábue planeja aumentar a venda de elefantes, afirma fonte").

“Visitantes vão bater os pés”

Numa entrevista depois dos encontros, Bill Travers, presidente da Born Free Foundation, uma organização global de conservação, disse que, se o Zimbábue continuar com esse plano de vender animais selvagens, ele pode perder muito mais do que alguns elefantes.
“Visitantes vão, na minha opinião, bater os pés e escolher não visitar os parques nacionais do Zimbábue, o que causará mais dano do que a injeção de dinheiro a curto prazo esperada pelo governo”, ele disse.

“Eu acho que o governo está começando a perceber que, seja qual for a renda, o custo para a imagem do Zimbábue será alto, e o objetivo de reativar o turismo ficará severamente comprometido”, disse Tom Milliken, líder do Programa de Elefantes e Rinocerontes do grupo TRAFFIC, que monitora o comércio da vida selvagem, durante uma entrevista depois da conferência. 

“Não vamos exportar nossos elefantes para lugares onde não são naturalmente encontrados”

Tshekedi Khama, Ministro do Meio Ambiente, Vida Selvagem e Turismo do Botsuana.

Milliken, que mora no Zimbábue, acrescentou: “Estava em Hwange outro dia e tentei conversar com a equipe do parque, mas ninguém quer conversar sobre os bebês capturados.”

Milliken diz que a captura dos elefantes bebês e o seu contínuo isolamento das manadas e confinamento no parque de Hwange, “são uma série de eventos horrorosos. Acho que vamos nos arrepender profundamente”.

De Meulenaer, da CITES, diz que a captura de alguns elefantes selvagens para o comércio legal é uma questão de ética.

“É uma questão de bem-estar, não de conservação”, ele disse numa entrevista do lado de fora do encontro de cúpula pelos elefantes.

O Zimbábue está abrindo um precedente?

Há uma preocupação, principalmente entre ativistas e ONGs, de que o Zimbábue possa estar abrindo um precedente na África que pode incitar outros países africanos a vender elefantes para o estrangeiro. (descubra por quê é tão difícil parar com a exportação de bebês elefantes no Zimbábue).

O ministro Khama disse que Botsuana é terminantemente contra.

“Nós sabemos o que os nossos vizinhos estão fazendo. Gostamos disso? Não! Nós não gostamos disso. Eu certamente não ouvi nenhum outro país pensando na mesma linha.”

“Nós não exportaremos nenhum elefante para lugares onde não são naturalmente encontrados”, Khama continuou. “Por que motivo eu iria submeter uma espécie que vive livre e selvagem a viver confinada em zoológicos? Isso não vai acontecer.”


Tradução: Ana Zinger; Revisão: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado. Edição: Junia Machado.

Link para o artigo original.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Caçadores usam cianureto para matar 41 elefantes no Zimbábue

Fontes do governo afirmam que 116 elefantes foram mortos por envenenamento nos últimos oito meses e que esse número pode ser ainda maior

Caçadores misturaram cianureto a sal para matar silenciosamente elefantes no norte do Zimbábue

Por: Sipho Kings,  Mail & Guardian 

Publicado em 05 de Setembro de 2013



Jornais do Zimbábue noticiaram que caçadores mataram
41 elefantes com uma mistura de sal e cianureto (AFP).

O jornal Chronicle, do Zimbabwe, noticiou que a polícia desmantelou um cartel de seis caçadores ilegais que mataram e removeram as presas de 41 elefantes no Parque Nacional de Hwange.

Os caçadores misturaram cianureto a sal, que foi espalhado em volta de grandes lagoas visitadas pelos elefantes para beber água. Quando morreram, suas presas foram removidas e levadas para as casas dos criminosos.

Os caçadores foram pegos depois que guardas florestais ouviram tiros e foram até o local. Eles seguiram as pistas até uma casa que era usada como local para armazenamento do marfim. Um dos caçadores, então, foi persuadido pela polícia e pelos guardas florestais a telefonar para os outros membros da gangue e pedir que viessem à casa, onde foram presos.

A polícia recuperou 17 presas, no valor de R$ 273 mil.  

"O que eles estão fazendo é muito cruel, porque não termina com a morte dos elefantes. Os animais que se alimentarem dos elefantes mortos morrerão, e os que se alimentarem desses últimos, também (porque o cianureto permanece no sistema)", afirmou o inspetor chefe da polícia.

Aumento dramático

A caça ilegal no continente africano aumentou dramaticamente. Um relatório deste ano da convenção da CITES - Convention on International Trade in Endangered Species (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção) -, "Elephants in the Dust – The African Elephant Crisis" (Elefantes na Poeira - A Crise dos Elefantes Africanos), afirma que pelo menos 25 mil elefantes foram mortos na África no ano passado. O comércio de marfim - que é ilegal - dobrou desde 2007, aponta o relatório.

Na Tanzania, 30 elefantes são mortos a cada dia para a retirada de suas presas, dizimando rapidamente a segunda população de elefantes da África. O governo prevê que, a essa taxa, 10 mil elefantes terão sido mortos no país até o final deste ano. 

O problema ainda não atingiu a África do Sul, mas é predominante nos países que fazem fronteira com o país. Julian Blanc, coordenados e analista de dados do Mike -  Monitoring the Illegal Killing of Elephants (Monitoramento da Matança Ilegal de Elefantes), afirma: "Enquanto que os níveis de caça ilegal no sul do continente africano não sejam tão elevados como em outras partes, eles estão crescendo continuamente."

A pesquisa ligou a pobreza à caça ilegal, e isso agora não é um problema menor na África do Sul, acrescentou ele. 

A caça de elefantes foi um problema no país nos anos 80, mas foi erradicada, e, desde então, as populações têm crescido constantemente. A SANParks - South African National Parks (Parques Nacionais Sul-Africanos) está, de qualquer modo, se planejando para um aumento da caça, com documentos de alerta sobre "a ameaça da caça ilegal de elefantes surgindo no horizonte". 


Menino Maasai e seu cachorro ao lado de um esqueleto de elefante
morto por caçadores perto de Arusha, na Tanzânia (AP). 

Leia mais: Total de elefantes envenenados nos últimos meses

Um total de 116 elefantes morreram como resultado de envenenamento das fontes de água por caçadores ilegais, no Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue, nos últimos oito meses, segundo informou à polícia Amos Gwema, uma autoridade da agência governamental de Parques e Gerenciamento da Vida Selvagem. Segundo ele, 97 desses casos estavam relacionados a três dos seis caçadores presos após o recente envenenamento de 41 elefantes na semana passada. 

“Desde Janeiro de 2013, 116 elefantes morreram por envenenamento na área de Mokona, e 97 desses casos estão ligados aos acusados de matar com cianureto esses 41 elefantes”, afirmou Gwema. 

“O Zimbábue é membro da CITES - Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção -, e o que está ocorrendo é uma ameaça à sobrevivência desses animais. Suspeitamos que o número de animais envenenados continue aumentando conforme as investigações prossigam”. 

Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.




terça-feira, 5 de março de 2013

Atualização sobre Shankar – O pobre e solitário Elefante Africano no zoológico de Nova Délhi


A situação de Shankar, o solitário Elefante Africano do Zimbábue no zoo de Nova Délhi, continua deixando os apaixonados pela vida selvagem e os ativistas pelos direitos e bem-estar dos animais perplexos e aturdidos nacional e internacionalmente. Três anos depois de destacarmos sua situação precária na página da ElephantVoices, Shankar ainda está acorrentado, apanha e não tem nenhuma companhia de outro membro da própria espécie. A melhor opção seria o governo indiano enviar Shankar a um refúgio de animais selvagens na África, de preferência no Quênia, onde ele poderia viver com membros da mesma espécie. Para conseguirmos isso, deve haver um modo de superar a glória ligada a seu status, por ter sido um presente diplomático. 


No zoo de Nova Délhi, Shankar passa a maior parte de sua vida acorrentado e apanha com frequência (notem sua grande cicatriz na testa). Shankar foi dado em 1998 pelo Zimbábue ao Governo na Índia, com seu par. Hoje, ele tem aproximadamente 14 anos de idade; sua companheira morreu poucos anos depois do embarque. Foto: cortesia de Nina Kanderian, da Wildlife Conservation Society Afghanistan.

A situação de Shankar demonstra o estado sórdido dos Elefantes Africanos que estão em cativeiro na Índia, com mais dois animais em condições deploráveis no Zoo de Mysore, além de outros exemplos repugnantes, declara Shubhobroto Ghosh, autor do The Indian Zoo Inquiry. Numa sinopse, Ghosh descreve a sina dos Elefantes Africanos nos zoos indianos e, em particular, de um par do Zimbábue que foi dado como presente diplomático, em 1998, ao presidente da Índia. Pedimos a todos os amigos do Zimbábue que façam o que for possível para convencer o Governo de que o que estão fazendo é um desserviço também para seu setor de turismo e seu povo.

Na sinopse, Ghosh pede a todos os países que têm elefantes Africanos e Asiáticos que os mantenham no lugar a que pertencem - a natureza. No final de 2009, a Índia deu um passo brilhante ao proibir elefantes Asiáticos em zoos - e foi aplaudida pelo mundo todo.

Elefantes de zoos são privados de suas necessidades básicas

O Dr. Sunil Srivastava, médico veterinário com 25 anos de experiência e representante de Nova Délhi na organização internacional de direitos dos animais Animal Equality, afirma: “Na natureza, os elefantes têm suas regras e tarefas para preencherem suas vidas. O comportamento natural exercido por eles provê a necessária estimulação física e mental.  No entanto, os elefantes dos zoos são privados de suas necessidades básicas, e Shankar não é uma exceção. Quando estava no início de minha carreira e trabalhei como voluntário no zoo de Nova Délhi, notei ferimentos profundos nos tornozelos dos elefantes, como um resultado de seu esforço para se livrar das correntes. Um dos tratadores do zoo de Nova Délhi acredita que os elefantes devem ser acorrentados no perído de seu frenesi sexual”. 

Amruta Ubale, da Animal Equality, acrescenta: “Numa atividade informal no zoo, perguntamos a visitantes leigos sobre comportamentos esteriotipados em elefantes, como o sacudir ou o balançar da cabeça etc. A resposta comum que recebemos foi que os elefantes parecem felizes e que estão dançando”. 

Elefantes Asiático e Africano no zoo de Nova Délhi. Apesar da proibição (de 2009) da manutenção de Elefantes Asiáticos em zoos na Índia, apenas alguns Elefantes Asiáticos tiveram a sorte de já terem sido enviados a parques nacionais; muitos ainda aguardam nos zoos. Mas Shankar e os outros Elefantes Africanos na Índia não são considerados por essa lei e continuam numa situação deplorável. Foto por Basav Bhattacharya, 
tirada em 10 de Novembro de 2012.

A horrível prática de exportar bebês elefantes

Enquanto isso, o Zimbábue continua nas manchetes dos jornais, pelas razões erradas. Seu recente envio de quatro bebês elefantes à China mostra que o bem-estar dos elefantes não está em sua pauta. Um deles já morreu. Está previsto o embarque de mais quatorze elefantes, dependentes de leite materno, para breve. Assim como em 2010, o Zimbábue mostra pouca preocupação com as trágicas consequências dessa horrorosa prática. Muitos países aparentemente expressaram interesse na importação de mais elefantes do Zimbábue. Podemos esperar apenas que sólidos argumentos, compaixão e decência prevaleçam, mas não estamos tão otimistas.

Os documentos de autoria de Shubhobroto Ghosh mencionados neste artigo estão disponíveis aqui para download:  The Indian Zoo Inquiry(1.14 MB) e a Sinopse (1.36 MB).

Leia mais sobre elefantes em cativeiro e na natureza em "Mente e Movimento - Indo ao Encontro dos Interesses dos Elefantes", escrito por Joyce Poole e Petter Granli, da ElephantVoices.