Mostrando postagens com marcador CITES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CITES. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de julho de 2015

Salve o Elefante

Há cerca de 100 elefantes nesta foto. É essa a quantidade 
de elefantes massacrados a cada 24 horas na África, 
pelas taxas atuais.

Tyler Hicks/The New York Times
Ou podemos dizer que um elefante é morto 
a cada 14 minutos. 


Salve o Elefante
Por LYDIA MILLET, 26 de Julho de 2015, The New York Times

MAIS de dois milhões de anos atrás, os mamutes e os elefantes asiáticos tomaram caminhos evolutivos diferentes — e na mesma ocasião, de acordo com pesquisas de DNA, o mesmo ocorreu com seus parentes na África. Por muito tempo, os elefantes na África eram considerados como se pertencessem a uma única espécie, mas uma massa crítica de estudos genéticos agora prova que são duas.

Você poderia dizer que as duas espécies— elefantes da “floresta” e elefantes da “savana”— são diferentes apenas ao observá-las com cuidado, mas até 2010 faltavam evidências genéticas. Os elefantes da floresta são muito menores, pesam metade do peso dos elefantes da savana e se desenvolveram nas florestas tropicais da África Central e Ocidental; suas orelhas são mais arredondadas do que as de seus primos e têm presas mais retas. Os elefantes da savana, cujas orelhas são mais triangulares e cujas presas são mais espessas e curvadas, vagam pelas planícies abertas e cerrados de outras partes do vasto continente, desde a África Oriental até a África Austral, onde são mais abundantes. Em termos genéticos, as duas espécies são tão diferentes uma da outra, como são os leões dos tigres.

Durante a última década, emergiu um forte consenso científico sobre a biologia dos elefantes. Então, em junho, o Centro para a Diversidade Biológica, onde trabalho, preencheu uma petição, endereçada à United States Fish and Wildlife Service pedindo a reclassificação dos elefantes africanos em duas espécies diferentes e a inclusão de ambas como “endangered" (em perigo de extinção) no Endangered Species Act.

Pode parecer estranho que os Estados Unidos dê alguma classificação legal a todos os animais de outros países, mas a verdade é que a proteção americana de animais ou plantas “estrangeiros”  sob o poderoso Endangered Species Act pode trazer benefícios palpáveis a essas espécies, incluindo impedir que suas partes sejam vendidas nos Estados Unidos e impedindo nosso governo de sancionar ou pagar por ações que machuquem os animais. Isso também pode prover fundos para pesquisas e educação.

A questão entre uma contra duas espécies de elefantes africanos não é definir um enigmático argumento de DNA; é sobre a vida e a morte dessas extraordinárias criaturas. Sem elefantes, a paisagem da África ficaria irreconhecível, ainda que esses animais tenham declinado em centenas de milhares devido a duas enormes ondas de caça neste século - uma nas décadas de 1970 e 1980 e a outra com início em 2009 e ainda em curso. Se o ponto central da petição for atendido, pode ser a salvação. 

Aqui está como. Agora mesmo,  as duas espécies de elefantes africanos são protegidas sob o Endangered Species Act apenas como “threatened” (ameaçadas) — uma proteção menor que “endangered” (em perigo). O que “endangered” significa para os elefantes, ou para qualquer outro animal ou planta, é simples: não há muitos remanescentes, então a espécie corre risco de ser extinta. Reconhecer o fato de que os elefantes africanos pertencem a duas espécies distintas revela os verdadeiros números muito baixos — com relação a quantidades históricas — de cada uma delas. Ao invés de olharmos para meio milhão de elefantes remanescentes, é como se estivéssemos olhando para 100.000 (e possivelmente menos de 50.000) elefantes da floresta sobrevivendo no mundo e cerca de 400.000 elefantes da savana. É importante entender, entretanto, que os números reais podem ser ainda muito menores, já que elefantes são notavelmente difíceis de serem contados.

Populações de ambas as espécies estão em queda livre, enquanto o frenesi da caça impulsiona a matança e o massacre, para obtenção de suas presas, de dezenas de milhares de elefantes a cada ano. O número de elefantes africanos da floresta na África Central declinou 62 porcento em menos de uma década,  devastados por um coquetel mortal de caça ilegal, perda de habitat e guerra civil, fazendo com que seja a espécie mais ameaçada das duas. As populações de elefantes africanos da savana também tiveram um declínio significativo nos países onde vivem, com uma devastação maior na Tanzania, onde uma das maiores populações de elefantes — 109.000 animais — caiu para apenas 43.000 em apenas cinco anos, entre 2009 e 2014.

Se os EUA reconhecerem e protegerem as duas espécies, a International Union for Conservation of Nature e a CITES, o tratado que regulamenta  o comércio global da vida selvagem, podem dar o mesmo passo, trazendo uma nova e necessária ajuda para a populações em mais alto risco de elefantes.

Listá-los como “endangered” (em perigo) também afunilaria ainda mais as restrições para importar, exportar e vender produtos de marfim, a partir e dentro dos Estados Unidos. Depois da  China, os Estados Unidos é o segundo maior mercado de marfim, com o comércio legal de antiguidades de marfim sendo usado para acobertar o comércio ilegal de marfim novo. No mês passado, um oficial sênior de vida selvagem da China prometeu colocar um fim no comércio de marfim no país se os Estados Unidos fizerem o mesmo. 

Isso significa que a ação americana de reclassificar os elefantes africanos poderia transformar o modo como as duas maiores economias do planeta — que também são as duas nações que mais consomem marfim — estão lidando com a crise do massacre dos elefantes. 

Temos que agir agora, antes que seja tarde demais.


Link para o artigo original

Traduzido por Junia Machado. Revisão: João Paiva, Teca Franco. Edição: Junia Machado.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Elefantes bebês aguardam seu destino, enquanto a África procura salvar a espécie


Publicado na National Geographic em 27 de Março de 2015
Por Paul Steyn


O mundo está perdendo a guerra contra a caça ilegal de elefantes por causa do mercado de marfim. Essa foi a descoberta crucial no encontro de cúpula em Botsuana, a respeito do comércio de elefantes e da vida selvagem.

Este jovem macho que definha no zoo de Taiyuan, na China, foi importado do Zimbábue em 2012. Tom de Meulenaer, cientista chefe do Secretariado da CITES, afirma que capturar elefantes selvagens e vendê-los para outros países é  "um problema de bem-estar". (Fotografia: cortesia da China Zoo Watch)

Kasane, Botsuana – Em relação ao comércio de elefantes selvagens, o Zimbábue está “aberto a fazer negócio com o mundo inteiro”, disse Saviour Kasukuwere, ministro do Meio Ambiente, Água e Clima do país, numa entrevista exclusiva para a National Geographic.

Kasukuwere, que compareceu, junto com representantes de outros países, à Reunião de Cúpula para os Elefantes Africanos, em Botsuana, em 23 de março, seguida pela Conferência Sobre o Comércio Ilegal de Vida Selvagem, em 25 de março, respondia à pergunta sobre o plano do Zimbábue de exportar elefantes bebês africanos mantidos em cativeiro no Parque Nacional de Hwange (veja: "Imagens reveladas: a situação dos bebês eelfantes capturados no Zimbábue) . 

Embora essa questão não estivesse na agenda dos dois encontros, que tinham a intenção de discutir o progresso feito para deter o comércio ilegal de marfim e espécies ameaçadas e fazer recomendações para ações futuras, ela foi o “elefante na sala”, enquanto os representantes discutiam as implicações morais e políticas de vender elefantes selvagens para o exterior.

Kasukuwere assegurou que os bebês de Hwange não são para exportação e serão mandados para outras regiões do país para equilibrar as populações de elefantes do Zimbábue.

“Isso é normal”, disse ele. “Transferimos animais de uma área com alta concentração para áreas de baixa. Vez ou outra capturamos esses animais para tentar equilibrar as populações.” 

De acordo com um documento publicado pelo Ministério do Meio Ambiente, Água e Clima sob o título “A Posição do Zimbábue em Relação a Vendas de Elefantes e Outras Espécies de Vida Selvagem Vivos”, o Parque Nacional de Hwange tem 54.000 elefantes, 40.000 a mais do que o parque nacional pode suportar.

Esta manada de elefantes vive no Parque Nacional de Chobe, no Botsuana, perto de Kasane, onde os representantes se reuniram para discutir o destino da espécie. (Fotografia: Karine Aigner, 
NATIONAL GEOGRAPHIC CREATIVE)

Os últimos números do Elephant Database (Banco de Dados de Elefantes) – um website que mostra dados atuais das populações de elefantes no continente africano – estabelecem a população de Hwange em 34.000, segundo o censo de 2007.

“Nós temos muitos”, disse Kasukuwere. “Se você quiser alguns em Londres, por favor, nos diga. 

Nós somos obrigados a usar nossos recursos naturais de uma maneira sustentável, para podermos financiar o custo de manutenção da nossa equipe, que tem o dever de proteger os elefantes e a vida selvagem.”

O ministro deixou claro que o Zimbábue “não vendeu nenhum elefante ainda”.

A caça ilegal não diminuiu. Ainda cai o número de elefantes.

Na Reunião de Cúpula para os Elefantes Africanos, representantes da CITES apresentaram estatísticas do seu programa Monitoring the Ilegal Killing of Elephants – MIKE (Monitoramento da Matança Ilegal de Elefantes), mostrando que os números da caça ilegal entre 2013 e 2014 não mudaram. (veja: 100 mil elefantes mortos por caçadores ilegais em apenas três anos)

O programa MIKE avalia os níveis relativos de caça ilegal com base na proporção de elefantes mortos ilegalmente, que é calculada através do número de elefantes mortos encontrados, dividido pelo número total de carcaças de elefantes encontradas por patrulhas ou outros meios, agregados por um ano, em cada localidade.

Segundo os representantes da CITES, as populações de elefantes na África devem chegar a um número de 434.000 indivíduos, com base nas estimativas de 2012. Mas, ao se levar em consideração os altos níveis da caça ilegal dos últimos três anos, esse número pode ser bem menor, uma vez que a mortandade ultrapassou a natalidade.

“Claramente, ainda estamos encarando uma crise”, disse à National Geographic o cientista-chefe do Secretariado da CITES, Tom de Meulenaer. “Não vencemos a batalha pelos elefantes. Os números da caça ilegal estagnaram num nível altíssimo em 2014, comparado a 2013.”

“Ao mesmo tempo, existem sinais de que estamos caminhando para uma melhor situação para os elefantes. Há indicações de que o cumprimento da lei – e existe um grande e sério esforço para o cumprimento da lei em diversos países – está começando a ter efeito”, disse de Meulenaer.

“Claramente, ainda estamos encarando uma crise. Não vencemos a batalha pelos elefantes”

Tom de Meulenaer, cientista-chefe da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Selvagens)

“Existe um esforço atual de comunicação com aqueles que investem no marfim ilegal na Ásia, especialmente a China, para que mudem de ideia. Essas pessoas sabem exatamente o que estão fazendo”. (leia sobre o mercado de marfim na China).

Mas Tshekedi Khama, ministro do Meio Ambiente, Vida Selvagem e Turismo de Botsuana e  anfitrião dos encontros em Kasane, culpou a corrupção e a falta de vontade política pelo flagelo contínuo da caça ilegal na África.

A população de elefantes em Botsuana – ainda robusta e estimada em 130.000 – por enquanto não foi atingida seriamente pela caça ilegal.

“A África tem que dizer NÃO”, disse Khama. “É nossa responsabilidade dizer NÃO. Mas, enquanto existir corrupção, levará mais tempo do que gostaríamos.”

Ele também levantou a questão da alta demanda na China. “O tipo de participação que queremos da China é o de eliminar qualquer venda de marfim. Uma vez retirado do mercado, o problema está resolvido”, disse ele.

“Queremos pegar os chefes”

O segundo encontro em Kasane, a Conferência Sobre o Comercio Ilegal de Vida Selvagem, deu seguimento à Declaração de Londres de 2014, da qual 46 países participaram. 

A Declaração de Kasane, com a participação de 32 países, inclusive a China e o Vietnã, reconhece o esforço realizado por governos para implementar as medidas discutidas em Londres, mas afirma que muito mais precisa ser feito.

“Este ano estamos determinados a encarar os crimes financeiros e a lavagem de dinheiro associados ao tráfico ilegal de vida selvagem”, disse o Lord de Mauley, ministro do Meio Ambiente, Alimentos e Questões Rurais da Grã-Bretanha, numa conferência de imprensa depois do encontro.

“Nós queremos pegar os chefes envolvidos, não apenas os caçadores ilegais. Temos que chegar aos cérebros desse comércio pernicioso.”

De Mauley realçou os esforços renovados de infiltração nas redes de transportes que movem os produtos pelo mundo. (Leia sobre estancar o comércio de marfim na Ásia através de portos de embarque).

“Existe uma operação criada pelo príncipe William, que irá engajar as companhias de transporte – particularmente as companhias aéreas e marinhas – que são crucialmente importantes.”

Países africanos também irão devotar mais atenção à necessidade de beneficiar pessoas nas áreas onde ocorre a caça ilegal, ele disse. “Dar às pessoas um motivo para apoiar a luta contra a caça ilegal, em vez de precisarem dela para sobreviver.”

Este jovem elefante, separado de sua mãe no Parque Nacional de Hwange, faz parte do grupo que está sendo mantido lá, possivelmente para ser embarcado a outro país, ou movido para outra área do Zimbábue. (Fotografia: cortesia de Elephants DC)

Críticos de conferências de alto nivel, como a de Kasane, dizem que só um pouco mais do que promessas são alcançadas por alguns Estados participantes.
Mas Khama enfatizou que ficar sentado discutindo e observando “não está na agenda. Temos que manter a pressão”.

“Não vamos analisar os progressos apenas uma vez por ano”, disse ele. “Temos que ter uma inspeção contínua para ver como estamos agindo e realizando.”

Realizar significa ser capaz de mirar um declínio na matança de elefantes de 2015 em diante.

Uma das maneiras de atingir isso é incentivar o turismo da vida selvagem que irá gerar empregos e possibilitar uma renda para que as pessoas não precisem recorrer à caça ilegal – especialmente num país como o Zimbábue, que ainda tem milhares de elefantes (leia: "Zimbábue planeja aumentar a venda de elefantes, afirma fonte").

“Visitantes vão bater os pés”

Numa entrevista depois dos encontros, Bill Travers, presidente da Born Free Foundation, uma organização global de conservação, disse que, se o Zimbábue continuar com esse plano de vender animais selvagens, ele pode perder muito mais do que alguns elefantes.
“Visitantes vão, na minha opinião, bater os pés e escolher não visitar os parques nacionais do Zimbábue, o que causará mais dano do que a injeção de dinheiro a curto prazo esperada pelo governo”, ele disse.

“Eu acho que o governo está começando a perceber que, seja qual for a renda, o custo para a imagem do Zimbábue será alto, e o objetivo de reativar o turismo ficará severamente comprometido”, disse Tom Milliken, líder do Programa de Elefantes e Rinocerontes do grupo TRAFFIC, que monitora o comércio da vida selvagem, durante uma entrevista depois da conferência. 

“Não vamos exportar nossos elefantes para lugares onde não são naturalmente encontrados”

Tshekedi Khama, Ministro do Meio Ambiente, Vida Selvagem e Turismo do Botsuana.

Milliken, que mora no Zimbábue, acrescentou: “Estava em Hwange outro dia e tentei conversar com a equipe do parque, mas ninguém quer conversar sobre os bebês capturados.”

Milliken diz que a captura dos elefantes bebês e o seu contínuo isolamento das manadas e confinamento no parque de Hwange, “são uma série de eventos horrorosos. Acho que vamos nos arrepender profundamente”.

De Meulenaer, da CITES, diz que a captura de alguns elefantes selvagens para o comércio legal é uma questão de ética.

“É uma questão de bem-estar, não de conservação”, ele disse numa entrevista do lado de fora do encontro de cúpula pelos elefantes.

O Zimbábue está abrindo um precedente?

Há uma preocupação, principalmente entre ativistas e ONGs, de que o Zimbábue possa estar abrindo um precedente na África que pode incitar outros países africanos a vender elefantes para o estrangeiro. (descubra por quê é tão difícil parar com a exportação de bebês elefantes no Zimbábue).

O ministro Khama disse que Botsuana é terminantemente contra.

“Nós sabemos o que os nossos vizinhos estão fazendo. Gostamos disso? Não! Nós não gostamos disso. Eu certamente não ouvi nenhum outro país pensando na mesma linha.”

“Nós não exportaremos nenhum elefante para lugares onde não são naturalmente encontrados”, Khama continuou. “Por que motivo eu iria submeter uma espécie que vive livre e selvagem a viver confinada em zoológicos? Isso não vai acontecer.”


Tradução: Ana Zinger; Revisão: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado. Edição: Junia Machado.

Link para o artigo original.

segunda-feira, 30 de março de 2015

‘Elefantes africanos estão a caminho da extinção’, ouvem os governantes da reunião de cúpula em Botsuana

Publicado pela DW - Deutsche Welle em 23 de Março de 2015.

A Reunião de Cúpula sobre os Elefantes Africanos, envolvendo 20 nações, começou em Botsuana com alertas renovados de que a população do maior mamífero terrestre está caindo dramaticamente. Caçadores suprem ilegalmente a Ásia, particularmente a China, com marfim. 


A conferência realizada num resort em Kasane, Botsuana, foi informada de que a caça ilegal dos elefantes africanos é insustentável, com mais de 100.000 mortos nos últimos quatro anos.

O número atual de elefantes, em todo o continente africano, está em torno de 420.000.  O pesquisador Dune Ives disse que, nesse ritmo, “a espécie pode ser extinta em uma ou duas décadas”.

O maior declínio ocorreu na África Oriental, onde os números caíram para 100.000. 

A abertura de reunião de cúpula coincidiu com a notícia vinda de Kinshasa de que 30 elefantes foram mortos por caçadores ilegais nas últimas duas semanas no Parque Nacional de Garamba, na região nordeste da República Democrática do Congo.

‘Assegurando comprometimentos’

O porta-voz do Ministério do Meio Ambiente de Botsuana, Elias Magosi, disse que o objetivo da reunião de cúpula – uma continuação da conferência de 2013 – é  assegurar comprometimentos “em altos níveis para efetivamente proteger os elefantes”. 

Magosi disse que os sindicatos de marfim se aproveitaram de conflitos, instabilidade social e governos débeis para suprir o mercado ilegal de marfim.

O grupo TRAFFIC, que monitora o comércio de vida selvagem, disse que o marfim certamente escoa do Quênia e da Tanzânia para países de trânsito, como Malásia, Vietnã e Filipinas, antes de chegar a China e Tailândia para ser vendido.

Na última sexta-feira, autoridades da Etiópia procuraram desencorajar a caça ilegal ateando fogo a seis toneladas de presas e badulaques de marfim confiscados ao longo dos últimos 20 anos.

O comércio de marfim está levando os elefantes à extinção.

Nos anos 70, a Etiópia tinha mais de 15.000 elefantes. Atualmente, restam 1.900. 

O Quênia e o Gabão também destruíram recentemente estoques de marfim.

No mês passado, a China impôs um ano de proibição nas importações de marfim, enquanto a Tailândia está sob pressão para seguir o pedido da CITES, ou Convention on International Trade in Endangered Species (convenção que regulariza o comércio de espécies ameaçadas).

O quilo do marfim atualmente é vendido a US$ 100 (92 euros ou 324 reais) por caçadores ilegais. Na China, ele é vendido por US$ 2.100 (1.927 euros ou 6.807 reais).

Elo entre a pobreza e a caça ilegal

Julian Blanc, especialista da CITES, disse que uma maneira de lidar com a caça ilegal é reduzir a pobreza humana “significativamente”. 

“Nós monitoramos uma relação direta entre a mortalidade infantil (uma medida de pobreza) em níveis distritais com os níveis da caça ilegal”, disse ele. 
“Em lugares onde há um alto nível de mortalidade infantil e pobreza, monitoramos um maior nível de caça ilegal aos elefantes”, disse Blanc.

Na África do Sul e em Botsuana, os elefantes sobrevivem melhor do que mais ao norte da África, pela simples questão de que, naqueles países, os caçadores ilegais se concentram em matar rinocerontes. 

A proteção dos rinocerontes também será um alvo importante da agenda da reunião de cúpula em Botsuana.

ipj/jr (AFP, dpa, AP)

Tradução: Ana Zinger; Revisão: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.


Link para publicação original / Link to the original post

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Declínio dos Elefantes Vastamente Subestimado

Publicado por Trevor Jones e Katarzyna Nowak, em "A Voice for Elephants" (Uma voz para os elefantes), da National Geographic, em 16 de Dezembro de 2013.

Excrementos de abutre mancham mais uma vítima de caça ilegal em Ruaha-Rungwa, ao sul da Tanzânia (fotografia: Udzungwa Elephant Project).
No início deste mês, a mídia internacional publicou uma estimativa divulgada pela International Union for the Conservation of Nature (IUCN) de que “um quinto dos elefantes da África poderá ser eliminado nos próximos dez anos, se a taxa de caça ilegal for mantida”.

Essa é uma subestimativa prejudicial, que nivela por baixo a gravidade do atual desastre e os esforços que têm sido feitos para contornar a situação. 

Dada a vasta matança de elefantes por caçadores ilegais em busca de suas presas de marfim ao longo dos últimos cinco a dez anos e a falta de pesquisas acuradas e atualizadas das populações de elefantes em toda a África, é muito difícil fazer estimativas regionais dos números totais e projeções para o futuro, ainda mais para todo o continente.

No entanto, vamos considerar algumas sólidas informações que foram fornecidas recentemente em artigos analisados ​​por especialistas e relatórios de cientistas in loco.

Machos passeiam diante de uma câmera escondida no 
Ruaha National Park (fotografia: Udzungwa Elephant Project).
Grave Declínio

Na Tanzânia, que até recentemente abrigou o segundo maior número de elefantes de savana de todo o continente (depois de Botsuana), os resultados de um censo aéreo do ecossistema Selous realizado em outubro do ano passado acabaram de ser anunciados na 9ª Conferência Científica do Tanzania Wildlife Research Institute (TAWIRI), que aconteceu entre 4 e 6 de dezembro, em Arusha.

O ecossistema Selous (31.040km²) é a maior área protegida da África e possui a maior população de elefantes da África Oriental. No início dos anos 70, o número de elefantes foi estimado em mais de 100 mil, mas, depois da última grande crise de caça ilegal de marfim, no fim dos anos 80, a população caiu para cerca de 20 mil.

Após a proibição mundial do comércio de marfim, promulgada em 1989, a população se recuperou para cerca de 55 mil elefantes em 2007, quando a onda de matanças aumentou. Em 2009, o número de elefantes do Selous já tinha diminuído para cerca de 39 mil.

A mais recente estimativa da população é de 13.084. O resultado indica um declínio sem precedentes de quase 80% nos últimos seis anos.

Aguardamos com receio os resultados iminentes da segunda maior população da África Oriental, Ruaha-Rungwa (13.384km²), também no sul da Tanzânia, onde um grande número de carcaças frescas foi relatado na reserva de Rungwa Game e partes do Parque Nacional Ruaha.

O cenário tende a ser igualmente sombrio na Tanzânia Ocidental (Katavi-Rukwa, Ugalla, Moyowosi-Kigosi), onde pesquisas demográficas realizadas em 2009/2010 indicaram níveis de caça semelhantes ou mesmo piores do que no Selous.

Na África Central, um extenso estudo que reúne dados de pesquisa a partir de 80 locais estimou um declínio de 62% nas populações de elefantes africanos da floresta entre 2002 e 2011, e estes dados já são de dois anos atrás.

Elefantes no leito do Rio Ruaha (fotografia: Trevor Jones)

Manadas do Sul estão cada vez mais vulneráveis

A África do Sul não foi atingida tão duramente quanto o resto do continente - ainda -, mas todos os relatórios indicam que a situação está piorando.

A caça ilegal é intensa em Moçambique e agora está afetando também o Parque Nacional Kruger, na África do Sul, que é, parcialmente, uma continuação do Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique. É uma parte do transfronteiriço Peace Park.


Como a África Oriental e a África Central foram esvaziadas de seus elefantes, é razoável esperar que os responsáveis pela caça ilegal se concentrem cada vez mais sobre as populações do Sul. 

O comunicado de imprensa da IUCN foi divulgado durante o Encontro Internacional de Elefantes, realizado há algumas semanas em Gaborone, Botsuana. 

O que está acontecendo nesse país, que é extremamente importante para os elefantes, não está claro, mas o presidente Khama, em seu discurso de boas-vindas aos representantes, adotou um tom que era ao mesmo tempo comovente e mais realista do que o da IUCN: 

“Os recursos humanos e naturais da África foram pilhados e saqueados durante gerações por pessoas de terras distantes. Escravidão, pilhagem de artefatos arqueológicos, de minerais, da fauna e da flora... O continente e seu povo foram vítimas, durante muito tempo, de interesses egoístas de outros continentes. E hoje continua... Nossos marfins de elefante e chifres de rinoceronte estão indo para países onde são usados Deus sabe como! Só para satisfazer crenças obsoletas ridículas, enquanto continuamos com carcaças, como prova de que um dia possuímos estes magníficos animais.”

Números enganosos
Então no que se baseou a previsão da IUCN?
Parece ter se baseado numa combinação de análise de dados de carcaças do programa MIKE (Monitoring the Illegal Killing of Elephants) da CITES e uma estimativa da população de elefantes no continente africano apresentada pelo AfESG (African Elephant Specialist Group) da IUCN, no African Elephant Database (AED).
O banco de dados do MIKE tem como objetivo indicar níveis de caça ilegal em 42 localidades em todo o continente, com exceção de um pequeno número de áreas bem monitoradas (notavelmente Laikipia-Samburu, no Quênia), entretanto, geralmente os esforços de monitoramento e níveis reportados são inadequados, e esses dados devem ser tratados com extrema cautela. 
Enquanto que o AED coleta estimativas de populações a partir de pesquisas científicas, a maioria desses dados estão agora significativamente ultrapassados, dada a atual rapidez de declínio demonstrada no Selous e em todos os lugares.
Por exemplo, a maioria das estimativas para a Tanzania são de 2009; para Botswana, de 2006; e para o Zimbábue, Gabão, e República Democrática do Congo, são ainda mais antigas do que 2006.
A realidade é que esse banco de dados não consegue acompanhar as taxas atuais de declínio das populações.
Com base nessas informações ultrapassadas, o AfESG e a IUCN citam um número de 500 mil elefantes africanos restantes na natureza. 
Suspeitamos que a metade desse número seja mais próxima na verdade. 
Uma família de elefantes em uma poça de lama em Ruaha (fotografia: Trevor Jones)

Caindo na Realidade
O amplamente divulgado trecho da IUCN não é apenas uma grave subestimativa de quantos elefantes provavelmente perderemos nos próximos dez anos, “se os níveis atuais de caça ilegal persistirem,” mas também desvia a atenção das perdas sem precedentes de elefantes que já ocorreram durante a última década. 
Observando o método de previsão da IUCN/MIKE, temos a obrigação moral de apontar que, de acordo com as mais recentes e confiáveis informações científicas, muitas das antigas grandes populações podem ter sido 100% eliminadas nos próximos cinco anos. 
Entre as localidades que nesse prazo tão próximo poderão não ter mais elefantes estão: Zakouma, no Chade; Yankari, na Nigeria; Virunga, na República Democrática do Congo; Caprivi, na Namibia; Garamba, na República Democrática do Congo; Queen Elizabeth, em Uganda; e, agora, Selous-Mikumi, na Tanzania.
Numa era de tantas espécies ameaçadas e em declínio, todas justificadamente motivando nossa preocupação e proteção, uma previsão de perda de 20 porcento dos elefantes africanos na próxima década parece, superficialmente, relativamente insensível.
A realidade é muito pior, e o problema muito mais urgente, e declarações enganosas vindas de respeitadas organizações de conservação podem fazer retroceder os esforços de recuperar o importante apoio internacional e as ações em solo que são necessárias para que se tome uma nova direção.
Nunca é fácil saber quantos elefantes ainda restam, nem fazer previsões —e proteção e bem-estar de elefantes são muito mais do que uma questão de números. De fato, em muitos locais onde sabemos que as populações estão sendo dizimadas, não temos tempo para esperar por mais informações. Temos que, simplesmente, agir.
Na política moderna de conservação, entretanto, os números são imensamente importantes — Esperamos que o recentemente anunciado censo aéreo pan-africano, agendado para 2014, traga uma visão mais clara do que já perdemos em todo o continente. 
Mais do que tudo, temos que assegurar que a informação levada ao domínio público seja a mais real possível.
Drs. Trevor Jones e Katarzyna Nowak são diretores do Udzungwa Elephant Project, no sul da Tanzania.

Link para o texto original da National Geographic. 

Tradução, revisão e edição: Amanda Lourenço, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

quinta-feira, 21 de março de 2013

86 elefantes mortos em massacre por caçadores ilegais no Chade

Caçadores armados, em busca de marfim, mataram 86 elefantes em menos de uma semana, incluindo fêmeas grávidas e filhotes.





Cerca de 650 elefantes foram mortos no Parque Nacional de Bouba N’Djida, em Fevereiro de 2012. Fotografia: Anônimo/AP

Caçadores no sudeste do Chade mataram pelo menos 86 elefantes, incluindo 33 fêmeas grávidas, em menos de uma semana, num golpe potencialmente devastador para uma das últimas populações remanescentes de elefantes da África Central.


Grupos de elefantes seguem rotas migratórias tradicionais durante a época da seca, desde a República Centro-Africana, através do Chade, em direção a Camarões. Estima-se que 150 mil elefantes habitavam a região há trinta anos. Hoje, a quantidade pode ser tão pequena como 2 mil.


De acordo com a IFAW (International Fund for Animal Welfare), os elefantes foram mortos perto de Fianga, próximo da fronteira entre o Chade e Camarões, e suas presas, arrancadas. Fianga é perto de uma área transfronteiriça do parque – Sene Oura, no Chade, e Bouba N'Djida, em Camarões –, onde muitos elefantes passam a época das secas antes que as chuvas comecem, em abril. Acredita-se que os animais tenham sido mortos por caçadores sudaneses e chadienses, viajando a cavalo, munidos de fuzis AK47 para matá-los e serrotes para remover suas presas. 


"Os caçadores mataram fêmeas grávidas e todos os filhotes", disse Celine Sissler-Bienvenu, da IFAW. "Mesmo se as condições fossem boas, o que não são, levaria mais de 20 anos para essa população se recuperar."


A organização SOS Elephants, com base no Chade, reportou, no final do ano passado, que centenas de elefantes tinham se movido para o Chade, numa tentativa de fugir da matança no parque Nacional de Bouba N'Djida, onde 650 elefantes foram mortos em questão de dias, em Fevereiro de 2012.


A região da África Central tem sido palco de conflitos e governos ruins, e os esforços anti-caça anunciados pelo presidente do Chade, Idriss Déby Itno, incluindo a assinatura de um acordo com a IFAW para fornecer guardas em Sene Oura, mostraram poucos resultados.


Equipes anticaça são frequentemente mal equipadas e os guardas também são, eles mesmos, alvos dos caçadores. Dez foram mortos tentando proteger elefantes entre 2006 e 2009, no Parque Nacional de Zakouma, no sudeste do Chade. Conforme o conflito de Darfur se alastrou pela fronteira do Chade com o Sudão, cavaleiros cruzaram para Zakouma, matando cerca de 3.000 elefantes em três anos. A certa altura, três elefantes por dia, em média, estavam sendo mortos.


As gangues de caçadores estão em busca dos elefantes devido a seu marfim valioso, com objetivo de traficá-lo para os mercados chineses, através de portos no Sudão e na Nigéria. Jornais locais no Chade reportaram casos de chineses sendo pegos carregando marfim no aeroporto de N'Djamena, embora nenhum processo tenha sido aberto.


Saiba mais: Jogando uma luz intensa sobre o massacre dos elefantes africanos

O jornalista Bryan Christy, autor da reportagem "Culto ao Marfim", publicada na National Geographic, comenta o massacre em seu blog e publica um vídeo onde aparecem objetos de marfim e duas grandes presas expostas numa sala do palácio papal. 

Junte-se à nossa campanha de conservação e compartilhe as ilustrações nas redes sociais: Cada Presa Custa uma Vida. Não compre marfim.


Uma das imagens da campanha - Valores de Família. NÃO COMPRE MARFIM. Download de artes finais em diversas resoluções neste link, para qualquer objetivo não comercial, para reduzir o comércio de marfim e a matança de elefantes.


domingo, 10 de março de 2013

Little Fellow, o pequeno companheiro que nada sabia sobre a CITES

A conexão entre o que aconteceu com Little Fellow no Maasai Mara e decisões tomadas na CoP 16 da CITES, ocorrendo agora em Bangcoc, DEVERIA estar clara. Essa conexão é o tema do texto publicado por Joyce Poole e Petter Granli no blog da National Geographic, "Uma Voz para os Elefantes", que reproduzimos abaixo. A economia do Quênia (através do turismo) e sua estabilidade estão intimamente ligadas ao comércio de marfim e ao futuro dos elefantes. Todos queremos e precisamos da paz: os elefantes e suas famílias também, desesperadamente. 


Little Fellow (Pequeno Companheiro) era um lindo e jovem macho. (Foto: Joyce Poole/ElephantVoices)
 
Em 22 de fevereiro, passamos algumas horas com um elefante adolescente chamado Little Fellow (Pequeno Companheiro), em uma reserva fora da Reserva Nacional de Maasai Mara, no Quênia.


Little Fellow era um macho jovem muito bonito, com presas oblíquas e lóbulos de orelha que se curvavam para fora. Estimamos que ele tivesse seus 16 anos de vida, tendo acabado de atingir a puberdade.


Mas Little Fellow não viveria muito para poder passar seus genes para a próxima geração. 


Por um período de seis semanas, foi tratado diversas vezes por um veterinário do Kenya Wildlife Service por causa de uma ferida ocasionada por uma lança. Os “bips” do detector de metais indicaram que parte da ponta de metal da lança ainda estava acomodada em sua perna da frente. 


Sua perna machucada tinha o dobro do tamanho que deveria ter. Apenas de olhar para ela, sabíamos que ele não conseguiria se recuperar, a despeito dos esforços do heroico veterinário e da vigília daqueles que vieram confortá-lo, tanto humanos quanto elefantes.
O pus transbordava pela ferida aberta. A septicemia havia se estabelecido, e a infecção se espalhava por seu corpo.


Exausto, Little Fellow descansava sua cabeça na forquilha de uma árvore para poder aliviar um pouco do peso de seu corpo, especialmente sobre sua perna frontal direita. Sua perna infeccionada estava inchando em proporções gigantescas.



Exausto, Little Fellow descansava sua cabeça na forquilha de uma árvore para poder aliviar um pouco do peso de seu corpo, especialmente sobre sua perna frontal direita. (Foto: Petter Granli/ElephantVoices).
Sua perna infeccionada estava inchando em proporções gigantescas. (Foto: Petter Granli/ElephantVoices)
Little Fellow já não podia andar. Com um esforço tremendo, podia juntar forças para dar um tipo de pulo, arrastando sua enorme perna com ele. Descansava com frequência, com sua tromba enrolada numa árvore, buscando alívio momentâneo para seu sofrimento.

Ele sabia que não poderia se deitar novamente — ele havia entendido isso quando, durante seu tratamento, precisou da ajuda de um veículo com cordas para se levantar. 


A despeito da exaustão e da agonia, Little Fellow estava lutando por sua vida com dignidade e propósito, mantendo-se próximo da água e de um bom pasto, numa área sombreada, a apenas alguns metros de distância da residência do gerente da Reserva. 


Ele não era o primeiro macho que vinha até ali para morrer, já sabíamos disso. Lekuta, um elefante maduro atingido duas vezes por flechas e tratado diversas vezes por causa de suas feridas, também tinha vindo morrer ali, pertinho da casa do gerente. Seus ossos estavam espalhados ali perto, e os excrementos de elefantes à sua volta indicavam que não havia sido esquecido. 


Na segunda-feira, 25 de Fevereiro, Little Fellow faleceu. Como Lekuta, não será esquecido pelas pessoas e pelos elefantes que cuidaram dele.



Assista: Little Fellow, jovem elefante de Maasai Mara morto por flechadas de caçadores em Fevereiro de 2013. 

A Urgência é Real

Nascido no final da década de 1990, Little Fellow entrou em um mundo que era bastante seguro para os elefantes. Mas, hoje, certamente não é. A matança corrente está ameaçando a sobrevivência da espécie e do turismo, as economias e a estabilidade em diversos países africanos.


Little Fellow nada sabia sobre a CoP 16 da CITES, o encontro que está ocorrendo agora em Bangcoc, na Tailândia. Nada sabia também sobre os muitos documentos, argumentos e palavras que os participantes e especialistas da CITES haviam dedicado aos elefantes.


CITES é a organização cuja função é assegurar que as espécies não sejam ameaçadas pelo comércio internacional. É o único instrumento que o mundo tem para estabelecer limites à exploração de espécies e decidir, com base em ações globais, quando uma delas está sob cerco cerrado.


As delegações da CITES nada sabem sobre Little Fellow. Mas sabem sobre os chocantes números de, no mínimo, 25 mil elefantes mortos anualmente, no decorrer dos últimos anos, por causa de suas presas.


Com base no que sabemos e no que escutamos, os números atuais podem ser tão elevados como 50 mil. Isso é cerca de dez por cento de todos os elefantes remanescentes na África — uma terrível e aterrorizante redução em apenas um único ano.
Acreditamos que as vendas isoladas de marfim aprovadas pela CITES para a China e o Japão contribuíram para a atual matança de elefantes, estimulando um brutal aumento da demanda por marfim. 


Podemos apenas esperar que Little Fellow não tenha morrido em vão e que, desta vez, a CITES e os países que dela fazem parte coloquem os elefantes acima do comércio e do lucro, para que seja possível reduzir essa matança.


Não estamos em Bangcoc. Mas do Quênia, estamos acompanhando de perto os confrontos da CITES nessa crise em curso. A Primeira-Ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, deu o tom certo na abertura da CoP16 no domingo, 3 de Março, ao prometer proibir o comércio interno de marfim no país. Esperamos que tenha inspirado líderes de outros países também. Se uma ação similar for tomada pela China, a vida de milhares de elefantes pode ser salva.


Desejamos a todas as delegações uma conferência de sucesso, e pedimos que seja permitido que a prevaleça a ciência, e não a política, ou o comércio.

NOTÍCIAS direto da CoP16 da CITES, Bangcoc

No dia 7 de Março/2013, soubemos, através do jornalista Bryan Christy, autor da reportagem “Culto ao Marfim”, publicada na National Geographic de Out/2012, que um documento importante está circulando na convenção. 


Nele, o Presidente anterior do Comitê Permanente da CITES declara abertamente que a “experiência” de vendas isoladas de estoques de marfim apreendido “obviamente falhou” e que o comércio de marfim, incluindo todos os mercados domésticos, tem que ser proibido com urgência. Isto é exatamente o que temos argumentado junto à CITES por muitos anos. Agradecemos a Robert Hepworth pela coragem de apresentar essa honesta carta. Será que finalmente a CITES irá agir de modo conjunto e fazer seu trabalho?

Documento em circulação na CITES declara abertamente que a “experiência” de vendas isoladas de estoques de marfim apreendido “obviamente falhou” e que o comércio de marfim, incluindo todos os mercados domésticos, tem que ser proibido com urgência. (Foto: Bryan Christy)

Saiba mais: leia, no Blog do Planeta, da Revista Época, "O novo ouro branco e a extinção dos elefantes africanos", um artigo da ElephantVoices Brasil.


"O novo ouro branco e a extinção dos elefantes africanos", um artigo da ElephantVoices Brasil.
Leia o texto original da ElephantVoices no Blog da National Geographic, "Uma Voz para os Elefantes".

Junte-se à nossa campanha pelo fim do comércio de marfim, Cada Presa Custa uma Vida,  neste link.