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sábado, 20 de julho de 2013

ElephantVoices conscientiza visitantes do Museu Histórico Nacional (RJ) sobre o comércio de marfim e a atual matança dos elefantes

Antes de visitarem exposição de arte sacra que inclui grande acervo de imagens religiosas de marfim, visitantes são informados sobre como o crescente comércio de marfim está ameaçando a sobrevivência dos elefantes. Na próxima semana, a exposição receberá também o público da Jornada da Juventude.


A recepção do museu e os materiais da campanha “Cada Presa Custa uma Vida” 
(Foto: Maria Cristina Mullins)

Quando os visitantes chegam à recepção do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, para visitar a exposição “A Arte a Serviço da Fé – Tesouros do Museu Histórico Nacional”, além de se depararem com o belo painel em tons de púrpura e dourado que anuncia a exposição de arte sacra, têm acesso a peças informativas da ElephantVoices sobre o comércio de marfim e como ele está colocando em risco a sobrevivência dos elefantes. 

São três banners: dois com texto informativo, em inglês e português, e um com a imagem “Valores de Família”, desenvolvida pela nova-iorquina Asher Jay e que faz parte da campanha mundial da ElephantVoices “Cada Presa Custa uma Vida”, lançada no início deste ano e dirigida a todas as pessoas que fazem parte da cadeia do marfim – desde os caçadores até os compradores finais, em diversos países.

A exposição, que estará em cartaz até meados de agosto, inclui um grande acervo de imagens religiosas de marfim de propriedade do museu, datadas do século XVIII. 

A ação da ElephantVoices Brasil foi aprovada pela Diretoria e pelo Setor de Comunicação do museu, que concordaram sobre a importância da conscientização do público da exposição quanto à atual ameaça do crescente comércio de marfim à sobrevivência das três espécies de elefantes. 

Desde os primeiros contatos da ElephantVoices Brasil com o Museu Histórico Nacional, através de sua diretora Vera Tostes, ficou clara a disposição do museu em aproveitar o momento para uma conscientização a respeito da preservação dos elefantes. Maria Cristina Mullins, da equipe da ElephantVoices Brasil do Rio de Janeiro, e Laudessi Torquato, da Assessoria de Comunicação do Museu Histórico Nacional, reuniram-se pela primeira vez em abril, por ocasião da abertura da exposição, para discutir o desenvolvimento de um trabalho educativo que não desmerecesse a importância da coleção do museu enquanto arte e registro histórico, e que, ao mesmo tempo, desse visibilidade à direta relação entre a atual produção e venda de imagens de marfim e o extermínio das espécies de elefantes. 

Banner com imagem criada pela artista nova-iorquina Asher Jay, exposto na entrada da exposição “A Arte a Serviço da Fé”, no Museu Histórico Nacional

Numa época em que o mundo todo volta sua atenção para o fato de que os elefantes africanos estão sendo rapidamente exterminados em quantidades jamais vistas, o Museu Histórico Nacional dá um passo importante ao esclarecer ao público que a exposição de imagens de marfim representa a arte do passado e que não pode servir de exemplo ou incentivo para que seus visitantes adquiram peças similares. 

Esperamos que essa atitude sirva de exemplo para outras entidades no Brasil e no mundo preocupadas com meio ambiente e conservação, estejam elas relacionadas diretamente ou não a objetos de marfim, pois a preservação dos elefantes pede ação urgente de cada um de nós. 

Banner produzido em duas versões – português e inglês –  exposto na entrada da exposição “A Arte a Serviço da Fé”, no Museu Histórico Nacional, que receberá participantes da Jornada da Juventude.

O gradual desaparecimento dos elefantes africanos.

Um mapa interativo da National Geographic sobre a caça predatória por marfim.

Matar elefantes por causa do seu marfim está devastando uma espécie que já está perdendo terreno para uma crescente população humana.

A população de elefantes e sua distribuição na África diminuíram drasticamente desde 1979, em grande parte devido à caça predatória por marfim. Em 1979, estima-se que havia 1,3 milhão de elefantes no continente, distribuídos amplamente por diversos países. Em 2007, seu número já havia sido reduzido para algo entre 472 mil e 690 mil. 

Acesse aqui o mapa interativo.
A caça predatória por marfim tem eliminado com rapidez populações inteiras de elefantes que, hoje, vivem fragmentadas pelo continente. Apenas em 2012, estima-se que tenham sido mortos mais de 40 mil elefantes no continente africano (ou seja, cerca de dez por cento ou mais das populações remanescentes), para abastecer o comércio de imagens religiosas e objetos de marfim no mundo todo. 

O jornalista Bryan Christy escreveu uma impactante reportagem para a National Geographic, “Culto ao Marfim”, em outubro de 2012, em que revelava como as presas dos elefantes africanos, ainda ensanguentadas, chegavam por contrabando aos portos asiáticos e se transformavam em valiosas peças de marfim, para suprir lojas não somente na Ásia, mas em muitos países. 

Hoje, estima-se que haja menos de 400 mil elefantes na África. 






quarta-feira, 22 de maio de 2013

Elefantes se comunicam com uma sofisticada linguagem de sinais, dizem pesquisadores.

Uma reportagem da National Geographic sobre os estudos científicos de Joyce Poole, da ElephantVoices, a respeito da linguagem de sinais dos elefantes. Publicada em A Voice for Elephants / News Watch, blog da National Geographic, por Christy Ullrich, em 14 de abril de 2013.

Um elefante pode tocar sua própria face para se reafirmar e se acalmar, um dos muitos gestos que a bióloga Joyce Poole tem observado durante décadas de estudos em campo. (©ElephantVoices)

Elefantes podem usar uma variedade de movimentos e gestos discretos para se comunicarem uns com os outros, de acordo com pesquisadores que estudam esses grandes mamíferos na natureza há décadas. Para o observador humano comum, uma curvatura da tromba, um passo para trás ou uma dobra na orelha podem não significar muita coisa, mas, para um elefante – e cientistas como Joyce Poole –, esses são sinais que transmitem informações essenciais para outro elefante e para a manada como um todo. 

A bióloga e conservacionista Joyce Poole e seu marido, Petter Granli, que dirigem a ElephantVoices, uma organização sem fins lucrativos que fundaram para pesquisar e promover a conservação de elefantes em vários santuários na África, desenvolveram um banco de dados on-line decodificando centenas de gestos e sinais distintos feitos por elefantes. As posturas e movimentos ressaltam a sofisticada comunicação dos elefantes, dizem eles. Poole e Granli também decifraram o significado da comunicação acústica feita por elefantes, interpretando os diferentes roncos, bramidos, gritos, barridos e outros sons peculiares que elefantes fazem junto com posturas como o posicionamento e o abano de suas orelhas. 


Poole tem estudado elefantes na África por mais de 37 anos, mas somente começou a desenvolver o banco de dados de gestos on-line na última década. Parte de sua pesquisa e trabalho de conservação foi patrocinado pela National Geographic Society.

“Notei que, quando eu saía para campo com convidados que estavam visitando o Amboseli (Parque Nacional do Amboseli, no Quênia) e estava narrando o comportamento de elefantes, chegava ao ponto de, durante 90%  do tempo, conseguir prever o que o elefante estava prestes a fazer”, disse Poole em uma entrevista. “Se eles estavam de pé de um certo jeito,  estavam com medo e prestes a recuar, ou (de um outro jeito) estavam bravos e prestes a avançar e ameaçar outro elefante.”

No decorrer de milhares de horas de observações, Poole começou a entender e basicamente traduzir o que elefantes estavam comunicando uns para os outros. Ela foi a primeira a descobrir musth (frenesi sexual) em elefantes africanos, um estado de elevada atividade sexual e agressividade em machos, durante o qual eles exibem comportamentos característicos como os gestos classificados no banco de dados, como ondulação de orelha (ear-wave), ricocheteio-arrastamento de tromba (trunk-bounce-drag), lançamento de cabeça (head-toss), queixo para dentro (chin-in) e o distinto andar do frenesi sexual (musth-walk), uma espécie de caminhar pomposo do elefante.

Enquanto Poole trabalhava no mato, seu marido, com formação na área de comunicação, percebeu imediatamente o valor de aumentar o conhecimento do público sobre o sofisticado comportamento desses animais carismáticos e ficou ansioso para compartilhar o que eles estavam aprendendo. “Petter disse: ‘Vamos espalhar isso e fazer com que fique acessível para as pessoas’”, explicou Poole.

Poole e Granli começaram o processo de caracterizar os gestos e manifestações que eles estavam vendo em seu trabalho de campo. Criaram nove categorias abrangentes para o banco de dados de gestos: atento, agressivo, ambivalente, defensivo, integração social, mãe-cria, sexual, brincadeira e morte (já que elefantes têm um comportamento evidente em torno de companheiros mortos).

“Elefantes podem ser dramáticos e muito expressivos ou incrivelmente sutis e discretos. Depende do que está acontecendo e das dinâmicas do grupo”, disse Poole. 

Pandemônio do Acasalamento

Alguns dos comportamentos mais dramáticos são vistos na categoria sexual, em uma manifestação que os pesquisadores chamam de pandemônio do acasalamento.

“A fêmea avança apressadamente depois de acasalar e começa uma manifestação incrível em que abana as orelhas, ronca, ruge e faz o maior escândalo, fazendo com que todos se aproximem – a família toda participa”, disse Poole. “Depois ela vai até o macho e fareja seu pênis e sêmen. Ela até recolhe sêmen do chão com sua tromba e joga nela mesma, roncando e rugindo. Esse é o tipo de coisa estilo ‘dramático’, se bem que, nesse caso, serve para atrair outros machos que estão mais distantes.”

E aí ocorrem os gestos mais sutis, como a postura estática, da categoria atento, que elefantes usam quando detectam uma possível ameaça. Os roncos de elefantes contêm frequências muito baixas, algumas das quais as pessoas não podem ouvir. Elefantes podem detectar os mais poderosos desses sons a milhares de quilômetros de distância, e essas mesmas vibrações se propagam sismicamente pelo chão, por distâncias ainda maiores. Perceber esses sinais pode fazer com que um grupo todo fique estático e os elefantes se mantenham completamente imóveis, explicou Poole. 

“Pode ser que alguém fique estático primeiro no fundo do grupo”, disse Poole, “e logo em seguida todos os outros percebem os sons que nós não conseguimos ouvir e as vibrações que nós não conseguimos sentir”. Elefantes já foram observados respondendo a sons como os de outros elefantes, de veículos e de uma debandada de zebras, a mais de um quilômetro e meio de distância, assim como de trovões e terremotos distantes. Reagir de forma apropriada a esses sons é importante para a sobrevivência deles. 

Senso de Humor

Pool lembra como elefantes que estavam brincando corriam atrás de seu carro, parecendo tropeçar e cair enquanto enterravam as presas no chão (gesto presa no chão) na frente de seu veículo. “Eu costumava achar que eles realmente caíam, mas não penso mais assim!”, disse Poole. “Eu já vi isso muitas vezes, o suficiente para saber que fingir que estão caindo na frente do carro faz parte da diversão. É um dos comportamentos que me levaram a dizer que elefantes têm uma percepção de si mesmos e senso de humor. Eles sabem que são engraçados.”

A seguir, estão exemplos das nove categorias abrangentes que Joyce Poole e Petter Granli categorizaram para decodificar os gestos dos elefantes.

(Todas as imagens e vídeos têm direitos autorais da ElephantVoices e estão incluídos aqui como cortesia de Joyce Poole e Petter Granli.)

Agressivo (Espalhamento da orelha)

(©ElephantVoices)

Um elefante jovem no Parque Nacional de Gorongosa, em Moçambique, ameaça o veículo de Poole, de onde ela o observa. Ele espalha as orelhas de uma forma exagerada para intimidá-la. Tipicamente em uma pose agressiva como essa, um elefante segura sua cabeça bem acima dos ombros e, com as presas levantadas, direciona seu olhar para seu adversário. Assim como é visto na manifestação de pé com postura erguida – outro gesto agressivo descrito no banco de dados –, um elefante pode aumentar sua altura ficando em cima de um tronco ou de um formigueiro para assumir uma estatura maior, tática usada por machos quando estão checando o tamanho um do outro.

Assista a um vídeo de elefantes brincando, enquanto Joyce Poole narra e explica seus comportamentosEsse vídeo inclui alguns gestos de brincadeiras, como enterrar presas no chão, sacudida ou balanço de cabeça, brincadeira social de esfregar.



Mãe-filhote (Carinho)


(©ElephantVoices)

A relação entre uma mãe e seu filhote é de proteção, reafirmação e conforto. Mães e outros membros da família fazem carinho nos filhotes de várias formas, como enrolar a tromba na perna traseira do filhote, como pode ser visto na foto acima, no Parque Nacional de Amboseli, no Quênia. Mães também enrolam suas trombas em volta da barriga do filhote, em seus ombros e por baixo de seu pescoço, muitas vezes tocando sua boca. Geralmente elas emitem um gentil ronco enquanto fazem esses gestos de carinho

Atento (Farejo periscópico)


(©ElephantVoices)

Elefantes têm um olfato incrível. O jeito como um elefante ergue a ponta de sua tromba pode mostrar a um observador para onde sua atenção está voltada. Quando a tromba está levantada na forma de um “s”, postura chamada de farejo periscópico, o elefante está detectando odores carregados pelo vento. Esse movimento é usado quando eles querem informação adicional, como quando o elefante encontra estranhos ou percebe perigo. Um outro tipo de farejo é o farejo direcionado, em que o elefante segura sua tromba relativamente reta e aponta-a na direção de interesse. 

Defensivo (Avanço de grupo)


(©ElephantVoices)
Elefantes avançam em massa na direção do veículo de Poole em uma manobra coordenada de avanço de grupo. A primeira linha de defesa de elefantes é se juntarem, em resposta a uma ameaça que foi percebida, enquanto eles decidem que ação tomar. Na foto acima, uma velha matriarca chamada Provocadora – do grupo de elefantes Mabenzi, no Parque Nacional de Gorongosa, em Moçambique – tinha instigado o avanço de grupo. Depois, ela delegou o “trabalho sujo” para as outras fêmeas, segundo Poole. Tuskless, uma outra elefanta, liderou o ataque, com o suporte de outros 35 elefantes atrás dela. 

Sexual (Direcionamento)


(©ElephantVoices)

Quando um macho está em estado de frenesi sexual ou musth (o termo para um estado sexual elevado), como o elefante da direita na foto, e está pronto para acasalar, ele se aproxima de uma fêmea em estro (na esquerda) e começa a empurrá-la ou direcioná-la com sua testa, antes de montá-la. Essa fêmea está mantendo sua posição para indicar que ela está pronta para acasalar. Ela ativamente empurra o macho de volta, travando suas pernas. O acasalamento acontece quando o macho coloca suas pernas dianteiras nas costas da fêmea.

Morte


(©ElephantVoices)

Elefantes são empáticos e consolam, alimentam, ajudam ou tentam levantar um elefante caído ou machucado. Eles também têm um entendimento de morte e parecem prestar respeito aos mortos de sua própria espécie. Elefantes podem usar suas presas e trombas para tentar alimentar um elefante morto, ou tentar levantar ou até mesmo carregar um elefante doente, um elefante que está morrendo ou um elefante morto. 

Ambivalente (Toque de Rosto)


(©ElephantVoices)
Se um elefante está nervoso ou ambivalente em relação ao que fazer, ele (ou ela) pode iniciar o toque de rosto, tocando a própria face, boca, orelha, tromba, glândulas temporais, aparentemente para se reafirmar e se acalmar.  

Integração Social (Postura de “vamos embora”)


(©ElephantVoices)
Quando um membro da família quer ir em uma direção específica, ele fica com uma determinada postura, que Poole e Granli chamam de postura de “vamos embora”. A elefanta que inicia esse movimento ficará de pé na periferia do grupo e levantará ou balançará seu pé (gesto balanço de pé) na direção em que ela quer ir. Ela virará de propósito na direção desejada, enquanto ronca para chamar e dizer aos outros elefantes “eu quero ir nessa direção. Vamos juntos”, repetindo isto mais ou menos a cada minuto. Sua chamada persistente atrai a atenção de outros que podem, aos poucos, se mover para acompanhá-la. 

Todos os materiais de vídeo foram filmados na reserva de Maasai Mara, onde a National Geographic’s Northern European Fund está apoiando o projeto da ElephantVoices “Parceiros dos Elefantes: Conservação Através da Ciência de Cidadãos e Tecnologia da Internet” / "Elephant Partners". Neste link, saiba mais sobre o projeto Elephant Partners, em Maasai Mara, e acesse aqui a filmagem da palestra de Poole na National Geographic sobre a iniciativa.

Link para o texto original.

Saiba mais sobre a comunicação dos elefantes acessando os seguintes links:

Tradução, revisão e edição: Ruby Malzoni, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Cuidados durante o início da infância modelam o futuro dos Elefantes Africanos

Um estudo sugere que a capacidade de uma mãe elefanta de alimentar e cuidar de seu filhote tem “consequências a longo prazo” até a sua fase adulta.

Por Mark Kinver
Repórter ambiental, BBC News
Publicado em 13 de Fevereiro de 2013.


Estudo sugere que um bom começo de vida é vital para questões como, por exemplo,
o tamanho dos Elefantes Africanos.

Pesquisadores identificaram uma conexão entre a qualidade dos cuidados maternais durante os primeiros dois anos de vida de um filhote de Elefante Africano com a redução do crescimento e o atraso da maturidade.

Eles acrescentam que a projetada mudança climática e a perda de habitat poderiam ter um impacto profundo na espécie.

Detalhes dessa descoberta aparecem no periódico Biology Letters. 
“Cuidados maternais durante os primeiros dois anos de vida de fato afetam a sobrevivência de um elefante por mais de 40 anos, gerando consequências de longo prazo”, explicou a coautora Phyllis Lee, da Universidade de Stirling.

“É um problema que costumamos deixar de lado, a não ser que estejamos pensando em seres humanos: como animais respondem, a longo prazo, a eventos aparentemente pequenos que acontecem em suas vidas.”

A professora Lee e colegas da equipe internacional de pesquisadores disseram que mães inexperientes frequentemente proporcionam “cuidados inapropriados”.  

“Muitas vezes, elas não são apenas inexperientes. Se uma elefanta tem um filhote aos 10-12 anos, ela é muito pequena fisicamente e não tem estrutura física para dedicar-se ao seu filhote.Isso tem consequências imediatas porque é mais provável que os filhotes morram, mas aqueles bebês que conseguem sobreviver tendem, então, a ter uma desvantagem pelo resto de suas vidas, principalmente os filhotes machos.” 

Atraso no desenvolvimento

Essas desvantagens incluem atraso no desenvolvimento sexual e físico. 

“Isso é verdade principalmente para os machos, que se tornam adultos menores do que a média”, relatou a Professora Lee à BBC News.

“Como resultado, eles demoram mais para entrar em um estado reprodutivo, chamado frenesi sexual, e como nunca serão tão grandes quanto os outros machos da mesma idade, talvez fiquem sempre em desvantagem reprodutiva.Se você perde alguns anos de seu potencial reprodutivo e seu tempo de vida não é tão longo, isso pode diminuir drasticamente o seu sucesso reprodutivo.”

Elefantes têm uma característica incomum entre os mamíferos: continuam a crescer
por toda a sua vida, apesar de que, após a maturidade sexual, o ritmo seja mais lento.

Frenesi sexual refere-se a um período em que elefantes machos ficam com as glândulas temporais inchadas, por onde sai um fluido de cheiro forte, rico em testosterona, que escorre por suas bochechas. Durante o frenesi sexual, machos se tornam muito agressivos e sexualmente atraentes. 

Ela explicou que as fêmeas de Elefantes Africanos (Loxodonta africana) são capazes de ter filhotes desde os 10-12 anos, mas machos não atingem maturidade sexual antes dos 25-30 anos.

“A razão dessa demora é que os custos fisiológicos do estado reprodutivo são tão altos que o macho realmente tem que ser grande, forte e resistente para entrar em frenesi sexual.”

Entretanto, a Professora Lee explicou que os bem documentados fortes laços sociais que os elefantes formam com outros indivíduos do grupo proporcionam exceções para a regra. 

O que achamos que acontece é que os que sobrevivem bem, no início de suas vidas, é porque tiveram uma mãe presente no grupo ou uma matriarca com muitos conhecimentos.”

“Esses são dois fatores importantes que ajudam o bebê de uma mãe de primeira viagem a sobreviver – mães inexperientes que têm uma mãe ou avó no grupo têm muito mais vantagem do que mães sem um suporte social.”

A Professora Lee disse, ainda, que pressões induzidas por humanos, como a caça, além da projetada mudança climática e da perda de habitat, têm o potencial de mudar as relações dinâmicas entre as populações de elefantes e prejudicar a sobrevivência da espécie a longo prazo. 

“Na ausência de mortalidades induzidas por humanos, ainda temos consequências causadas por mudanças ambientais antropogênicas”, sugere ela.

“Isso significa que quanto mais períodos de seca tivermos, mais as mães de primeira viagem terão dificuldades para criar seus filhotes sem um suporte social, e portanto, nesse caso, poderemos ter uma maior propensão de perder animais no decorrer de suas vidas.” 

“Isso mudará a composição do grupo, já que você muda as estruturas de conhecimento, muda o suporte social e muda a sobrevivência de cada indivíduo naqueles grupos de laços sociais muito fortes.”


Conheça e compartilhe com seus amigos nossa campanha "Cada Presa Custa uma Vida", pelo fim do comércio de marfim.