Mostrando postagens com marcador quenia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador quenia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Hong Kong apreende marfim ilegal, chifres de rinoceronte e peles de leopardo no valor de R$12,2 milhões (US$5,3 milhões)


Foto: Associated Press
Oficiais da alfândega de Hong Kong apreenderam de um carregamento de marfim ilegal, chifres de rinoceronte e peles de leopardo valendo cerca de R$ 12,2 milhões (US$5,3 milhões), na segunda maior apreensão de produtos de espécies selvagens em um mês. 

O lote é também o mais recente de uma série de grandes apreensões de marfim durante o último ano, em Hong Kong.

Agindo com informações de oficiais da alfândega da China, autoridades de Hong Kong confiscaram cerca de 1.120 presas de marfim, 13 chifres de rinoceronte e cinco peles de leopardo, que pesaram um total de 2.266 quilos, segundo Vincent Wong, diretor da alfândega.  

Os itens foram encontrados na terça-feira, em 21 caixas escondidas em um contêiner cheio de madeira vindo na Nigéria, disse ele. Wong afirmou ainda que o carregamento mudou de navio em Xangai antes de chegar a Hong Kong, mas que não acredita que a antiga colônia britânica fosse o destino final. 

Ativistas da vida selvagem dizem que a crescente presença da China na África é a culpada pelo aumento sem precedentes da caça ilegal de elefantes para obtenção de suas presas, e acredita-se que a maior parte delas seja contrabandeada para a China e para a Tailândia, para ser transformada em enfeites de marfim. 

De acordo com a CITES, o organismo internacional que monitora as espécies ameaçadas, o comércio ilegal de marfim representa em tamanho, hoje, pelo menos o dobro do que em 2007.

O marfim pode alcançar R$ 4,6 mil (US$2 mil) por quilo no mercado negro e mais do que R$ 115 mil (US$50 mil) por uma presa inteira.

No mês passado, mais de duas toneladas de presas de elefantes valendo cerca de R$5,2 milhões (US$2,25 milhões) encontradas em um contêiner vindo do Togo foram confiscadas por oficiais da alfândega de Hong Kong, que afirmou que essa havia sido a maior apreensão desde 2010. Em janeiro, oficiais confiscaram um carregamento de marfim valendo R$3,2 milhões (US$1,4 milhão) vindo do Quênia, que se seguiu a duas outras grandes apreensões no final do ano anterior.

A demanda por chifres de rinoceronte é gerada pela crença, na Ásia, de que  curaria doenças, o que não é apoiado por evidências médicas. O chifre do rinoceronte é feito de queratina, proteína encontrada nas unhas dos humanos.

Ninguém foi preso.

Pelas leis de Hong Kong, qualquer culpado de comércio de produtos vindos de espécies ameaçadas enfrenta até dois anos de prisão e multa de até R$1,5 milhão (US$645 mil).

Link para o artigo original do The Washington Post.

Assista a vídeo da BBC sobre a apreensão de carregamento de duas
toneladas de presas de elefantes jovens em Hong Kong, em Julho de 2013.
Saiba mais sobre o comércio de marfim no Blog do Planeta, da Revista Época, e apoie nossa campanha contra o comércio de marfim - Cada Presa Custa uma Vida -, compartilhando ilustrações e informações com seus amigos.

Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.



sábado, 27 de abril de 2013

Uma Lição Sobre Sexo de Elefantes

Em meados dos anos 70, quando começou a estudar elefantes no Parque Nacional do Amboseli, no Quênia, junto com Cynthia Moss, a Dra. Joyce Poole logo descobriu que os elefantes africanos entram em períodos de frenesi sexual (musth), durante os quais seu comportamento sexual fica exacerbado, assim como sua agressividade. Aos 25 anos, Joyce publicou seu primeiro estudo científico sobre o tema, no periódico Nature. Essa foi a primeira de muitas descobertas sobre esses fascinantes e inteligentes animais. Os elefantes asiáticos também entram em períodos de frenesi sexual, e as manifestações ocorrem de modo similar.

O escritor Carl Safina conta para o Huffington Post, direto do Quênia, onde está escrevendo um livro sobre a vida dos animais, como é o acasalamento dos elefantes.


Foto: Shifra Goldenberg

Hoje, eu assisti a elefantes acasalando. Eu não sei se você já viu, mas, para mim, foi a primeira vez. 

Eu estou no Quênia, escrevendo um livro sobre a vida dos animais.

Elefantes têm um sistema de acasalamento bem diferente. Primeiro, as fêmeas vivem juntas em uma família: a matriarca, suas filhas adultas e todos os seus filhotes. Os Machos vivem em grupos separados ou vagam sozinhos. Eles não vivem em famílias.

Em geral, os machos não começam a procriar antes dos 20 anos. E uma coisa estranha acontece. Machos mais velhos e dominantes, geralmente por volta dos 30 anos, entram em um período de aumento do apetite sexual e da agressividade chamado “frenesi sexual”. Os elefantes machos em “frenesi sexual” são um pouco parecidos com os antílopes machos no estro. Mas todos os antílopes de uma mesma espécie começam a época de acasalamento ao mesmo tempo. Com os elefantes, não há como prever que os machos vão entrar em “frenesi sexual” ou quando isso vai acontecer. Machos que não estão em “frenesi sexual” podem acasalar. Mas machos em “frenesi sexual” são dominantes e agressivos, e as fêmeas os preferem.

Fêmeas amadurecem por volta dos 13 anos e, então, entram em estro por três ou quatro dias. Elas concebem quase todas as vezes que entram em estro e ficam grávidas por dois anos. Mais ou menos dois anos depois que o filhote nasce, elas entram em estro novamente, e então ficam grávidas por mais dois anos, enquanto ainda amamentam o último filhote. (Se elas têm um filhote que sobrevive, elas continuam amamentando-o até ele ter uns quatro anos.) Em outras palavras, elas estão prontas para acasalar apenas durante três ou quatro dias a cada quatro ou cinco anos.

Então, quando uma fêmea está pronta para acasalar, os machos ficam superanimados e há muita competição.

Machos em “frenesi sexual” ficam perambulando e visitando várias famílias, com um líquido escorrendo pelas glândulas que ambos os sexos têm nas têmporas. (Ambos os sexos secretam um líquido por essas glândulas quando há um aumento de tensão emocional ou qualquer tipo de excitação. acho que é como se nós tivéssemos axilas suadas na lateral do nosso rosto.) Eles também ficam constantemente pingando urina para alertar sobre o seu estado – dá para sentir o cheiro, que é parecido com o cheiro de urina de gato –, e o pênis apresenta uma cor esverdeada.

Pesquisadores só entenderam tudo isso sobre os elefantes africanos nos anos 70. Antes, eles achavam que os machos estavam doentes e chamavam aquele evento todo, que pode durar algumas semanas, de “a doença do pênis verde”.


Os machos em “frenesi sexual” andam por todo lado cheirando o ar e as manadas, à procura de fêmeas em estro. Eles vão até uma fêmea adulta e, em vez de dizerem “Qual é o seu estado?”, eles tocam a ponta de suas trombas em sua vulva, sentem o cheiro e muitas vezes colocam a tromba na boca para sentir o gosto.

Esse brusco excesso de familiaridade não perturba as damas nem um pouco, e elas lidam com essa situação com muita calma  e compreensão, andando e comendo como se nada estivesse acontecendo. Elefantes são, de várias maneiras, muito parecidos com os humanos, mas há limites para as comparações. Ou, pelo menos, para as regras de etiqueta.

Se a fêmea estiver em estro, vários machos a seguirão, acompanhada de sua família. Se um macho em “frenesi sexual” chegar, ele afasta todos os seus rivais e passa a  escoltar a fêmea em estro. Ela parecerá bem atraída pelo macho em “frenesi sexual”.

Hoje, apareceram um macho em “frenesi sexual” e vários outros machos onde estavam algumas fêmeas que eu estava observando. Duas famílias, chamadas os Zodiacs e os Rivers, estavam se misturando. Famílias que se misturam são chamadas de “grupos com laços” e são muitas vezes formadas por parentes de famílias que cresceram e se separaram durante décadas.

Bom, depois de ficar observando os machos, percebi que duas fêmeas –   Taurus Zodiac e Yangtze Rivers – estavam em estro. Eu sei o nome delas porque estou ficando no acampamento “Save the Elephants”, e a estudante de pós -graduação Shifra Goldenberg consegue reconhecer centenas de elefantes só de vista. 

Primeiro, um macho chamado Bigfoot começou a perseguir Taurus. Geralmente, o jogo é assim: se um macho adulto adequado consegue alcançar uma fêmea em estro e colocar sua tromba ao longo de suas costas,  ela para, e eles acasalam. Mas Taurus devia ter acabado de ficar em estro e não parecia estar pronta para acasalar. Ou então ela só não queria acasalar com Bigfoot. Quando Bigfoot a alcançou e colocou sua tromba em suas costas, tudo certinho, ela continuou correndo. Ele não ficou nada satisfeito e foi correndo ao lado dela, parecendo que ia cravar nela suas presas. Mas, em vez disso, ele só rugiu de frustração e parou a perseguição.

Depois, Suzuki perseguiu Taurus e recebeu exatamente a mesma resposta e o mesmo resultado.

Logo após, um macho em “frenesi sexual”, que não parece estar no banco de dados de machos que são reconhecidos, espantou esses dois machos. Havia mais ou menos uma dúzia de machos na área, e todas as fêmeas e machos estavam agitados, correndo e bramindo por todo lado. Isto se chama “pandemônio do acasalamento”.

Os meninos ficaram tão envolvidos na situação que perderam Taurus de vista, que, da última vez que a vi, estava indo rumo ao leste. Então todos eles botaram suas trombas para cima, como se elas fossem periscópios, procurando o seu cheiro.

Foi somente aí que percebi que  Yangtze também estava em estro. O macho desconhecido que estava em “frenesi sexual” alcançou-a, e ela o deixou iniciar a monta.

Todos pareceram ficar muito quietos. Os outros machos olhavam com admiração, espantados. O acasalamento durou uns dois minutos.

Depois disso, todos se acalmaram e voltaram a descansar – eles devem ter gasto muita energia correndo para cima e para baixo no calor tropical do meio do dia – e comer.

E fui embora, sabendo que essa exaltação vai se repetir sem parar pelos próximos dias. 


Link para o artigo original.

Assista ao vídeo Comportamento de elefante macho no período de frenesi sexual - Reserva Nacional de Maasai Mara, Quênia.




Tradução, revisão e edição: Ruby Malzoni, Maria Cristina Mullins, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.