quinta-feira, 22 de maio de 2014

Epidemia de rapto de bebês elefantes atinge o Sri Lanka, afirmam conservacionistas

Por:  Shreya Dasgupta 
Publicado em 21 de Maio de 2014 em mongabay.com

No Sri Lanka, um secreto crime organizado contra a vida selvagem tem sido lentamente conduzido. E um incidente ocorrido recentemente o trouxe à tona. 

Na noite de 1 de Maio, uma gangue tentou raptar um bebê elefante no Uduwalawe National Park. No entanto, alertados por moradores de vilarejos vizinhos, a polícia e oficiais da agência de proteção à vida selvagem fizeram com que o sequestro não tivesse êxito. A gangue escapou, mas não antes de ter supostamente assaltado um jornalista e levado sua fita de vídeo, com a filmagem da discussão daquela noite (assista à videorreportagem em link final deste artigo). O filhote foi encontrado no dia seguinte, perto do Parque Nacional. Mas muitos outros filhotes de elefantes sequestrados não têm tido tanta sorte assim.

Filhote de elefante confiscado pelos oficiais em Mirigama.
(Foto: Nadika Hapuarachchi)
Ambientalistas do Sri Lanka estimam que pelo menos 50-60 filhotes de elefantes tenham sido roubados da natureza desde 2011. Eles dizem que parece haver gangues altamente organizadas atendendo aos interesses de pessoas muito ricas e poderosas, com conexões com alguns políticos, oficiais da agência de vida selvagem e instituições religiosas.

Os sequestros de filhotes de elefantes têm ocorrido já há algum tempo. Apenas recentemente, entretanto, as pessoas foram impelidas a agir. Cerca de dois anos atrás, ambientalistas e ativistas do bem estar animal no Sri Lanka começaram a notar que o número de filhotes de elefantes em cativeiro era inconsistente - ele parecia aumentar, a despeito do baixíssimo número de nascimentos.

Um ano depois, um livro de registro de todos os elefantes cativos no Sri Lanka, mantido pelo Departamento de Conservação da Vida Selvagem, desapareceu misteriosamente.

“Muitos ambientalistas começaram a se mexer e a prestar atenção nisso, e descobriram que havia muitas discrepâncias entre as permissões emitidas e os elefantes que estavam sendo mantidos em cativeiro”, disse Prithiviraj Fernando, cientista no Centro de Conservação e Pesquisa do Sri Lanka, segundo o mongabay.com.

Para agravar ainda mais o suspeito processo de registro dos elefantes cativos, o Ministro da Conservação da Vida Selvagem do Sri Lanka decretou uma controversa anistia. De acordo com essa anistia, pessoas que possuam ilegalmente elefantes podem simplesmente pagar um milhão de Rúpias (U$ 7,6 mil ou R$ 16,8 mil) para legitimar sua posse. 

“Esta anistia, portanto, proporciona uma ‘carta branca’ para a captura ilegal de elefantes, e o subsequente pagamento de um milhão de Rúpias para legalizar o processo”, disse Srilal Miththapala, ativista de elefantes e da vida selvagem e ex-presidente da Associação de Hotéis do Sri Lanka. "Acho que essa controvérsia alimentou a escalada da captura ilegal de elefantes jovens nos últimos anos". 

O modo de agir das gangues parece muito especializado. Alguns especulam que esses grupos dão tranquilizantes aos bebês alvo e dão tiros para o ar para afugentar o restante da manada. De acordo com outros, esses grupos simplesmente matam a mãe para capturar o filhote.

Mas enquanto a estimativa atual de capturas ilegais é de 50-60, o número real de filhotes sequestrados da natureza pode ser muito maior.

“Capturar bebês da natureza em segredo, mantendo-os escondidos longe da floresta até que possam ser transportados clandestinamente por algum veículo, e mantê-los de modo sigiloso até que estejam subjugados, sem nenhum cuidado ou local adequado, provavelmente causa muitas mortes entre esses filhotes”, afirmou Fernando. “Portanto, na realidade, os números de elefantes roubados da natureza podem ser de 2 a 3 vezes mais altos do que o número de sobreviventes”.

E então, o que acontece com os filhotes capturados?

A venda e o aluguel de elefantes é um negócio muito lucrativo no Sri Lanka. Os filhotes capturados ilegalmente são vendidos em mercados clandestinos, frequentemente atraindo mais de 10 milhões de Rúpias (U$ 76 mil ou R$ 170 mil). E, uma vez vendidos, eles são, em sua maioria, alugados para festivais religiosos, desfiles e atividades turísticas, por cerca de 15 mil a 20 mil dólares por mês (R$ 33 mil a R$ 44 mil).

“No Sri Lanka, possuir elefantes é como ter uma Mercedes ou uma Ferrari”, disse Vimukthi Weeratunga, ativista da vida selvagem no país. “As pessoas associam a posse de elefantes a grande riqueza”. 

Perturbados com o incidente de 1 de Maio, Weeratunga e diversos outros ambientalistas se encontraram recentemente para discutir o problema. A reunião teve como foco a falta de transparência do Departamento de Conservação da Vida Selvagem, a organização das permissões e o confisco de elefantes ilegais.

Bebê elefante encontrado perto de Galgamuwa pouco antes de ser colocado em um caminhão, com as quatro patas amarradas. Graças a comunidades vigilantes nas proximidades, este bebê foi solto e se juntou à sua manada. (Foto: Vimukthi Weeratunga).
“Quando começamos a olhar para esse problema, não imaginamos que seria tão complicado”, afirmou Weeratung.”Mas logo percebemos que temos que lutar em muitas frentes diferentes, incluindo políticos. A mídia tem, seja como for, nos dado muito apoio, e o problema agora está no Parlamento”. 

A legislação de fauna e flora torna ilegal matar um elefante no Sri Lanka. Capturar ilegalmente um elefante representa uma multa de U$ 1,4 mil a U$ 4,5 mil (R$ 3 mil a R$ 10 mil) ou de dois a cinco anos de prisão, ou ambos. Porém, pessoas “influentes” continuam a proteger os envolvidos no crime organizado.

“É uma situação frustrante, onde há recursos legais adequados para se tomar atitudes contra esse problema, mas também há grandes e complexos obstáculos no atual contexto da estrutura administrativa. Acredito que a opinião pública intensiva e o debate possam criar mudanças”, disse ainda Miththapala.

O Sri Lanka sempre teve uma população de elefantes consideravelmente grande, bem como a maior densidade de elefantes asiáticos selvagens no continente. Com a crescente perda e fragmentação de habitat, humanos e elefantes estão em conflito constante, devido à invasão das plantações em busca de alimentos e à destruição de propriedades, o que resulta em mortes, tanto de humanos como de elefantes. Os raptos de filhotes de elefantes podem, simplesmente, intensificar esse conflito. 

“Atualmente, cerca de 250 elefantes morrem por ano no Sri Lanka devido ao conflito entre humanos e elefantes (HEC, ou human-elephant conflict),” afirma Fernando. “Uma quantidade adicional significativa morre de fome dentro de áreas cercadas depois de serem conduzidos até lá, e por contato com cercas elétricas em tentativas mal conduzidas de minimizar o HEC. Então, se somarmos a isso uma grande quantidade de bebês sendo removidos da natureza, isso se torna um problema de conservação dos mais importantes.”




Leia texto original em http://news.mongabay.com/2014/0521-dasgupta-elephant-calf-kidnapping.html#3bixSWJZZ1IvESmw.99

Leia também sobre a crise dos elefantes no Vietnã. 

Tradução, revisão e edição:  João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Caçadores Massacram Dúzias de Elefantes em Importante Parque Africano

O Garamba National Park está sob ataque de caçadores, possivelmente do grupo terrorista Lord's Resistance Army.

Por Bryan Christy
Publicado em 13 de maio de 2014

Patrulheiros anti-caça protegem a vida selvagem no Garamba National Park,
na República Democrática do Congo
(Fotografia de Frans Lanting, National Geographic Creative)

Um dos mais antigos parques nacionais da África anunciou nesta terça-feira que tem sido atingido por uma onda incomum de ataques por caçadores de elefantes armados. Dúzias de carcaças foram encontradas e três suspeitos foram mortos.

O Garamba National Park, um parque remoto de quase 500 mil hectares na República Democrática do Congo, soltou um alerta urgente na terça-feira, de que tem sido atacado por caçadores vindos de uma área conhecida por abrigar o grupo terrorista Lord's Resistance Army.

De acordo com o African Parks Network (APN), ONG que gerencia o Garamba, em acordo com o Instituto Congolês de Conservação da Natureza, 33 carcaças de elefantes foram descobertas até agora. A maior parte parece ser de elefantes mortos em abril, mas dez carcaças foram descobertas na sexta-feira, com as presas removidas.

A caça ilegal na África Central, a região mais instável do continente, tem sido a fonte do marfim que deixa o continente através de seus principais portos, incluindo os do Quênia, da Tanzania e do Togo.

A APN afirma que durante o final de semana suas equipes anticaça conseguiram capturar um grupo de oito caçadores, dos quais três foram mortos. Um segundo grupo de caçadores escapou. Os esforços anticaça prosseguem.

Pode-se se dizer que os ataques no Garamba adquiriram um perverso caráter sazonal. Este ataque vem exatamente dois anos depois de outro ataque significativo no Garamba, que deixou duas dúzias de elefantes mortos, e de outro incidente atribuído ao Lord's Resistance Army no ano passado.

Buracos à bala no topo das cabeças dos elefantes durante o incidente de 2012 indicaram que os animais tinham sido atingidos do ar, reforçando alegações de que eles foram mortos pelos helicópteros militares de Uganda.  

Em 2009, um ataque do LRA no Garamba deixou pelo menos oito pessoas mortas.

O Rio Garamba segue seu curso através dos pastos do
Garamba National Park (Fotografia de Nigel Pavitt, John Warburton-Lee Photography/Corbis)
Possíveis links terroristas

Em seu comunicado distribuído hoje, o chefe executivo da APN, Peter Fearnhead, escreveu: “Embora não possamos confirmar a fonte do perigo, temos razões para acreditar que a principal pressão de caça ilegal emana de uma área de densa floresta a oeste do parque - um setor de caça chamado Azande Domaine de Chasse. Azande tem sido uma base tradicional para o Lord's Resistance Army (LRA) por muitos anos, mas ainda não podemos confirmar se os ataques atuais de caça vêm do LRA, de gangues de caça sudanesas, de caçadores locais congoleses, ou de uma combinação deles. O nível extremamente elevado de caça ilegal sugere um grupo organizado ou grupos de caçadores focando seus esforços no Garamba."

Garamba é o lar de cerca de 2 mil a 3 mil elefantes, uma das maiores populações de elefantes remanescentes na África Central.  É também o lar de muitas outras espécies, incluindo hipopótamos, leões e búfalos. O parque fica na borda do Sudão do Sul, de onde grupos de caçadores armados têm aterrorizado os países vizinhos.

Saiba mais: assista à videorreportagem de Bryan Christy para a Getty Images, Marfim de Deus, e conheça as raízes e os bastidores do comércio internacional de marfim e seus efeitos sobre as populações de elefantes.

Tradução, revisão e edição:  João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Elefantes são Quase Humanos

Reproduzimos aqui um artigo muito interessante publicado originalmente em um livro de 1966, com curiosos relatos sobre o comportamento de elefantes em diversas ocasiões e em diferentes países. Os estudos científicos sobre os elefantes evoluíram bastante desde então, mas é inegável que sua inteligência, memória, astúcia, empatia, senso de humor e sociabilidade já eram reconhecidos há quase cinco décadas atrás. 

Elefantes são Quase Humanos
Por: Brian O'Brien
Publicado originalmente no livro: "Maravilhas e Mistérios do Mundo Animal" - Seleções do Reader's Digest, Rio de Janeiro, Brasil, 1966


Um elefante africano macho do tipo gigante pode pesar até sete toneladas. Suas presas são seus dentes incisivos; crescem enquanto ele vive, tornando-se pesadas demais mesmo para um animal do seu grande porte, quando não são desgastadas pelo uso.

No Parque Nacional Rainha Elizabeth, de Uganda, o Superintendente R. C Bere e eu atravessávamos uma planície, de automóvel, uma bela tarde, quando avistamos um grupo de elefantas com seus filhotes. Olhando ao redor, elas abanaram as orelhas, e foi como se não nos tivessem visto, de modo que Bere parou o carro para que eu pudesse fotografá-las. De repente, a maior de todas esticou as orelhas, sacudiu malévola a cabeça e, rugindo desafiadoramente, avançou. Deteve-se a menos de seis metros de onde estávamos.

- Por que isso? – indaguei. – Ela estava tão calma!

- Talvez se tenha zangado ao ver os carros do safari - respondeu Bere. – Pode ser também que tenha comido algo que lhe fez mal. Ou foram os mosquitos; às vezes eles enlouquecem os elefantes. Nunca se pode saber o que os elefantes farão. Eles são imprevisíveis... como as pessoas.

Bill Ryan, veterano caçador de Ker & Downey, a famosa firma de Nairóbi, no Quênia, especializada em organizar safaris, observa os elefantes há mais de quarenta anos.

- Eles imaginam coisas, como nós - disse-me. – E às vezes são mais espertos. Num dos nossos acampamentos fixos, um bando de elefantes costumava invadir a horta. Levantamos uma cerca. Atravessaram-na. Ligamos então a nova cerca ao gerador, eletrificando-a. Bastaram algumas noites para que os elefantes percebessem que, quando as nossas luzes se apagavam, a corrente deixava de passar pela cerca - e lá se foi de novo a cerca. Mantivemos o gerador ligado a noite inteira. Mas os paquidermes continuaram por ali, brincando com o fio, até que um deles descobriu que suas presas eram maus condutores de eletricidade. Acabamos tendo de colocar sentinelas armados para mantê-los afastados do campo. 

Quando as cabanas para visitantes do Parque Nacional das Quedas Murchison estavam sendo construídas em Paraa, em Uganda, os carpinteiros eram constantemente afugentados do seu serviço por um elefante de três toneladas e meia conhecido como o Prefeito de Paraa. Era como se o elefante considerasse aquela área seu domínio privado; e mesmo depois de acabadas as cabanas ele prosseguiu no patrulhamento, detendo-se gentilmente para se deixar fotografar. Uma bela noite ele farejou pombe, uma cerveja que os nativos faziam de bananas fermentadas, e arrancou o teto de uma cabana para descobrir as frutas de infusão. Não tardou que passasse a procurar bananas em todos os automóveis que chegavam a Paraa. Se era um conversível, ele rasgava a capota para alcançar as frutas; os sedans ele revistava pelas janelas, quando não erguia o carro no ar e o sacudia.

Perto de Amboseli, umas das reservas nacionais do Quênia, vivia um elefante que tinha senso de humor. Gostava de ficar de tocaia numa curva apertada do caminho até aparecer um automóvel. Então investia, as orelhas em pé, com um guincho ensurdecedor. Contentando-se com aterrorizar todas as pessoas que vinham no carro, recuava e ficava a vê-las passarem com evidente cintilar nos olhinhos marotos.

No Parque Nacional Rainha Elizabeth, onde milhares de elefantes podem ser vistos pelos visitantes em perfeita segurança, desde que obedecidos os regulamentos do parque, tive ocasião de ver uma cena de amor entre elefantes. Um dia, eu e o Superintendente Bere observávamos um bando que pastava numa encosta, sobre o Lago Eduardo, quando um belo macho ainda jovem emergiu do seu abrigo, a cerca de duzentos metros do grupo. Quase imediatamente uma fêmea se desgarrou do bando, volvendo a cabeça timidamente de um lado para o outro, enquanto caminhava ao encontro dele. Quando seus olhos se encontraram, o macho envolveu a tromba da aliá na sua, e suas cabeças se ergueram, as trombas enlaçadas, até que suas bocas se tocaram num inconfundível beijo. Depois, a elefanta começou a dar cabeçadas no macho, de brincadeira. O macho arrancou um tufo de grama com a tromba, sacudiu-o de encontro aos joelhos, para limpá-lo, e ofereceu-o à fêmea. Esta o enfiou na boca, e lá se foram os dois, os ombros se tocando, só se detendo para trocarem beijos, até desaparecerem numa moita.

- Há mais de uma semana que eles estão de namoro firme - comentou Bere. – E continuarão namorando-se até a fêmea entrar no cio. Então, numa clareira remota - porque os elefantes, como as criaturas humanas, preferem o amor na intimidade - ela corresponderá de bom grado aos galanteios.

O casal se mantém junto o dia inteiro, nas imediações do bando, e à noite se esgueira para dentro da floresta, prosseguindo no romance, até que a fêmea emprenha e perde o interesse pelo companheiro. Alguns meses depois a fêmea procura a companhia de uma elefante mais velha, que zelará por ela quando nascer o filhote; o período de gestação é de aproximadamente 21 meses. A “titia” permanece de guarda, avançando furiosamente contra quem quer que se aproxime enquanto o filhote está nascendo. O filhote pesa uns 60 quilos, e poucos minutos depois de nascer já consegue sustentar-se nas pernas ainda bambas. A dedicação dos elefantes pelos seus filhotes é, comovedoramente, quase humana. Transportam-nos quando passam por água, arrancam as vergônteas altas demais para que eles alcancem e, quando preciso, castigam-nos por desobediência.

Uma tarde eu e Bere estávamos apreciando um bando de quatro elefantas com cinco filhotes às margens do Canal Kasinga, que liga o Lago Eduardo ao Lago George. Quando um dos filhotes, pequenino e gorducho, se afastou para a margem do canal, umas das fêmeas deu um grito de advertência. O elefantezinho não lhe deu atenção, prosseguindo ao longo da margem como um meninozinho a ver quão perto da borda poderia chegar. De repente a terra cedeu sob as suas patas e, com um grito lancinante, ele caiu dentro da água.

As elefantas grunhiram, de orelhas em pé, e no mesmo instante se precipitaram para o canal, estendendo as trombas solícitas. Porém o elefantezinho, lutando para não submergir, estava aterrorizado demais para se agarrar às trombas que se lhe ofereciam. Duas das fêmeas se ajoelharam na margem, trombas no ar, enquanto as outras duas entravam cuidadosamente dentro da água. Entre aquelas, grunhindo para encorajar o filhote que espadanava, estas duas enfiaram as presas por baixo do elefantezinho e ergueram-no até que as duas da margem o puderam arrastar para a terra, pondo-o fora de perigo. Uma das fêmeas, evidentemente a mãe do elefantezinho, aconchegou-o mais para si, gorjeando e dando gritinhos estridentes enquanto o cheirava todo com a tromba, ansiosa, conservando-se ele bem juntinho a ela, encolhido, ganindo e fungando água. Depois, contente por ver que o filho nada sofrera, a mãe pespegou-lhe um tremendo golpe com a tromba e, grunhindo de raiva, pô-lo para longe da água.

Um exemplo patético de pesar materno se registrou há algum tempo no Parque Nacional das Quedas Murchison. O Superintendente do parque, o coronel C. D. Trimmer, avistou um fêmea carregando nas presas um filhote recém-nascido, que sustentava com a tromba. O filhote estava morto. Durante três dias a elefanta-mãe andou com o pequeno cadáver, só o pousando no chão para beber água. Mais tarde foi vista sem o filhote, parada ao lado de uma árvore. Ali permaneceu vários dias, sem comer e avançando para quem quer que se aproximasse. Finalmente se foi. Trimmer veio a saber depois que ela cavara uma sepultura sob a árvore, onde enterrara o filhote.

Ao que parece, quase todos os elefantes são dotados desse característico instinto protetor. Um macho envelhecido demais para alimentar-se deixará o bando, talvez por ter-se tornado demasiado vagaroso para segui-lo nas longas marchas. Um ou dois elefantes de menos idade talvez o acompanhem. Os jovens defensores o advertirão dos perigos, empurrando-o delicadamente para onde esteja abrigado, voltando sem seguida para desafiar o inimigo. Os guardiães ficam em geral com o elefante envelhecido até ele morrer, o que pode ocorrer aos 60 anos.

Os elefantes se incluem entre os melhores nadadores de todos os animais terrestres. Sabe-se de uma caravana de 79 elefantes de carga asiáticos que atravessaram trechos inundados do Ganges nos quais tiveram que nadar seis horas sem pôr os pés no fundo do rio. Os elefantes asiáticos, cujas orelhas são muito menores do que as dos seus irmãos africanos, não raro se deixam domesticar, sendo utilizados para ajudar o homem em suas tarefas.

Um elefante necessita de muito pouco sono- cerca da metade do que necessita o homem- o que aliás é bom, porque ele precisa passar a maior parte do tempo procurando alimento. Para ingerir os 800 quilos de folhas e grama que constituem sua ração diária, ele precisa alimentar-se durante as 16 horas em cada 24. Além disso, precisa também estar constantemente à procura de água, pois necessita de 100 a 180 litros por dia.

É verdade que o elefante não esquece nunca. Uma das coisas de que ele sempre se lembra é o cheiro das pessoas. Dizem os observadores que, tendo sido perseguido por caçadores, o dentuço é capaz de, com a tromba, sentir a diferença entre o cheiro de um branco e o de um negro a duas milhas de distância. Sydney Downey conta o caso de um elefante solitário que ele perseguiu durante anos, no Norte do Quênia:

- Ele se alimentava em ziguezague, desviando-se ora para a esquerda ora para a direita, mas voltando sempre à própria trilha. Ali parava, farejava a terra com a tromba e, se não sentia nenhum cheiro, prosseguia. Se sentia o cheiro de um nativo na trilha, recuava para abrigar-se e ficar à espreita até certificar-se de que estava sem segurança. Se o cheiro era de branco, pateava com estrondo, enfurecido, e partia de carreira, percorrendo 80 quilômetros ou mais em linha reta. Ele sabia que espécie de armas portam os brancos.

O coronel Bruce-Smith, conhecido colono do Quênia, sustentava que os elefantes tanto se lembram do bem que lhe fazem como dos perigos por que passam. Certa vez ele capturou um pequeno elefante que tinha uma chaga feia numa das pernas traseiras. Bruce-Smith fez com que metessem o animal num cercado de troncos grossos, estreito demais para que ele pudesse mover-se, enquanto lhe tratou a ferida. À primeira ardência do antisséptico o elefante rugiu de dor e raiva, quase libertando-se da paliçada. Mas Bruce-Smith terminou o curativo e deixou-o sossegar. Após três ou quatro curativos o elefante passou a submeter-se ao tratamento com paciência, embora tivesse de continuar confinado para que não arrancasse os pensos. Afinal foi solto. Desde então, até ser embarcado para Nairóbi, o animal corria para Bruce-Smith toda vez que o via, tomava-lhe a mão na tromba e levava-a ao ponto em que houvera a feriada agora cicatrizada.

As grandes manadas de elefantes estão sendo exterminadas. Porém, nos parques nacionais da África os visitantes ainda podem ver por si mesmos que esses imprevisíveis animais na verdade se comportam muitas vezes como as próprias pessoas que os contemplam.




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

O Custo para os Elefantes se Refrescarem

Nicola Stead, Inside JEB



Elefante africano refresca-se em uma poça de lama no
Parque Nacional de Tsavo, Quênia (Foto: ©ElephantVoices)


Durante os quentes meses de verão, não há nada como um bom e refrescante mergulho numa piscina, e parece que os elefantes concordam com isso. De fato, em algumas áreas, os elefantes raramente afastam-se da água, e até mesmo têm sido chamados - ainda que haja controvérsias - de espécies dependentes da água.



Parque Nacional de Tsavo, Quênia (Foto: ©ElephantVoices)

Mas eles serão mesmo dependentes de água? E, se forem, o que os leva a essa dependência? Robin Dunkin, uma pesquisadora da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, E.U.A., explica que, apesar de os elefantes terem numerosos truques para se refrescarem, como, por exemplo, usar suas enormes orelhas como ventiladores, algumas vezes isso simplesmente não é suficiente. “Assim que a temperatura ambiente ultrapassa a temperatura corporal, essas formas não evaporativas de perder calor realmente não funcionam mais. Eles podem verdadeiramente ganhar calor através desses mesmos truques, e então acabam tendo que contar com o resfriamento por evaporação.” Muito embora os elefantes não possam usar a evaporação do suor para se refrescarem, Dunkin descobriu que sua pele parece ser mais permeável à água do que a maioria das peles de animais. Com a ajuda de sua supervisora, Terrie Willians, ela decidiu investigar se a capacidade de eles se manterem frescos seria um fator para a sua dependência da água e, se isso fosse verdadeiro, como o excesso de elefantes numa mesma área - o que causa danos - poderia ser potencialmente controlado, através do gerenciamento da disponibilidade de água. 


Parque Nacional de Tsavo, Quênia (Foto: ©ElephantVoices)

Dunkin começou medindo a quantidade de água que os elefantes perdem por evaporação de sua pele em uma gama variada de temperaturas, desde gelados 8° C até escaldantes 33° C. Para fazer isso, ela recrutou 13 elefantes treinados - africanos e asiáticos - de três zoos das redondezas. Dunkin mediu a perda de água por evaporação passando uma corrente de ar sobre suas peles e medindo a quantidade de água no ar antes e depois disso. 



Parque Nacional de Tsavo, Quênia (Foto: ©ElephantVoices)

Dunkin descobriu que, conforme a temperatura subia, a quantidade de água perdida por evaporação a partir da pele aumentava exponencialmente. Entretanto, Dunkin explica que ar quente pode carregar mais água e que isso, por si só, pode levar a uma maior evaporação. Dunkin observou que, mesmo fazendo as correções necessárias, a evaporação cutânea total ainda era elevada, a altas temperaturas. Depois de oferecer aos elefantes um refrescante e revigorante banho de chuveiro, Dunkin viu as taxas de evaporação subirem ainda mais – presumivelmente, os elefantes estavam usando essa fonte de água adicional para aumentar o resfriamento por evaporação. Acima de tudo, Dunkin também descobriu, que durante os meses de verão, os elefantes aumentam a permeabilidade de sua pele. Colocadas todas juntas, as descobertas de Dunkin sugerem que os elefantes estão mais preocupados em usar a água para se manterem frescos do que conservá-la, e que qualquer água extra, como a proveniente de rolar na lama ou a de tomar um banho, é agradavelmente aceita. 



Parque Nacional de Tsavo, no Quênia (Foto: ©ElephantVoices)

A seguir, Dunkin usou seus dados para demonstrar o quão importante era o resfriamento por evaporação para o controle térmico de um elefante. Até mesmo em baixas temperaturas, o resfriamento por evaporação tinha uma função, mas, quando as temperaturas alcançavam 29–32°C, essa era a única opção que restava para os elefantes se refrescarem. Nessas altas temperaturas, é como se eles ficassem dependentes de água para, praticamente, qualquer resfriamento. As descobertas de Dunkin sugerem que "a dependência da água é uma ideia muito simples, e está realmente vinculada ao clima. Então, eles estão ligados à água, mas a extensão disso depende do clima". Por exemplo, Dunkin estimou que um elefante no clima subtropical da África do Sul precisaria de apenas 22l de água por dia para se refrescar, enquanto que um elefante na semiárida savana da Namíbia precisaria de quase cinco vezes essa quantidade, incorrendo um débito de água de cerca de 100l por dia. Dunkin explica: “Entendendo como o clima leva os elefantes à dependência da água, podemos tornar acessíveis estratégias de melhor manejo para reservas que enfrentem problemas de alta concentração de elefantes em uma mesma área”. Porque, no final das contas, você pode ter uma quantidade excessiva de uma coisa boa, seja ela água ou elefantes.  



Parque Nacional de Tsavo, no Quênia (Foto: ©ElephantVoices)

Referências:

• Dunkin, R. C.,

• Wilson, D.,

• Way, N.,

• Johnson, K. and

• Williams, T. M.


(2013). O clima influencia o balanço térmico e o uso da água por elefantes africanos e asiáticos: fisiologia pode oferecer prognósticos de condução da distribuição dos elefantes. J. Exp. Biol. 216, 2939-2952. (2013). Climate influences thermal balance and water use in African and Asian elephants: physiology can predict drivers of elephant distribution. J. Exp. Biol. 216, 2939-2952.

Tradução, revisão e edição:  João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.





quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Declínio dos Elefantes Vastamente Subestimado

Publicado por Trevor Jones e Katarzyna Nowak, em "A Voice for Elephants" (Uma voz para os elefantes), da National Geographic, em 16 de Dezembro de 2013.

Excrementos de abutre mancham mais uma vítima de caça ilegal em Ruaha-Rungwa, ao sul da Tanzânia (fotografia: Udzungwa Elephant Project).
No início deste mês, a mídia internacional publicou uma estimativa divulgada pela International Union for the Conservation of Nature (IUCN) de que “um quinto dos elefantes da África poderá ser eliminado nos próximos dez anos, se a taxa de caça ilegal for mantida”.

Essa é uma subestimativa prejudicial, que nivela por baixo a gravidade do atual desastre e os esforços que têm sido feitos para contornar a situação. 

Dada a vasta matança de elefantes por caçadores ilegais em busca de suas presas de marfim ao longo dos últimos cinco a dez anos e a falta de pesquisas acuradas e atualizadas das populações de elefantes em toda a África, é muito difícil fazer estimativas regionais dos números totais e projeções para o futuro, ainda mais para todo o continente.

No entanto, vamos considerar algumas sólidas informações que foram fornecidas recentemente em artigos analisados ​​por especialistas e relatórios de cientistas in loco.

Machos passeiam diante de uma câmera escondida no 
Ruaha National Park (fotografia: Udzungwa Elephant Project).
Grave Declínio

Na Tanzânia, que até recentemente abrigou o segundo maior número de elefantes de savana de todo o continente (depois de Botsuana), os resultados de um censo aéreo do ecossistema Selous realizado em outubro do ano passado acabaram de ser anunciados na 9ª Conferência Científica do Tanzania Wildlife Research Institute (TAWIRI), que aconteceu entre 4 e 6 de dezembro, em Arusha.

O ecossistema Selous (31.040km²) é a maior área protegida da África e possui a maior população de elefantes da África Oriental. No início dos anos 70, o número de elefantes foi estimado em mais de 100 mil, mas, depois da última grande crise de caça ilegal de marfim, no fim dos anos 80, a população caiu para cerca de 20 mil.

Após a proibição mundial do comércio de marfim, promulgada em 1989, a população se recuperou para cerca de 55 mil elefantes em 2007, quando a onda de matanças aumentou. Em 2009, o número de elefantes do Selous já tinha diminuído para cerca de 39 mil.

A mais recente estimativa da população é de 13.084. O resultado indica um declínio sem precedentes de quase 80% nos últimos seis anos.

Aguardamos com receio os resultados iminentes da segunda maior população da África Oriental, Ruaha-Rungwa (13.384km²), também no sul da Tanzânia, onde um grande número de carcaças frescas foi relatado na reserva de Rungwa Game e partes do Parque Nacional Ruaha.

O cenário tende a ser igualmente sombrio na Tanzânia Ocidental (Katavi-Rukwa, Ugalla, Moyowosi-Kigosi), onde pesquisas demográficas realizadas em 2009/2010 indicaram níveis de caça semelhantes ou mesmo piores do que no Selous.

Na África Central, um extenso estudo que reúne dados de pesquisa a partir de 80 locais estimou um declínio de 62% nas populações de elefantes africanos da floresta entre 2002 e 2011, e estes dados já são de dois anos atrás.

Elefantes no leito do Rio Ruaha (fotografia: Trevor Jones)

Manadas do Sul estão cada vez mais vulneráveis

A África do Sul não foi atingida tão duramente quanto o resto do continente - ainda -, mas todos os relatórios indicam que a situação está piorando.

A caça ilegal é intensa em Moçambique e agora está afetando também o Parque Nacional Kruger, na África do Sul, que é, parcialmente, uma continuação do Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique. É uma parte do transfronteiriço Peace Park.


Como a África Oriental e a África Central foram esvaziadas de seus elefantes, é razoável esperar que os responsáveis pela caça ilegal se concentrem cada vez mais sobre as populações do Sul. 

O comunicado de imprensa da IUCN foi divulgado durante o Encontro Internacional de Elefantes, realizado há algumas semanas em Gaborone, Botsuana. 

O que está acontecendo nesse país, que é extremamente importante para os elefantes, não está claro, mas o presidente Khama, em seu discurso de boas-vindas aos representantes, adotou um tom que era ao mesmo tempo comovente e mais realista do que o da IUCN: 

“Os recursos humanos e naturais da África foram pilhados e saqueados durante gerações por pessoas de terras distantes. Escravidão, pilhagem de artefatos arqueológicos, de minerais, da fauna e da flora... O continente e seu povo foram vítimas, durante muito tempo, de interesses egoístas de outros continentes. E hoje continua... Nossos marfins de elefante e chifres de rinoceronte estão indo para países onde são usados Deus sabe como! Só para satisfazer crenças obsoletas ridículas, enquanto continuamos com carcaças, como prova de que um dia possuímos estes magníficos animais.”

Números enganosos
Então no que se baseou a previsão da IUCN?
Parece ter se baseado numa combinação de análise de dados de carcaças do programa MIKE (Monitoring the Illegal Killing of Elephants) da CITES e uma estimativa da população de elefantes no continente africano apresentada pelo AfESG (African Elephant Specialist Group) da IUCN, no African Elephant Database (AED).
O banco de dados do MIKE tem como objetivo indicar níveis de caça ilegal em 42 localidades em todo o continente, com exceção de um pequeno número de áreas bem monitoradas (notavelmente Laikipia-Samburu, no Quênia), entretanto, geralmente os esforços de monitoramento e níveis reportados são inadequados, e esses dados devem ser tratados com extrema cautela. 
Enquanto que o AED coleta estimativas de populações a partir de pesquisas científicas, a maioria desses dados estão agora significativamente ultrapassados, dada a atual rapidez de declínio demonstrada no Selous e em todos os lugares.
Por exemplo, a maioria das estimativas para a Tanzania são de 2009; para Botswana, de 2006; e para o Zimbábue, Gabão, e República Democrática do Congo, são ainda mais antigas do que 2006.
A realidade é que esse banco de dados não consegue acompanhar as taxas atuais de declínio das populações.
Com base nessas informações ultrapassadas, o AfESG e a IUCN citam um número de 500 mil elefantes africanos restantes na natureza. 
Suspeitamos que a metade desse número seja mais próxima na verdade. 
Uma família de elefantes em uma poça de lama em Ruaha (fotografia: Trevor Jones)

Caindo na Realidade
O amplamente divulgado trecho da IUCN não é apenas uma grave subestimativa de quantos elefantes provavelmente perderemos nos próximos dez anos, “se os níveis atuais de caça ilegal persistirem,” mas também desvia a atenção das perdas sem precedentes de elefantes que já ocorreram durante a última década. 
Observando o método de previsão da IUCN/MIKE, temos a obrigação moral de apontar que, de acordo com as mais recentes e confiáveis informações científicas, muitas das antigas grandes populações podem ter sido 100% eliminadas nos próximos cinco anos. 
Entre as localidades que nesse prazo tão próximo poderão não ter mais elefantes estão: Zakouma, no Chade; Yankari, na Nigeria; Virunga, na República Democrática do Congo; Caprivi, na Namibia; Garamba, na República Democrática do Congo; Queen Elizabeth, em Uganda; e, agora, Selous-Mikumi, na Tanzania.
Numa era de tantas espécies ameaçadas e em declínio, todas justificadamente motivando nossa preocupação e proteção, uma previsão de perda de 20 porcento dos elefantes africanos na próxima década parece, superficialmente, relativamente insensível.
A realidade é muito pior, e o problema muito mais urgente, e declarações enganosas vindas de respeitadas organizações de conservação podem fazer retroceder os esforços de recuperar o importante apoio internacional e as ações em solo que são necessárias para que se tome uma nova direção.
Nunca é fácil saber quantos elefantes ainda restam, nem fazer previsões —e proteção e bem-estar de elefantes são muito mais do que uma questão de números. De fato, em muitos locais onde sabemos que as populações estão sendo dizimadas, não temos tempo para esperar por mais informações. Temos que, simplesmente, agir.
Na política moderna de conservação, entretanto, os números são imensamente importantes — Esperamos que o recentemente anunciado censo aéreo pan-africano, agendado para 2014, traga uma visão mais clara do que já perdemos em todo o continente. 
Mais do que tudo, temos que assegurar que a informação levada ao domínio público seja a mais real possível.
Drs. Trevor Jones e Katarzyna Nowak são diretores do Udzungwa Elephant Project, no sul da Tanzania.

Link para o texto original da National Geographic. 

Tradução, revisão e edição: Amanda Lourenço, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Minas Gerais se torna o 10º estado brasileiro a proibir animais em circos

Com a aprovação da lei estadual 21.159/2014, Minas Gerais acaba de se unir a outros nove estados brasileiros que já proíbem o uso de animais em circos - Alagoas, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. O projeto de lei aguardava aprovação há vinte anos na assembleia legislativa. 

Apoiamos todas as organizações e profissionais envolvidos nessa importante conquista e parabenizamos o Governo de Minas Gerais pela aprovação. 


Esperamos que a aprovação do projeto de lei federal 7291/2006, que visa a proibição do uso de animais em circos em todo o território nacional, siga pelo mesmo caminho e que, em breve, o Brasil possa se juntar a outros países que já aprovaram leis similares, como Colombia, El Salvador, Eslovenia, Holanda, Áustria, Bolívia, Bósnia-Herzegovina, Costa Rica, Croácia, Grécia, Israel, Paraguai, Peru e Cingapura.


Leia, abaixo, o depoimento da diretora da ElephantVoices, Dra. Joyce Poole, sobre o uso de elefantes em circos, entregue aos Deputados e ao Governador Antonio Anastasia pelo Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, na ocasião da votação e sanção do projeto. 


Depoimento da Dra. Joyce Poole sobre elefantes em circos


Elefantes resgatados de circo e de trabalho em campings de turismo 
na Tailândia em sua nova vida, no santuário Elephant Nature Park.

Quênia, 12 de Dezembro de 2013.
Aos Deputados de Minas Gerais.

Tenho estudado elefantes e trabalhado por sua conservação e bem-estar há 38 anos. Sou considerada uma especialista de ponta no campo de comportamento e conservação de elefantes. Em meu julgamento, elefantes não deveriam ser usados em circos. Elefantes na natureza caminham por grandes áreas e percorrem distâncias consideráveis ​​a cada dia. Eles são animais inteligentes, altamente sociais, com um complexo sistema de comunicação. Nenhuma situação de cativeiro pode fornecer o espaço de que os elefantes necessitam para se movimentarem ou o tipo e a complexidade de estímulos sociais que eles experimentariam na natureza. Observar uma família de elefantes na natureza é uma experiência gloriosa. Liderados pela fêmea mais velha - a matriarca - a família é ligada por laços de parentesco, filiação, experiência, grande lealdade e afeto. Elefantes em circos são confinados e acorrentados por horas, são comprados e vendidos, separados de companheiros e, com freqüência, transportados de um lado para o outro. Em resumo, eles são tratados como objetos de entretenimento para os seres humanos.

Acredito que esses animais tão inteligentes, socialmente complexos e de vida longa devam ser tratados com respeito e empatia. O lugar de um elefante é na natureza, com seus parentes e companheiros. A existência totalmente anti-natural de elefantes cativos em um circo é grotesca, e permitir que essa prática continue é injustificado e anti-ético.

Joyce H. Poole, PhD
Scientific Director, ElephantVoices

Leia o depoimento de Scott Blais, CEO do Global Sanctuary for Elephants, também encaminhado em Dezembro de 2013 a Minas Gerais.