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domingo, 22 de março de 2015

Etiópia destrói 6 toneladas de marfim apreendido

Publicado pela BBC, em 20 de Março de 2015.

A Etiópia perdeu mais de 90% de seus elefantes em três décadas.

A Etiópia destruiu todo o seu estoque de marfim apreendido, em um esforço para combater a caça ilegal.

As seis toneladas de presas, esculturas e joias foram queimadas na capital, Addis Ababa.

Este é o segundo país africano - o primeiro foi o Quênia - que queima seu estoque de marfim para desencorajar o comércio no mercado negro.

A Etiópia perdeu mais de 90% de seus elefantes desde a década de 80. Conservacionistas parabenizaram o país pela ação.

A polícia e funcionários dos parques nacionais colocaram gasolina no estoque em uma cerimônia em uma colina do Jardim Botânico Gulele, na capital.

O fogo foi aceso pelo Primeiro Ministro Demeke Mekonnen.






Mr Mekonnen descreveu o gesto simbólico como "pedra fundamental" na implementação de leis contra a caça. 

As autoridades afirmaram que nos últimos cinco anos foram presos mais de 700 suspeitos de caça e tráfico. 

Conservacionistas afirmam que a caça emergiu através da África Subsaariana nos últimos anos, com gangues matando elefantes e rinocerontes e arrancando suas presas e chifres, para suprir a crescente demanda da Ásia.

O relatório de 2014 da ONU e da Interpol estima que de 20.000 a 25.000 elefantes são mortos na África a cada ano, de uma população total de cerca de 650.000.

O vizinho Quênia queimou 15 toneladas de seu estoque no início deste mês.


A Etiópia tem cerca de 1.900 elefantes em nove regiões, afirma a African Wildlife Foundation, com base em um relatório do governo.

Entre 2011 e 2014,  conservacionistas estimam que 42 elefantes foram mortos, com mais três casos registrados em janeiro deste ano.

Dawud Mume Ali, do Ethiopian Wildlife Conservation Authority, disse à agência de notícias Reuters que 492 estrangeiros - do Oeste da África, Sudeste da Ásia e Extremo Oriente - foram presos ou multados nesses três anos.

No ano passado, líderes do Botsuana, Gabão, Chade e Tanzânia se comprometeram a honrar uma moratória de 10 anos na venda de marfim. 

Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado. 

Saiba mais sobre o comércio de marfim - recomendamos que você assista neste link a God's Ivory (Marfim de Deus), uma brilhante videorreportagem de 14 minutos de Bryan Christy para a Getty Images, legendado em Português. 


God's Ivory (Marfim de Deus)



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Uma crise silenciosa: elefantes do Vietnã à beira da extinção

Publicado por Christina Russo em “A Voice for the Elephants” (Uma Voz para os Elefantes), da National Geographic, em 5 de dezembro de 2013.


Elefantes asiáticos, como este da Tailândia fotografado por Jodi Cobb, da NGS, já circularam livremente em um território do tamanho dos Estados Unidos, mas, hoje, estão restritos a espaços fragmentados e isolados, onde são constantemente ameaçados. No Vietnã, eles estão à beira da extinção.

Os elefantes asiáticos não se beneficiam da atenção da mídia e de tantas ONGs como os elefantes africanos, que também continuam a ser abatidos ilegalmente. Por isso, as espécies do Vietnã estão desaparecendo discretamente.

Vítimas de um habitat cada vez mais fragmentado, de fracas leis ambientais, de conflitos com os homens, da exploração florestal e da caça ilegal, os elefantes do Vietnã correm risco de extinção.

De acordo com relatórios, em 1980 existiam, aproximadamente, entre 1.500 e 2.000 elefantes. Hoje, esse número pode ser de apenas 70.

“A situação é extremamente cruel”, diz Barney Long, diretor do Programa de Espécies no Fundo Mundial para a Natureza (WWF – World Wildlife Fund, em inglês). “Eles estão no limite. E vai demorar muito tempo para se recuperarem. É preciso não apenas um grande plano na mudança de conservação, mas também uma grande mudança cultural.”

Long passou muitos anos trabalhando para a WWF no Vietnã e explica que, de maneira geral, o país “não demonstrou um compromisso real com a conservação. Fizeram algumas declarações impactantes e também conseguiram criar algumas áreas de proteção, mas que ainda são pequenas demais e com uma gestão muito ineficaz”.

De acordo com Cao Thi Ly, chefe do Departamento de Recursos Florestais e Gestão do Meio Ambiente (FREM), na Universidade de Tay Nguyen, no Vietnã, elefantes vivem em oito ou nove trechos de floresta distribuídos pelo país, incluindo as fronteiras com o Laos e o Camboja.

Segundo o relatório de Ly, os poucos elefantes do Vietnã estão extremamente isolados. Em algumas províncias, como Nghe An, de seis a dez elefantes vagueiam em um pedaço de terra.

Em outras províncias, como Son La ou Lam Dong, por exemplo, há até menos: apenas um ou dois indivíduos. Seu habitat é altamente fragmentado e existem poucos corredores ligando um território ao outro, quando existem.

Biologicamente, as manadas de elefantes são quase todas compostas de fêmeas da mesma família, como explica Long: “Então, mesmo se o Vietnã conseguisse resolver o problema do espaço e da população, ainda teríamos o problema da genética. Com exceção das populações misturadas com as manadas do Laos e do Camboja, os grupos isolados são realmente grupos isolados. A longo prazo, a viabilidade genética deles deve ser questionada”.

Long acrescenta que não há, atualmente, nenhuma ONG trabalhando especialmente para salvar os elefantes selvagens do Vietnã.

Meenakshi Nagendran é bióloga especialista em vida selvagem e trabalha para o Fundo de Conservação para os Elefantes Asiáticos, do Serviço Americano de Pesca e Vida Selvagem (USFWS – U.S. Fish and Wildlife Service, em inglês). Quando perguntada se 70 elefantes seria um número viável para a população restante, ela respondeu que é possível: “Se o Vietnã tem 70 elefantes, e o país realmente protegesse seu habitat e criasse corredores, poderia haver uma recuperação da população”.  

Quantos elefantes existem?

No entanto, Nagendran acrescenta que não tem certeza se 70 é um número preciso. “Não sabemos se ainda existem realmente 70 elefantes selvagens. Há muitas incógnitas.”
Sobre o número exato, a bióloga começa dizendo que o Vietnã é como um “buraco cinza. Não um buraco negro, mas um buraco cinza”. Em seguida, afirma que, apesar de não ser confirmada, a informação que chega de ONGs é a de que haja apenas 10 ou 15 elefantes selvagens restantes no Vietnã.

Ly argumenta que coletar informações é um desafio e que “são fornecidos dados insuficientes”.

Atualmente, os elefantes estão listados como “em perigo crítico” no Red Data Book of Vietnã. O país é signatário da CITES, o que significa que “toda exportação e importação de elefantes e produtos para fins comerciais são proibidos”.

No entanto, em março de 2013, a CITES também identificou o Vietnã como um dos oito principais países envolvidos no comércio ilegal de marfim, seja como fonte, trânsito ou consumo. 

Em outubro, duas grandes apreensões de marfim aconteceram no Vietnã. Em uma delas, 2,4 toneladas de presas estavam escondidas dentro de sacos de conchas e, em ambos os casos, o marfim havia sido importado da Malásia.

Um passo positivo?

Fontes oficiais da província de Dong Nai anunciaram recentemente um fundo de emergência de 3,5 milhões de dólares para ajudar na proteção dos elefantes e no reforço do cumprimento da lei na região.

“Esta é uma iniciativa fantástica”, diz Long. “Pode se tornar um grande exemplo e deve ser aplaudida.”

De acordo com Long, nove elefantes foram mortos na província nos últimos anos. “Há desmatamento nessa área. Existe plantação de café e de caju e também diversos conflitos entre humanos e elefantes.”

Para que o programa de Dong Nai funcione, Long acredita que o projeto deveria ser integrado aos departamentos governamentais da província, inclusive à polícia.

“Esta é a área onde o último rinoceronte de Java no Vietnã foi alvejado e morto, sem que nenhuma prisão tenha sido feita. Então, quando falam sobre o fortalecimento da aplicação da lei, eles realmente não têm um bom histórico sobre o assunto”, explica o diretor.

Crueldade no cativeiro

Segundo o relatório de Ly, o Vietnã tem 81 elefantes cativos, quase todos explorados para entretenimento, como circos, zoológicos e acampamentos turísticos. É comum esses animais estarem sobrecarregados e desnutridos.

De acordo com uma reportagem, os elefantes, depois de trabalharem o dia todo e passarem a noite acorrentados, “ganham apenas algumas varas de cana-de-açúcar ou bananeira” para se alimentarem.

A pesquisa de Ly aponta que os animais, muitas vezes, “não têm cuidado veterinário e serviços de saúde apropriados”.

As condições dos animais em cativeiro refletem uma atitude de laissez-faire (“deixe estar”) sobre elefantes. “Não há uma ética de conservação real”, diz Long. “Ter elefantes na floresta não é algo que inspire orgulho ou senso de responsabilidade.”

No início deste ano, uma elefanta de 63 anos de idade morreu por excesso de trabalho depois de ter sido “forçada a transportar turistas em suas costas durante anos”.

Em 2011, um elefante de 38 anos foi encontrado morto em um acampamento turístico, amarrado a uma árvore com seus tendões cortados. Mais tarde, a mídia informou que o dono do elefante e seu cuidador foram detidos pelo assassinato. A venda do marfim parece ter sido um fator de motivação.

Por que elefantes asiáticos estão em perigo

Um relatório do USFWS de 2008 citou uma série de causas para a crise que os elefantes enfrentam não só no Vietnã, mas em outras partes da Ásia: a falta de compreensão da biologia do elefante, a falta de esforços para uma conservação específica e apropriada, políticas governamentais e leis fracas, má aplicação da legislação em vigor e uma “falta de vontade política para a conservação dos elefantes em todos os níveis de governo”.

O relatório também observou que “a estimativa da população global de elefantes asiáticos, calculada diversas vezes em cerca de 30.000, 40.000 ou 50.000 indivíduos, na realidade não passa de um palpite, permanecendo inalterada durante 25 anos, apesar da grande perda de habitat dos elefantes durante esse período”.

Meenakshi Nagendran, do USFWS, afirma sem rodeios que nós, seres humanos, somos os culpados: “É incrível ainda termos tigres, rinocerontes e elefantes (na Ásia). Mas ninguém aborda a questão da população humana. Esse é o ponto delicado”.

A caça novamente em alta

Enquanto elefantes africanos de ambos os sexos têm presas, na espécie asiática apenas os machos têm.

"Durante a crise da caça ilegal, há uns 20, 30 anos, a maioria dos grandes elefantes da Ásia foi perdida. Agora as pessoas estão vendo a nova geração crescendo com presas, e isso acaba gerando um aumento da caça ilegal”, explica Barney Long.

“Ninguém fala sobre a caça ilegal na Ásia como falam sobre a África e, no entanto, na Ásia, provavelmente o impacto é ainda maior, já que quanto mais machos desaparecem, menor é a viabilidade genética.”

De acordo com Longo, os elefantes do Vietnã estão enfrentando uma “crise silenciosa”.

Seu prognóstico é sombrio: “O Vietnã provavelmente será o primeiro país da Ásia a perder seus elefantes selvagens”.

Tradução, revisão e edição: Amanda Lourenço, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

Link para o texto original da National Geographic.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ou a venda de marfim para agora ou os elefantes da África estarão extintos em breve, diz Jane Goodall

Obrigado, Jane Goodall, por levantar sua forte voz contra o mercado de marfim e a matança dos elefantes. Obrigado por se juntar a nós no apelo por uma proibição total do mercado de marfim e por pedir que a China seja responsabilizada.

A conservacionista acusa a China de insuflar a caça ilegal, enquanto presas são contrabandeadas em malas diplomáticas.

Por John Vidal - The Guardian 
Publicado em 16 de dezembro de 2012

Elefantes na Reserva de Maasai Mara, no Quênia. 
Fotografia: Anup Shah/ Anup Shah/Corbis

Jane Goodall, uma das maiores conservacionistas do mundo, fez um apelo arrebatado a favor da proibição mundial da venda de marfim, a fim de evitar a extinção do elefante Africano.

O apelo foi feito após a apreensão de 24 toneladas de marfim ilegal na Malásia, na semana passada, e um relatório de conservacionistas advertir que o comércio ilegal de marfim agora ameaça governos porque grupos rebeldes usam as presas de elefantes para financiar suas guerras.

“Uma grande tragédia está acontecendo em algumas partes da África. Isso é desesperadamente sério, sem precedentes”, disse ela. “Acreditamos que a Tanzânia tenha perdido metade de seus elefantes nos últimos três anos. Aviões militares de Uganda foram vistos na República Democrática do Congo atirando, do ar, nos elefantes. Agora, milícias armadas estão atirando nos elefantes.”

Ela acusou a China de ser essencialmente responsável, porque é para lá que a maioria do marfim vai, para ser transformado em ornamentos. “Os mercados principais são a China e o oriente. Parece que o marfim está sendo contrabandeado nas malas dos diplomatas chineses ou em aviões não registrados, ou ainda através da fronteira, para a República Democrática do Congo. Gangues armadas e guardas florestais estão se unindo no contrabando ou sendo mortos. Temo estarmos perdendo a batalha em alguns países. É chocante”, disse ela.

O aumento da presença chinesa na África está relacionado ao crescimento sem precedentes da caça ilegal. A descoberta, por oficiais alfandegários da Malásia, de 1.500 presas, na semana passada, escondidas em compartimentos secretos dentro de 10 contêineres que supostamente carregavam pisos de madeira foi a maior apreensão já vista, equivalendo a todo o marfim ilegal apreendido no ano passado.


Os contêineres estavam indo do Togo para a China, via Espanha. O Togo é o destino popular do contrabando feito por gangues armadas. Essa apreensão veio após a descoberta de 1.000 presas de marfim em Hong Kong, e de 200 presas na própria Tanzânia.

Goodall, que ficou famosa por seu trabalho como primatologista, estudando chimpanzés na África, comparou a deterioração da situação dos elefantes com o declínio drástico das populações de primatas nos últimos 40 anos. “ Estamos testemunhando a devastação de populações de elefantes em vários países. É uma  situação similar à dos grandes primatas. Todo mundo deveria estar preocupado. Estamos lutando por uma total proibição da venda do marfim.”

Ela vai fazer uma campanha, junto com David Attenborough, para persuadir a ONU a proibir a venda do marfim. “O mundo precisa acordar. Governos precisam apertar o cerco. Ninguém, em lugar nenhum, deve comprar marfim. Países têm que ser ajudados no esforço de controle da caça ilegal,” disse Goodall.

Um relatório entregue à ONU, na semana passada, pela WWF Internacional, adverte que o comércio ilegal de marfim ameaça governos, uma vez que grupos rebeldes usam a venda para financiar suas guerras. “A situação ultrapassa a questão da vida selvagem. Essa crise está ameaçando a estabilidade de governos. É uma ameaça à segurança nacional”, disse Jim Leape, diretor -geral da WWF Internacional.

Em alguns países a caça ilegal está fora de controle. No sul do Sudão, a população de elefantes, estimada em 130.000 em 1986, caiu para 5.000, disse Paul Elkan, diretor da Wildlife Conservation Society. “Com esses níveis de caça ilegal, daqui a cinco anos eles não existirão mais. Até as forças de segurança estão envolvidas no tráfico”, disse ele.

Conservacionistas acusam as autoridades da Tanzânia de não controlarem a caça ilegal e o tráfico. “Um enorme massacre de elefantes está ocorrendo na Tanzânia, agora. Está fora de controle”, disse Iain Douglas-Hamilton, conservacionista veterano. “Não há proteção para os elefantes, assim como não houve para os bisões na América, no século passado, quando foram exterminados. As pessoas então não devem se enganar.”

A Tanzânia, com 70.000 - 80.000 elefantes em 2009, tem perto de um quarto dos elefantes de toda a África. Mas Peter Msigwa, um parlamentar da Tanzânia, disse, na semana passada, que a caça ilegal está “fora de controle”, com uma média de 30 elefantes sendo mortos por dia, por causa do marfim.

“No fim do ano, são 10.000 elefantes mortos”, disse James Lembeli, dirigente da comissão dos recursos naturais da Tanzânia. “Em locais onde este país tem elefantes, há carcaças por todos os lados”, disse ele.

No Ano passado, a polícia da Tanzânia apreendeu mais de 1.000 presas de elefantes escondidas em sacos de peixe salgado, no porto de Zanzibar.
 

Em junho, a Convenção do Comércio Internacional de Espécies em Extinção (CITES) descreveu a difícil situação dos elefantes da África como “crítica” e disse que a caça ilegal atingiu o maior índice da década, com milhares de elefantes mortos por ano por causa de suas presas. 


Marfim sangrento - um massacre fora de controle

Por: ElephantVoices

Os fatos que marcaram 2012 já foram vistos antes por Joyce Poole, da ElephantVoices. É o retorno de um pesadelo. No final dos anos 80, quando os elefantes estavam sendo massacrados em uma quantidade sem precedentes, ela conduziu pesquisas sobre as populações de elefantes africanos para documentar o impacto que a caça ilegal estava causando em sua reprodução e comportamento social. Joyce ajudou a escrever a proposta que culminou na proibição do comércio internacional de marfim, em 1989. Nos 17 anos que se seguiram, ela assistiu à recuperação das populações de elefantes, tanto em termos numéricos como sociais. Isso durou até 2007, quando o organismo internacional que regulamenta o comércio de espécies ameaçadas, a CITES, permitiu a exportação de marfim por cinco países do sul da África, incluindo a China como parceiro comercial. 


Então, assistimos ao inevitável: o inferno começou a aflorar. Em 2010, expressamos nossa grave preocupação em um documento publicado na Revista Science e demos uma palestra na CoP15, em Doha, Qatar, nos posicionando contra qualquer nova venda. Na ocasião, as autoridades não concordaram com nossa preocupação. Mas agora foi diferente. Com a matança totalmente fora de controle, as Nações Unidas afirmaram recentemente que a matança de elefantes é uma ameaça à segurança global.


No ecossistema de Maasai Mara, onde trabalhamos, os elefantes estão parcialmente protegidos pela presença de turistas. Mas apenas nos primeiros três meses de 2012, 42 elefantes foram mortos ilegalmente ali.  No segundo semestre de 2012, nossa adorada “Goodness” (“Bondade”, cujo nome foi dado por Derrick Nabaala devido à sua natureza gentil) foi morta por possuir longas e assimétricas presas, deixando para trás sua jovem filha, f0361, e outros filhos (veja o álbum de fotografias de Goodness no facebook). No final de Agosto, encontramos f0361 parada sozinha sob uma árvore, desolada. Uma família de cinco membros foi reduzida a apenas um, pelo assassinato da matriarca, por causa de suas presas. A morte dos dependentes - filhotes de até 10 anos de idade - é o custo não revelado do mercado de marfim. O marfim é dentina, dente que pertence aos elefantes, não ao aparador da lareira.


Goodness, matriarca morta por possuir grandes e assimétricas presas, fotografada com sua família
no ecossistema de Maasai Mara, no Quênia (Foto: ElephantVoices)

Graças a uma combinação de vozes protestando e ao trabalho duro de muitas pessoas no mundo todo, a informação está, finalmente, sendo transmitida. O artigo “Culto ao Marfim”, da National Geographic, alarmou a opinião pública, em outubro de 2012. Em dezembro, foi a vez de Jane Goodall levantar sua forte voz contra o mercado de marfim e a matança dos elefantes.


A declaração de Jane chega na hora certa, enquanto muitos de nós estão se preparando para uma grande batalha na CoP 16 da CITES, em Bangcoc, em Março de 2013. Esperamos que a China perceba que é de seu interesse policiar seu crescente mercado de marfim, a indústria de entalhe e seus nocivos compatriotas na África. É hora de entrar na batalha para parar a matança dos elefantes. A China tem muito a perder e pouco a ganhar,  se não fizer isso. Apoiadores do mercado de marfim, atenção ao que está escrito na parede: “O mundo quer elefantes e não um estoque de marfim!”. Obrigado, Jane Goodall, por se juntar a nós no apelo por uma proibição total do mercado de marfim e por pedir que a China seja responsabilizada. 

Saiba mais sobre nosso trabalho na Reserva de Maasai Mara, no Quênia.


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