sábado, 28 de janeiro de 2012

Duas brasileiras unidas pelos elefantes

Por Ana Zinger

Conheci a Junia através do Facebook. Ao passear pelos seus álbuns fotográficos, percebi que ela havia visitado o país que mudou minha vida, o Quênia.

Compartilhávamos a mesma paixão pela África. Estávamos em Paris na mesma época e nos conhecemos tête-à-tête no Café de Flore, em Saint-Germain-des-Prés. Descobrimos que éramos irmãs, com uma mesma paixão pelos animais e pela África. Ela me contou de seu envolvimento com uma organização internacional chamada ElephantVoices, que a estava ajudando a organizar corretamente dados para documentar o sofrimento de uma elefante chamada Terezita, mantida em cativeiro no zoológico de São Paulo. No final da conversa, resolvemos ir à África juntas.

Junia e Ana: duas brasileiras unidas pelos elefantes.

Decidimos formar uma equipe brasileira vinculada à organização ElephantVoices, que tem como fundadores a Dra. Joyce Poole e seu marido Petter Granli, dois cientistas renomados no estudo dos elefantes. Nosso objetivo é educar e conscientizar as pessoas a respeito desses seres, além de ajudar elefantes que sofrem em cativeiro, tentando criar santuários para abrigá-los.

Conheci a Dra. Joyce em especiais da National Geographic e, depois, através de seu envolvimento em vários livros que li sobre o Quênia. Dentre eles, Wildlife Wars, que discorre sobre a formação do serviço de proteção à vida selvagem do Quênia, o Kenya Wildlife Service, criado pelo Dr. Richard Leakey. Dados levantados por Joyce em 1989 mostraram que a matança dos elefantes por causa do marfim estava destruindo a complexa teia social da espécie. Esses dados foram usados por Leakey e Poole em uma campanha bem-sucedida que baniu o comércio internacional de marfim.

Finalmente, em outubro de 2011, realizamos nosso desejo e conseguimos viajar para o Quênia juntas. Com o intuito de aprimorar nossas habilidades fotográficas em um safári de imagens na Reserva Nacional Maasai Mara e, o mais importante, encontrar o casal Joyce e Petter, em uma área de conservação chamada Mara Naboisho, fomos para a Reserva e, depois, rumamos em direção à fronteira nordeste do Mara.



Joyce Poole, Ana Zinger, Junia Machado e Petter Granli em Mara Naboisho Conservancy, no Quênia.

A Reserva Maasai Mara tem 1.510 km² e fica no sudoeste do Quênia. É nesse parque que acontece um dos mais belos espetáculos naturais do mundo, a grande migração, em que mais de um milhão de gnus, acompanhados de zebras e gazelas, se dirigem às planícies do Serengeti, na Tanzânia, à procura de água e pasto fresco.

Em Mara Naboisho, encontramos a dra. Joyce e Petter lançando um projeto chamado Elephant Partners, Parceiros dos Elefantes. Seu objetivo é desenvolver um modelo de monitoramento e proteção dos elefantes. O conceito é conectar pessoas – guias, escoteiros, pesquisadores, fotógrafos, turistas, comunidades ao redor do Maasai Mara –, enfim, todos os que se importam com cada elefante. Através do uso da internet e das mídias sociais e educacionais, a intenção é compartilhar o conhecimento comunitário sobre os elefantes do Mara e, assim, protegê-los. Também encontramos pessoas locais que conhecem e trabalham com a Joyce e o Petter e foi maravilhoso ver o entusiasmo delas nas discussões sobre como monitorar e proteger os elefantes e outros animais selvagens! Joyce e Petter nos contaram que visitantes do mundo inteiro também estão fazendo uploads de observações e mandando fotos para a ElephantVoices.



Joyce Poole faz upload de informações para o banco de dados da ElephantVoices
(© Ana Zinger and ElephantVoices)


Para isso, foi criado um aplicativo para celulares com sistema Android, que coleta e faz upload de informações sobre os elefantes, individualmente. O Mara EleApp é um aplicativo customizado criado pela ElephantVoices para coletar e fazer upload das observações sobre os elefantes do Mara. A versão atual foi feita para celulares Android - Samsung, Google, HTC, Sony Ericsson, Motorola & LG, que são algumas marcas que utilizam a plataforma Android.

Essas informações são enviadas para um banco de dados na página "Quem é quem" do site da  ElephantVoices. Essa página contém informações de dezenas de elefantes e foi criada com a análise de fotografias de elefantes e com a codificação de características de cada indivíduo. Para quem não tem um Androide, uma simples fotografia dá conta do recado. Se a câmera tiver GPS, melhor ainda.


M0140, um lindo macho adulto de 43 anos, em Mara Naboisho Conservancy, Quênia (© Ana Zinger and ElephantVoices)

Ficha de identificação do m0140 no banco de dados "Quem é quem"

Este foi nosso aprendizado, meu e de Junia. Tiramos centenas de fotografias dos elefantes que encontramos no Mara e em Naboisho. Como a Joyce nos explicou, identificar elefantes não é difícil, mas é necessário usar nossa capacidade de observação e ter um pouco de prática. Os elefantes podem ser reconhecidos por diversas características: sexo; tamanho do corpo; feitio, comprimento e configuração das presas; tamanho e formato das orelhas; padrões dos sistemas de veias; cortes, rasgos e furos nas orelhas. O site da Elephant Voices descreve isso detalhadamente.

Fascinante! Assistimos à palestra dada por Joyce e Petter sobre o projeto para voluntários do African Impact.


Joyce e Petter ministram palestra para voluntários da African Impact (© Ana Zinger and ElephantVoices)

Saímos também à procura de elefantes com nossos dois novos amigos.

Petter procurando elefantes (© Ana Zinger and ElephantVoices)

É uma alegria ver aquela pequena e ágil mulher sair pela janela do jipe e subir na capota, munida de um binóculo, tentando localizar elefantes como se fosse uma brincadeira de criança.

 Joyce e Petter localizam um grupo de elefantes (© Ana Zinger and ElephantVoices)

Alegria maior é, ao achá-los, colocar em prática o que aprendemos sobre reconhecimento de indivíduos e ouvir a história de alguns desses elefantes contada pela cientista.

 Encontramos Goodness, uma das elefantes conhecidas pela Joyce  
(© Ana Zinger and ElephantVoices)

A dádiva maior nos foi concedida na nossa penúltima manhã em Naboisho. Junia e eu, acompanhadas unicamente pela Dra. Joyce, saímos à procura de uma família de elefantes avistada no fim do dia anterior por alguns "askaris", os guerreiros Maasais. Petter ficou no acampamento para dar uns últimos retoques no aplicativo EleApp. Encontramos a família procurada, mas, de repente, nos vimos cercadas por oitenta e cinco elefantes! Estávamos no centro de um reencontro de diversas famílias! Grupos de elefantes foram chegando ao local vindos de todas as direções! Cumprimentavam-se com as trombas, trombeteavam e emitiam sons graves.

O encontro: dois elefantes se cumprimentam 
(© Junia Machado and ElephantVoices)
 
Obrigada à Dra. Joyce, ao Petter e aos elefantes da África por nos proporcionar esta aventura inesquecível.

Tomei conhecimento, nessa viagem, de que a população de elefantes africanos está correndo um sério risco de extinção. Cerca de quatro elefantes são mortos por semana no Quênia por causa de seu marfim. Se a matança continuar neste ritmo, o espetáculo que presenciamos em breve poderá não existir. Mas todos nós podemos ajudar, divulgando informações para que pessoas de todos os cantos do mundo colaborem com a preservação dos elefantes e lutem contra o comércio ilegal de marfim. 

 
Encontro de 85 elefantes em Mara Naboisho (© Ana Zinger and ElephantVoices)

Colaboração: Haroldo Castro, Teca Franco, Cristina Mullins, Junia Machado e Petter Granli.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

2011: número recorde de elefantes mortos para abastecimento do mercado ilegal de marfim

Foi um ano triste e ruim para todos aqueles que têm acompanhado de perto a escalada da caça ilegal entre muitas populações de elefantes. Notícias de elefantes abatidos e carregamentos de marfim apreendidos foram manchete com frequência durante o ano. Educação e reforço das leis na Ásia são vitais para reduzir as mortes e o trauma. A pobreza e a corrupção nos países em que vivem os elefantes também não colaboram. A China pode assumir a liderança na luta contra a explosão da caça ilegal - se quiser. Será que fará isso?

Leia a notícia completa no Estadão e assista à reportagem da BBC.


Família de elefantes em Naboisho Conservancy, Quênia (© Junia Machado and ElephantVoices)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Escolha seu elefante do Mara para 2012!

Com fotografias dos elefantes de Maasai Mara, no Quênia, feitas por pessoas do mundo todo, chegamos a 750 elefantes adultos descritos e registrados em um banco de dados on-line e disponível para pesquisas: o “Mara Elephants Who’s Who” (ou “Quem é quem entre os elefantes de Maasai Mara”). Esse banco de dados é uma das ferramentas do projeto Elephant Partners.

Através desse projeto, cada elefante de Maasai Mara é registrado com um código numérico. Agora você pode contribuir com o Elephant Partners e com a proteção dos elefantes de Maasai Mara dando nome a um elefante.

Nomear elefantes ajuda as pessoas a saberem quem é quem e cria laços emocionais com eles. Dando possibilidade às pessoas de nomeá-los, esperamos reunir uma comunidade que se importa com os elefantes de Maasai Mara  - formada por pessoas que moram em Maasai Mara e contribuem com seu monitoramento e proteção, e outras que vivem em lugares distantes, cujas importantes doações dão suporte ao projeto.


Pessoas não residentes em Maasai Mara: com uma doação de U$ 500,00 para o projeto, você pode dar um nome a um elefante. Programas educacionais - incluindo bolsas de estudos em escolas locais, que darão suporte aos objetivos do Elephant Partners - serão a mais alta prioridade na destinação desses recursos.

Para nomear um elefante, você deve olhar o database “Mara Elephants Who is Who” (“Quem é quem entre os elefantes de Maasai Mara”) e escolher um elefante que ainda não tenha sido nomeado. Clique em “I’d like to name this elephant” (“Gostaria de nomear este elefante”), na ficha de identificação do mesmo. Você receberá um e-mail de aprovação do nome escolhido e um link para completar o processo e fazer sua doação, que será processada de modo seguro por PayPal e irá diretamente para a iniciativa Elephant Partners.

Seu nome aparecerá no banco de dados, junto com o nome do elefante que você nomeou. E você poderá seguir “seu” elefante, checando frequentemente as observações visíveis em seu cartão de identificação, inserindo seu nome ou código, através das atualizações e observações postadas na ElephantVoices e no Elephant Partners do Facebook. 

A ElephantVoices tem o direito de aprovar ou declinar qualquer nome sugerido (por exemplo, se já existir). Nesse caso, você pode escolher e sugerir outro nome. A ElephantVoices não permitirá acesso a seus dados pessoais por parte de terceiros.

Kerstin Bucher, da Alemanha, foi uma das primeiras pessoas a nomear um dos elefantes de Maasai Mara: Sian. Participe também dessa iniciativa pela conservação dos elefantes de Maasai Mara, nomendo um elefante para a entrada de 2012! 

Saiba mais sobre o trabalho da ElephantVoices em 2011 em nossa eNewsletter de final de ano.

Em nome da Joyce e do Petter, diretores da ElephantVoices, desejamos paz e os  melhores votos a todas as criaturas, pequenas e grandes, em 2012!

Junia, Ana, Cris, Teca, Tiago, Mayara, Andrea, Leo, Tici e colaboradores da ElephantVoices no Brasil.



terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Elefantes têm Vida Longa

Elefantes são mamíferos que crescem devagar e vivem cerca de 70 anos, na natureza. A longevidade de um indivíduo e seu sucesso reprodutivo caminham juntos. Fêmeas mais velhas têm mais êxito em criar seus filhotes do que as fêmeas mais jovens, e machos mais velhos são os reprodutores principais.

Mr. Nick, elefante do Parque Nacional do Amboseli, nascido em 1957 (©ElephantVoices)

Esses indivíduos mais velhos e mais experientes são frequentemente alvos de caçadores de marfim e daqueles que praticam a caça esportiva, por causa de suas presas, que são geralmente maiores, e a perda desses indivíduos pode ter sérias consequências. Elefantes dependem de membros mais velhos para que possam adquirir conhecimento social e ecológico, assim como habilidades de liderança, e famílias inteiras e até mesmo populações podem ser prejudicadas pela perda de alguns poucos indivíduos-chave.

Fêmeas mais velhas são repositórios de conhecimento social

Ao longo de sua vida, o elefante precisa se adaptar constantemente a flutuações ambientais e a mudanças no seu mundo social. A aquisição e retenção de conhecimento ao longo da vida parece ser essencial para a sobrevivência de um indivíduo e para seu sucesso reprodutivo, assim como para o desenvolvimento da complexidade social e da comunicação do elefante. A longevidade também proporciona um ambiente que permite o desenvolvimento de fortes laços entre indivíduos de uma família.

Elefantes fêmeas passam suas vidas cercadas de outras famílias e são envolvidas em vários níveis de relacionamentos competitivos e colaborativos. Durante suas longas vidas, elefantes percorrem grandes distâncias, comem uma enorme variedade de plantas, interagem com um vasto número de outros elefantes e ganham muitas experiências valiosas. O avanço da idade entre as fêmeas está associado a um aumento de conhecimento social e ecológico e a habilidades discriminatórias. Fêmeas idosas mantêm seu lugar como líderes ou matriarcas de sua família na estrutura social feminina. Assim, fêmeas mais velhas são repositórios de conhecimento social e ecológico, influindo na sobrevivência e no sucesso de suas famílias.

Grace, matriarca do Parque Nacional do Amboseli, no Quênia, nascida em 1950 (©ElephantVoices)

Elefantes parecem confiar no melhor discernimento das fêmeas mais velhas: filhotes de fêmeas jovens passam um tempo significativo na companhia de suas avós; membros da família correm para as fêmeas mais idosas, em caso de perigo real; e grupos liderados por jovens matriarcas procuram se associar a famílias com líderes mais velhas.

Uma vida longa e uma maturação lenta estão correlacionadas e são como que pré-condições necessárias ao desenvolvimento da complexidade social e de um cérebro grande. Com um grande e complexo cérebro e uma boa memória, experiências aprendidas e complexidade social se multiplicam durante a longa vida dos elefantes. Fêmeas idosas, com um maior conhecimento social e ecológico, têm papéis sociais diferentes das fêmeas mais jovens. O aprendizado que sustenta a transmissão de tradições culturais ocorre no contexto de sucessivas gerações de animais que passam a maior parte de seu tempo juntos.

A longevidade é a chave do sucesso reprodutivo

O sucesso reprodutivo está diretamente relacionado à longevidade. Machos chegam ao auge da reprodução entre 40 e 55 anos de idade e continuam sexualmente ativos aos 60 anos, tendo o mesmo número de filhotes de um macho de 40 anos de idade.

Machos precisam de tamanho, força e experiência para acasalar com sucesso. A cópula é bastante complicada para os machos, e montar a fêmea é uma atividade que requer experiência. Um macho deve aprender a técnica apropriada, para poder manipular um pênis comprido, curvo e móvel. O trato reprodutivo da fêmea também é longo e curvo, e um macho precisa primeiramente montar a fêmea e depois posicionar seu pênis corretamente enquanto a fêmea se mantém imóvel. Fêmeas preferem machos mais velhos e frequentemente recusam os mais jovens. Além disso, machos jovens têm pênis bem mais curtos, e o tamanho do pênis é provavelmente um impedimento a mais para que esses machos consigam fecundar as fêmeas com sucesso.

Adicionalmente, o posto ocupado por machos que não se encontram no cio é determinado por força e tamanho. Um macho de 15 anos pesa a metade de um macho de 40. Machos grandes frequentemente desbancam os jovens quando estão competindo por uma fêmea no cio. Se um macho jovem tem a sorte de montar uma fêmea, provavelmente ele será forçado a desmontar ou será empurrado! Machos no cio ocupam um posto superior a todos os que não estão e, por esta razão, conseguem um número maior de acasalamentos. Machos jovens precisam equilibrar a energia  para o seu crescimento com os recursos necessários para sustentar períodos de cio. Machos mais velhos têm a vantagem de não estarem crescendo tanto como os jovens e, portanto, podem direcionar mais energia em períodos de cio mais longos. Machos jovens são desbancados pelos mais velhos. Eles têm menos e menores períodos de cio, e tais períodos acontecem em épocas em que poucas fêmeas entram no cio.

Machos só começam a reproduzir regularmente aos 40 anos, idade em que 75% dos machos já morreram. A idade avançada está associada a corpos mais avantajados, maior massa corporal e experiência. Machos mais velhos no cio são pais de três quartos dos filhotes. A longevidade dá suporte tanto à manutenção da estratégia do cio quanto ao completo sucesso reprodutivo dos machos.

Machos que chegam a uma idade avançada ocupam um posto muito superior ao de outros e, quando no cio, geram muitos filhotes e passam seus genes para gerações futuras. Dionysus, por exemplo, foi um macho de Amboseli que morreu aos 63 anos de idade. Ele era incomum porque foi um dos poucos machos a escapar da matança epidêmica dos anos 1970, que abasteceu, na época, o mercado de marfim.  Ele foi um dos maiores machos e ocupou um alto posto na população dos elefantes de Amboseli por quase 30 anos. Quando Dionysus morreu, em 2003, estimou-se que 51 filhotes tinham sido gerados por ele.

Dionysus logo antes de morrer, em 2003, aos 63 anos (©ElephantVoices)

Bad Bull foi outro macho com alto sucesso reprodutivo, devido, em parte, à sua longevidade. Ele foi visto pela última vez no cio em 2002, aos 63 anos, e supõe-se que tenha gerado cerca de 62 filhotes. Aristotle teve menos sorte. Embora da mesma idade de Dionysus e Bad Bull, ele morreu mais cedo, aos 49 anos, e gerou 27 filhotes. A maioria dos machos não vive o suficiente para gerar um único filhote.

Saiba mais sobre a vida dos elefantes aqui.







segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Coldplay e os Elefantes


O Coldplay lançou em 18 de outubro seu segundo clipe de Mylo Xyloto, último álbum da banda. Em Paradise, Chris Martin e os outros integrantes da banda se vestem de elefantes para transmitir uma forte mensagem.

Elefantes em cativeiro no mundo inteiro precisam das vozes de todos aqueles que se importam com eles. Cuidar significa promover o interesse dos elefantes, em vez dos interesses das instituições que os mantêm em cativeiro. A maioria dessas instituições simplesmente não pode satisfazer às necessidades básicas dos elefantes - independentemente de tratadores bem intencionados. Assista "Paradise", do Coldplay, um lindo clipe, compartilhe com seus amigos e ajude e levar as vozes dos elefantes através do mundo. 


 


Saiba mais sobre elefantes em cativeiro no website da ElephantVoices.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A Viagem de Iringa, Thika e Toka

Em uma decisão histórica, a Câmara Municipal de Toronto votou a favor da transferência de Iringa, Thika e Toka, as três elefantas africanas que vivem no zoológico da cidade, para o Santuário PAWS, em San Andreas, California.

Há anos, conservacionistas, cientistas e organizações se posicionavam contra a manutenção das elefantas no zoo de Toronto - além do espaço insuficiente para a espécie, o frio é rigoroso nos invernos, durante os quais Iringa, Thika e Toka ficam trancadas em um recinto de concreto com grossas barras de ferro. Em maio, quando o zoológico de Toronto finalmente anunciou que pretendia fechar seu recinto de elefantes, devido aos altos custos e à debilitada saúde dos animais, o santuário PAWS ofereceu a eles um lar permanente, sem custo para a cidade. No entanto, o zoo e a AZA (Associação dos Aquários e Zoológicos, de ação internacional) não aceitaram a oferta e pretendiam transferi-las para outro zoológico de sua rede de associados.

Com a decisão tomada pela Câmara Municipal de Toronto, Iringa, Thika e Toka terão direito a comportar-se naturalmente, caminhar livremente e explorar uma vasta área, procurar por alimentos, interagir com outros elefantes, participar de uma sociedade e escolher seus parceiros sociais, exercer atividades físicas e mentais variadas e a diversos outros estímulos e comportamentos que são inerentes e fundamentais para o bem-estar desses seres tão inteligentes e sociáveis. Terão, finalmente, suas necessidades biológicas e comportamentais atendidas, o que nunca poderia acontecer em um zoológico.


Elefantes aproveitam o final do dia na beira de um riacho em
© ElephantVoices

Esse voto é de extrema importância porque a Câmara foi contra a requisição do Zoológico de Toronto e da AZA de simplesmente realocá-las para outro zoo, priorizando o bem-estar das elefantas. A ElephantVoices está entre os muitos que apresentaram argumentos para dar suporte a essa importante decisão e parabeniza os esforços da Zoocheck Canada e do Santuário PAWS - The Performing Animal Welfare Society, em particular Pat Berby e Ed Stewart, cuja paixão e energia devotados a elefantes que sofrem em cativeiro não têm limites.

Com essa decisão, a Cidade de Toronto dá um exemplo a ser seguido em todo o mundo. Leia mais.
 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Identificando Elefantes Africanos


Os elefantes são muito diferentes entre si e com um pouco de conhecimento, prática e observação, não é difícil identificá-los.

Além da sexagem, a determinação da idade e as características do corpo também estão entre os oito módulos que a ElephantVoices disponibilizou para explicar como observar e entender as características de cada elefante, também utilizados no banco de dados  “Mara Elephants Who’s Who”, do projeto de conservação Elephant Partners.

 

Determinação da idade

O trabalho pode ser facilitado se conseguirmos dividir os elefantes em categorias referentes ao tamanho, determinadas de acordo com a idade aproximada. As categorias que usamos são: novos (0-4
anos), juvenis (5-9 anos), pequenos adultos (10-19 anos), médios adultos (20-34 anos) e grandes adultos (35 anos ou mais). Colocar elefantes em categorias de tamanho requer prática, por isso não
recomendamos que essa característica seja usada para identificá-los, até que você tenha adquirido uma certa experiência.

É bom lembrar que um macho adulto cresce o suficiente para atingir o dobro do tamanho de uma fêmea adulta. Portanto, o tamanho é relativo, quando julgamos um pequeno, um médio ou um grande adulto – sempre dependerá do sexo do animal considerado.

Usamos o termo “infante” para designar um elefante novo com menos de um ano de idade. Ele normalmente não possui presas e é suficientemente pequeno para andar embaixo do abdômen da mãe. É necessário recorrer à genitália para sexar infantes.

As características do corpo

Assim como os humanos, alguns elefantes são longos e esguios, enquanto outros são pequenos e curvos. De fato, é possível utilizar a forma do corpo para identificar elefantes, uma vez que você já tenha alguma experiência.

Elefantes das mais diversas populações (como a da Reserva de Maasai Mara) carregam velhos abscessos decorrentes de feridas de lanças e flechas utilizadas por caçadores e que, hoje em dia, se parecem com um inchaço ou um caroço e são muito úteis na identificação de marcas. Outros aparentam estar fisicamente limitados – mancando ou com outros tipos de deficiência.

É importante sempre considerar a presença/ausência das presas e se há algum tipo de dano às mesmas. A tromba também pode ser um bom indicador de conflitos com humanos e, consequentemente, ser um caráter de diferenciação entre os indivíduos.

Saiba mais sobre a identificação de elefantes africanos.