segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Elefante “fala” como um humano - e usa sua tromba para formar o som.

Elefante de zoológico sabe dizer “bom”, “não”, “olá” e “sente-se”, diz estudo científico. 


Shannon Fischer, para a National Geographic News
Publicado em 2 de Novembro de 2012
 


Koshik, o Elefante Asiático que sabe "falar" cinco palavras em Coreano, colocando sua tromba dentro da boca. Fotografado por Ahn Young-joon, AP

Há seis anos, um vídeo, enviado por funcionários perplexos do Everland Zoo, chegou à caixa de entrada da pesquisadora de comunicação de elefantes Joyce Poole, da ElephantVoices. A filmagem foi o primeiro olhar de cientistas sobre Koshik, o elefante que fala coreano.

“Isso é surpreendente”, escreveu Joyce na época, então subsidiada pelo Programa Conservation Trust, da National Geographic Society (a National Geographic News é parte da Sociedade). “Não consigo ver nenhuma chance disso ser uma farsa, com certeza é uma imitação de voz humana”. Ela enviou o vídeo a colegas. Alguém teria que checar o caso - poderia ser genuíno?


Seis anos depois, a confirmação finalmente chegou, através de um novo estudo liderado por um dos antigos colegas de Poole, Angela Stoeger, da Universidade de Viena. Koshik, afirma Stoeger, é definitivamente real. 


(Veja também “Baleia falante pode imitar voz humana”)


Um elefante com ouvido para idiomas


Para chegar a essa conclusão, Stoeger e seu time primeiro tiveram que verificar se os sons emitidos por Koshik eram palavras de verdade. De acordo com os tratadores do elefante, ele tinha um vocabulário de seis palavras, incluindo annyong ("olá"), aniya ("não"), anja ("sente-se"), and choah ("bom").


Então, a equipe mostrou 47 gravações das imitações a falantes nativos de Coreano que nunca tinham ouvido o elefante antes, e os instruíram a simplesmente anotar o que ouvissem. “Eles sabiam que estavam ouvindo um elefante, mas não sabiam o que supostamente deveriam ouvir”, explicou Stoeger, cujo estudo apareceu recentemente no jornal Current Biology.


Mas mesmo para os ouvidos humanos, as palavras eram prontamente compreedidas e transcritas. As vogais eram as mais fáceis de serem compreendidas, e quando um relatório contradizia o outro, as diferenças eram relacionadas a consoantes, com as quais Koshik ainda luta um pouco. 


“Não é 100%” certo, afirma Stoeger. “Mas ainda assim, se você não sabe absolutamente nada do que irá ouvir, é difícil até mesmo para entender o melhor papagaio que imita voz humana”.  


Para assegurar que não se trata de variações naturais dos chamados dos elefantes, os pesquisadores também compararam as palavras de Koshik com os sons típicos de elefantes asiáticos, e constataram que eram completamente diferentes. De qualquer modo, eram cópias exatas das entonações e frequências de seus treinadores, que os pesquisadores actreditam ser os objetos da imitações de Koshik.


O fato de que Koshik fala não é nada, comparado a como ele fala. Quando humanos fazem o som de o, eles espremem suas bochechas e pronunciam so lábios para frente, em formato circular. Os elefantes não possuem essa estrutura de bochechas e lábios - há muito tempo a trocaram por trombas. Desse modo, é anatomicamente impossível emitir esses sons.


Koshik resolve esse problema fixando a ponta de sua tromba em sua boca e movendo a parte de baixo de sua mandíbula, essencialmente, “fabricando”  uma ferramenta em seu trato vocal a partir de quase nada, como o personagem MacGyver. “Ele realmente desenvolveu um novo modo de produzir som”, afirmou Stoeger. “Naturalmente, elefantes asiáticos não fazem isso”. 


De fato, o único exemplo de comportamento animal que se aproxima da imitação que  Koshik faz com ajuda de uma ferramenta é o dos orangotangos, que adaptam a frequência de suas vocalizações com suas mãos ou com folhas.


“É realmente fascinante. Estou maravilhada. E entusiasmada”, afirmou Caitin O’Connell-Rodwell, uma especialista em comunicação dos elefantes da Universidade de Stanford que não estava envolvida no estudo.


A primeira evidência de que os elefantes podiam até mesmo fazer imitações vocais surgiu em 2005, e mostrou elefantes africanos imitando caminhões e barulhos de outras espécies de elefantes, ela disse. “Isso foi um começo”, O’Connel-Rodwell afirmou. “Mas agora trata-se de imitação entre espécies e a criação de uma vocalização muito mais difícil de ser emitida”. 


(Veja “Orca imita leão marinho, revelam gravações”)


O Elefante na Sala de Estar


Imitações vocais no reino animal são raridade, e imitações de falas humanas é algo ainda mais raro. Papagaios podem fazer isso, assim como pode uma foca chamada Hoover e uma beluga no Zoo de San Diego.


Pesquisadores acreditam que essa façanha exija não apenas os instrumentos vocais apropriados - ou uma engenhosa improvisação com a tromba -, mas também uma sociabilização com pessoas. Hoover, por exemplo, foi educada por um pescador, e a beluga teve seus treinadores.


Koshik começou suas imitações - ou pelo menos seus treinadores começaram a perceber suas imitações - quando tinha 14 anos de idade, depois de passar a maior parte de sua adolescência isolado de outros elefantes.


“Elefantes são animais altamente complexos, sociais e inteligentes, com personalidades individuais”, afirmou Joyce Poole, da ElephantVoices.  


“Eles são capazes de produzir uma incrível variedade de sons, em uma ampla gama de contextos”, afirma ainda Poole, que não esteve envolvida na recente pesquisa.


“Podemos nos questionar: Dada a extraordinária complexidade social e flexibilidade demonstrada, suas capacidades cognitivas significativas e suas capacidades físicas, por que deveríamos nos surpreender com o fato de imitarem sons de seu ambiente?


Leia aqui o artigo original, publicado na National Geographic.

Leia também: "A Comunicação Tátil dos Elefantes"

Saiba mais sobre a comunicação dos elefantes. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Projeto Gorongosa, da ElephantVoices

O Parque Nacional de Gorongosa, em Moçambique, é o local do mais recente projeto de monitoramento e conservação da ElephantVoices. Em 2011, a ElephantVoices foi convidada a ir a Gorongosa para avaliar os elefantes e iniciar um processo de familiarização, de modo que encontros entre elefantes e visitantes possam ser pacíficos. Acostumar elefantes com veículos de turistas é importante porque, sem a renda do turismo, esse lindo e biodiverso habitat não pode ser protegido. Com a atual pressão sobre os recursos naturais, e com a caça de elefantes por marfim em um novo pico, é imperativo garantir a sobrevivência da Gorongosa.


Grupo de Elefantes de Gorongosa (©Andreas Ziegler)

Entendendo e respeitando os sinais dos elefantes

Em 1972, Gorongosa era a casa de mais de 2.000 elefantes. Porém, entre 1977 e 1992 uma guerra civil tirou a vida da maioria desses indivíduos. A carne dos elefantes era usada para alimentar os soldados e seu marfim era vendido para a compra de armas e munição. Quando a paz foi restaurada, menos de 200 elefantes tinham sobrevivido. Hoje, graças à intervenção do Governo de Moçambique e ao Projeto de Restauração da Gorongosa, há cerca de 300-400 elefantes no parque, e seu número vem gradativamente aumentando. Mas, mesmo assim, os sobreviventes não se esqueceram de suas terríveis experiências e ainda estão, compreensivamente, cautelosos com relação às pessoas e continuam evitando grandes áreas do parque nacional.

Fazemos com que os elefantes se habituem aos veículos nos aproximando deles vagarosamente e desligando o motor ao primeiro sinal de medo ou agressividade. Fazendo isso, mostramos a eles que entendemos e respeitamos seus sinais, que não causamos danos e que não estamos com medo de sua postura de desafio.





Elefantes são dramáticos: adoram transformar algo pequeno em uma grande ocasião. E demonstram alguns dos mais dramáticos e aterrorizantes comportamentos defensivos, o que fica bem na televisão. Por isso, alguns de nossos encontros iniciais com elefantes na Gorongosa foram filmados para o documentário da National Geographic, War Elephants. É justo afirmar que a edição do filme aumentou a dramaticidade de nossas interações para a audiência da TV. Na realidade, encontramos elefantes normais, se comportando de modo bem próximo do que esperávamos. E os muitos elefantes que encontramos, em mais de uma ocasião, rapidamente aprenderam que não representávamos uma ameaça para eles. 


Quem é Quem e Onde Estão os Elefantes da Gorongosa


Em Outubro de 2012 começamos um trabalho mais intenso com os elefantes da Gorongosa. Começaremos por aprender o quanto pudermos com outras pessoas. Este é um novo lugar e são novos elefantes para a ElephantVoices, portanto temos muito o que aprender com aqueles que vivem e trabalham na Gorongosa. E, o mais importante, aprenderemos através de nossas experiências com os elefantes.

Traremos conosco versões customizadas das mesmas ferramentas online desenvolvidas pela ElephantVoices para nosso projeto de conservação de elefantes do Mara, no Quênia, o Elephant Partners. Com essas ferramentas, poderemos registrar cada elefante e coletar observações de modo sistemático e eficiente. Em colaboração com o Projeto de Restauração da Gorongosa e com a equipe do Parque Nacional, iremos, em tempo, construir o banco de dados "Quem é Quem e Onde Estão os Elefantes da Gorongosa", disponível para o público, para que explore, aprenda e contribua com ele.



Cada elefante em uma população é um indivíduo importante e começaremos o processo de identificação e registro de elefantes, um a um, povoando o banco de dados “Quem é Quem na Gorongosa” com fotografias, características fisionômicas e informações sobre sua história de vida. No caminho, teremos que aprender quem é assustado, quem é agressivo e dedicar mais tempo a esses indivíduos, para construir sua confiança.


Saiba mais: Elefantes da Gorongosa 

Conforme formos aprendendo sobre os indivíduos e suas famílias, trabalharemos no sentido de estimar o tamanho e a estrutura da população. Por exemplo, qual proporção da população é composta por machos e fêmeas, jovens e idosos? Quantos elefantes sem presas há? Quais são suas idades e o que esse padrão demográfico reflete sobre seu passado e qual o significado para sua sobrevivência no futuro?


Grupo de elefantes no Parque Nacional de Gorongosa (©ElephantVoices)


Mais conhecimento é a base para uma melhor proteção

Observações de indivíduos e famílias serão cadastradas no banco de dados da Gorongosa e, desse modo, começaremos a entender os padrões que definem a população, permitindo que a equipe do parque os proteja melhor. Por exemplo, precisamos saber quem passa seu tempo com quem, onde vão, quando e por quê.


Conforme conheçamos os elefantes, também treinaremos guarda-parques e guias sobre como coletar dados sobre eles e como deles se aproximarem, com benefício para ambos - pessoas e, com prioridade, elefantes. Com base no que aprendemos, nos engajaremos com outros cientistas que fazem pesquisas na Gorongosa e com a equipe do parque, para determinarmos possíveis futuros estudos sobre os elefantes e estratégias para sua conservação.


Guerreira, gf0050 - Essa linda matriarca foi assim nomeada devido a
dois furos grandes e perfeitamente redondos que tem nas orelhas, 
que muito provavelmente revelam que defendeu sua família, 
com as orelhas abertas, de uma saraivada de tiros (©ElephantVoices)

Link para o texto original 


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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Como determinar a idade de Elefantes Africanos



Identificar elefantes não é difícil, mas requer algum poder de observação, além de um  pouco de prática. Há muitas características diferentes que você pode usar para identificar um elefante: sexo; tamanho do corpo; forma, comprimento e configuração das presas; tamanho e forma das orelhas; padrões das veias auriculares; entalhes, rasgos e furos nas orelhas. A ElephantVoices desenvolveu oito módulos educacionais explicando como ler e compreender essas características, também utilizados no banco de dados “Mara Elephants Who is Who” (“Quem é Quem entre os Elefantes de Maasai Mara”). 


Para saber a idade, comece determinando se o elefante que você está tentando identificar é macho ou fêmea. É recomendado observar principalmente o tamanho e a forma do corpo e da cabeça, a espessura das presas e a genitália. Os machos são maiores e tendem a permanecer com a cabeça ereta acima dos ombros, enquanto as fêmeas são menores e tendem a deixar suas cabeças abaixo da linha dos ombros, além de terem abdomens mais curvados. Para saber mais sobre sexagem de elefantes africanos, consulte a página da ElephantVoices. 

Algo que ajuda muito é colocar o elefante que você está tentando identificar em uma categoria de tamanho, pois elas correspondem aproximadamente às faixas etárias. As categorias de tamanho que usamos são: filhote (0-4 anos), jovem (5-9 anos), adulto pequeno (10-19 anos), adulto médio (20-34 anos) e adulto grande (+ de 35 anos). Colocar elefantes em classes de tamanho requer um pouco de prática, por isso não recomendamos usar essa característica para identificar elefantes até que você tenha mais experiência. 
 


As fotos a seguir, com suas respectivas legendas, ensinam, de modo divertido, a identificar a idade dos elefantes  africanos! Aprenda mais sobre elefantes e divirta-se.
 

O que observar para saber a idade de um Elefante Africano


1. Lembre-se de que os machos adultos crescem para terem o dobro do tamanho das  fêmeas adultas. Assim sendo, os tamanhos relativos do adulto pequeno, do adulto médio e do adulto grande variam dependendo do sexo. Foto B1.



2. Por exemplo, aos 17 anos, um macho é tão grande quanto uma fêmea de 50 anos. Então, um macho adulto pequeno pode ser maior do que uma fêmea adulta grande. Jovens machos fazem fila para beber; no canto direito, uma fêmea adulta grande. Foto B2. 



3. Usamos o termo infante para um filhote com menos de um ano de idade. Um infante não tem presas e geralmente é pequeno o suficiente para caminhar sob a barriga de uma fêmea adulta grande. Os órgãos genitais devem ser usados para identificar o sexo de um infante. Foto B3. 


4. Presas de um filhote aparecem um pouco além dos lábios entre 18 meses e dois anos de idade. Baseie-se na genitália para determinar o sexo do filhote. Foto B4. 


5. Aos três anos de idade, as presas de um filhote se estendem cerca de 8cm além dos lábios. Nessa idade, se o filhote é uma fêmea, você pode notar um calombo leve na testa; mas os órgãos genitais são ainda a base definitiva para a determinação do sexo. Foto B5. 
 


6. Tamanhos relativos de três filhotes, da esquerda para a direita: dois anos e meio de idade, um ano de idade e fêmea de quatro anos de idade (note a testa ligeiramente pontuda e as presas com cerca de 10cm de comprimento). Foto B6. 
 



7. Tamanhos relativos, da esquerda para a direita: filhote com idade inferior a dois anos, jovem fêmea (note a testa pontuda e as presas finas) e fêmea adulta pequena (note novamente a testa pontuda e as presas finas). Foto B7. 



8. Tamanhos relativos em uma família, da esquerda para a direita: filhote com idade inferior a dois anos, fêmea adulta média, fêmea jovem (note as presas finas), infante, fêmea adulta média. Foto B8. 


9. Tamanhos relativos em uma unidade familiar, da esquerda para a direita: jovem, filhote, fêmea adulta jovem, fêmea adulta jovem, jovem, jovem, fêmea adulta média, infante, fêmea adulta média. Foto B9. 


10. Tamanhos relativos em uma família, da esquerda para a direita: fêmea jovem, fêmea adulta média, filhote, fêmea jovem, fêmea adulta pequena, fêmea jovem, fêmea adulta média (com bebê debaixo dela), filhote, fêmea adulta média, filhote, fêmea adulta pequena, infante, jovem, jovem, fêmea adulta grande. Foto B10. 
 


11. Mãe e filha: note que a fêmea mais velha tem corpo maior, uma cabeça relativamente maior e presas mais grossas, além de parecer mais velha. Foto B11 



12. Fêmeas adultas grandes têm cabeças relativamente grandes, presas mais grossas, corpos mais longos. As fêmeas mais velhas podem ficar com as costas arqueadas. Foto B12. 


13. Machos adultos e fêmeas adultas grandes se destacam na multidão. Identifique-os! Foto B13. 
 


14. Um macho adulto faz uma fêmea adulta e sua jovem filha parecerem pequenas. Foto B14. 



15. Aos 17 anos, os machos são tão grandes quanto uma fêmea adulta grande, mas têm apenas metade do peso de um macho adulto grande. Machos adultos pequenos têm cabeças relativamente pequenas, presas relativamente finas e seus olhos e suas presas se ligam por uma linha reta. Foto B15. 


16. Machos adultos de pequeno porte têm cabeças relativamente pequenas, presas relativamente finas e a linha de seus olhos para suas presas é reta. Foto B16. 


17. Machos adultos médios têm cabeças maiores que os machos adultos pequenos e presas relativamente mais grossas. À medida que a testa se expande e as presas engrossam, a linha a partir do olho em direção a suas presas começa a ficar curva. Foto B17. 


18. Outro macho adulto médio. Mais uma vez, note que ele tem uma cabeça maior do que a dos machos adultos pequenos e presas relativamente mais grossas. Foto B18. 


19. Machos adultos grandes têm cabeças enormes e presas grossas salientes na face. A larga testa e as presas mais grossas criam uma linha com contorno em forma de ampulheta que vai dos olhos em direção às presas. Eles têm corpos pesados e musculosos. Foto B19. 


20. Outro macho adulto grande. Observe novamente sua cabeça enorme e suas presas grandes. Foto B20. 






Link para o texto original, em Inglês

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Safáris nas costas de elefantes

A questão dos passeios em elefantes (ou safáris nas costas de elefantes), na Tailândia e em outros lugares, é controversa - a partir do ponto de vista daqueles que acham que não há uma alternativa melhor para os elefantes e os mahouts/treinadores envolvidos. Ao mesmo tempo, o modo como os elefantes são “preparados” para esse trabalho é extremamente perturbador, e a maioria das pessoas não se sentaria jamais em um elefante se soubesse disso.

A maioria dos elefantes cativos na Ásia é capturada na natureza, com cerca de três anos de idade, quando ainda são totalmente dependentes de suas mães. Os elefantes são como os humanos, desenvolvem fortes laços de união com a família e amigos e é um enorme trauma quando são separados. Na Ásia, esses elefantes são colocados em uma “caixa”, onde são privados de água e torturados por muitos dias e até mesmo semanas, até que desistam de gritar ou de tentar lutar e aprendam que nada podem fazer para se defender dos seres humanos, tornando-se, assim, obedientes para o resto de suas vidas. É a esse processo que os asiáticos chamam de “quebra do espírito do elefante”.  

A idéia é manter um animal tão inteligente, selvagem e grande sob total controle, para a segurança dos turistas. Sem medo e dominação, isso não é possível. Não importa o que digam os agentes de turismo ou os tratadores, esse elefantes têm que sofrer abusos para carregar você em suas costas. Ajude a colocar um fim nessa crueldade, educando seus amigos e jamais aceitando participar dessa atividade. Enquanto permitirmos que isso continue, mais e mais elefantes serão retirados da natureza, e seus espíritos, brutalmente “quebrados”, de modo que possam ser forçados a fazer seu trabalho. 

Assista ao vídeo de Juliette sobre esse tema - e por favor compartilhe. Saiba mais em http://tinyurl.com/3yu97k8


Juliette fala sobre os passeios em elefantes, ou safáris nas costas de elefantes.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Especialistas reportam a maior taxa de caça ilegal e contrabando de marfim em uma década


Genebra, 21 de junho de 2012 – As taxas de caça ilegal de elefantes são as piores em uma década, e apreensões de marfim registradas estão em seus níveis mais elevados desde 1989, segundo um relatório publicado hoje pela Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Selvagens (CITES). Os resultados, em grande parte com base nas informações fornecidas pelos governos, foram apresentados e discutidos na 62ª reunião do Comitê Permanente da CITES, realizada em Genebra, de 23 a 27 de julho de 2012.

O relatório analisa os dados do programa CITES sobre Monitorização do Abate Ilegal de Elefantes (MIKE); os dados da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) sobre a situação das populações de elefantes; os dados do Sistema de Informação de Comércio de Elefantes (ETIS), gerenciado pela Traffic; e o banco de dados de comércio CITES, gerenciado pela UNEP Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (UNEP-WCMC).

Essas fontes oficiais de informação têm mostrado uma correspondência muito próxima entre a evolução da caça ilegal de elefantes e as tendências de apreensões em larga escala de marfim, detectando essencialmente os mesmos padrões em diferentes pontos da cadeia de comércio ilegal de marfim.

Comentando o relatório, o secretário-geral da CITES, John E. Scanlon, disse: "Temos de reforçar nossos esforços coletivos em relação ao alcance, ao trânsito e aos consumidores, para inverter as atuais tendências perturbadoras da caça ilegal de elefantes e do contrabando de marfim. Ainda que essenciais, os esforços de aplicação da lei para impedir crimes contra a natureza não devem apenas resultar em apreensões, mas também em acusações, condenações e penas severas para parar o fluxo de contrabando. A cadeia inteira de execução das leis deve trabalhar em conjunto".

De acordo com dados da ETIS, os maiores volumes de apreensão de marfim em nível mundial ocorreram em 2009, 2010 e 2011.

Somente em 2011 houve 14 apreensões em grande escala de marfim – um valor de dois dígitos, pela primeira vez em 23 anos, quando os registros da ETIS tiveram início. Elas totalizaram cerca de 24,3 toneladas de marfim, mais do que em qualquer outro ano. Apreensões em grande escala de marfim (aquelas que envolvem mais de 800kg de marfim em uma única transação), normalmente indicam a participação do crime organizado.

China e Tailândia são os dois principais destinos de remessas ilegais de marfim exportadas da África, de acordo com os dados sobre apreensões. Foram apreendidas grandes quantidades de marfim na Malásia, Filipinas e Vietnã desde 2009, que, acredita-se, estavam em trânsito para a China e a Tailândia.

Alguns países africanos e asiáticos têm feito esforços significativos para reduzir este tipo de crime. Por exemplo, a China realizou, no início deste ano, uma grande operação que resultou na apreensão de 1.366,3kg de marfim e na detenção de 13 suspeitos.

A maioria dos contêineres de contrabando de marfim deixa o continente africano através de portos marítimos do Oceano Índico em países do Leste Africano, principalmente Quênia e República Unida da Tanzânia.

"As evidências vão se acumulando constantemente e mostram que os elefantes africanos estão enfrentando sua mais grave crise, desde que o comércio internacional de marfim foi proibido totalmente pela CITES, em 1989", disse Tom Milliken, líder do programa TRAFFIC sobre Elefantes e Rinocerontes e diretor da ETIS.

Esses resultados são comparados com dados sobre os níveis de caça ilegal na África, do programa MIKE CITES. O MIKE documentou um aumento constante nos níveis de caça ilegal de elefantes no continente desde 2005, com as taxas em 2011 sendo as mais altas, desde que o monitoramento começou, em 2002. Os níveis de caça ilegal estão aumentando em todos os países onde há elefantes africanos e podem estar levando a um declínio dramático algumas populações, particularmente nos países da África Central, onde esses níveis são os maiores. Essas informações despertaram a atenção internacional no início deste ano, quando ocorreu o assassinato de centenas de elefantes no Parque Nacional Bouba Ndjida, em Camarões.

"A análise do MIKE mostra que a caça ilegal é maior onde os meios de subsistência humanos são mais inseguros e a governabilidade e a aplicação da lei são mais fracas. Ela também sugere que a caça ilegal é impulsionada pela demanda de marfim na Ásia Oriental. O número de elefantes africanos mortos em 2011 pode ter alcançado dezenas de milhares", disse Julian Blanc, que coordena o programa MIKE.

As informações coletadas pela IUCN corroboram as conclusões do MIKE de que a caça é um perigo imediato para as populações de elefantes em todo o continente. Há indícios preocupantes de que o abate ilegal de elefantes aumentou nos últimos anos também na Ásia, embora seja difícil a obtenção de dados.

"Há uma necessidade premente, para os governos e outros interessados envolvidos com a conservação da vida selvagem, de se avaliar adequadamente a quantidade de marfim de elefante asiático que está entrando no comércio", disse Simon Hedges, copresidente do Grupo Especialista em Elefantes Asiáticos da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN.

Uma pressão adicional sobre os elefantes asiáticos, também aparentemente crescente, é o comércio internacional ilegal de elefantes selvagens vivos para circos, na China, e para fins turísticos, na Tailândia.

A situação crítica na África demonstra a necessidade urgente da implementação do Plano de Ação para o Elefante Africano, que foi criado por todos os países em que vivem elefantes africanos, sob os auspícios da CITES, em 2010. O plano prevê o investimento de US$ 100 milhões, em três anos, nos esforços de conservação dos elefantes, e um Fundo do Elefante Africano foi lançado em agosto de 2011, na 61ª reunião da Comissão Permanente da CITES.

"As populações de elefantes sustentáveis da África vão exigir uma visão compartilhada e um investimento altamente estratégico e colaborativo de tempo e recursos ao longo de toda a cadeia de abastecimento de marfim. Sem isso, vamos todos perder o que nós estimamos mais, os ícones da África: os nossos elefantes”,  disse Holly Dublin, presidente da IUCN/SSC Grupo de Especialistas em Elefantes Africanos, em um encontro recente dos países em cujos territórios vivem elefantes africanos.

São necessárias respostas criativas e inovadoras para a crise, em patamar internacional. O uso de sistemas modernos de rastreabilidade, incluindo análise forense de DNA em casos de tráfico de animais selvagens, já provou ser muito eficaz. Provas de DNA têm sido usadas com sucesso em casos relacionados a rinocerontes na África do Sul e são rotineiramente empregadas em numerosas investigações criminais. Em qualquer caso, os esforços policiais para impedir o crime contra animais selvagens devem ser coordenados. É por isso que o trabalho do recém-estabelecido Consórcio de Combate ao Crime contra a Vida Selvagem (ICCWC) é essencial para apoiar e coordenar as ações de coação através de fronteiras internacionais.

Histórico sobre Elefantes - pelos Grupos Especialistas em Elefantes da IUCN

A mais recente compilação nos números de elefantes africanos (Loxodonta africana) em todo o continente remonta a 2007, quando havia pelo menos meio milhão de elefantes na África, e talvez até mesmo 700.000, distribuídos por cerca de 3,3 milhões de km², uma área ligeiramente maior que a Índia. 

Novos levantamentos  sobre as populações de elefantes africanos estão atualmente sendo analisados pelo Grupo de Especialistas em Elefantes Africanos da IUCN/SSC e inseridos no novo Banco de Dados sobre Elefantes Africanos e Asiáticos (http://elephantdatabase.org), e uma visão sobre o número de elefantes é esperada ainda para este ano.


Listados no Apêndice I da CITES e classificados como "em perigo" na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, a população mundial de elefantes asiáticos é estimada em torno de 30.000-50.000, com um alcance geográfico de cerca de 878,600 km ² (uma área menor do que o Paquistão), o que corresponde a apenas 10% de seu território histórico.


Histórico sobre o Comércio de Marfim


O comércio internacional de marfim de elefantes foi proibido pela Conferência dos Participantes da CITES, em 1989. No entanto, os Participantes da CITES relaxaram essa proibição por duas vezes, primeiramente, em 1999, quando permitiram uma “venda única” de marfim por Botsuana, pela Namíbia e Zimbábue, para o Japão, e, novamente, em 2008, quando permitiram outras “vendas únicas” desses três países e da África do Sul, para China e Japão.


Como condição prévia para a segunda venda acontecer, dois sistemas de monitoramento - ETIS e MIKE - foram criados para acompanhar as tendências dos níveis de comércio ilegal de marfim e de abate ilegal de elefantes, respectivamente. A CITES também reconheceu o papel dos Grupos de Especialistas em Elefantes da IUCN, que monitoram a situação das populações de elefantes, e da UNEP-WCMC, que monitora o comércio legal de marfim. Juntos, esses quatro sistemas entregam informações consistentes, baseadas em evidências, para auxiliar o processo de  tomada de decisões da CITES.


Nota aos editores: Para mais informações, entre em contato com:

Nick Nuttall, porta-Voz e chefe executivo de mídia do Escritório da Diretoria Executiva da UNEP, pelo tel:  + 254 20 7623084, fax: + 254 20 7623692; pelo celular: + 254 733 632755 / +41 79 596 57; ou pelo e-mail: nick.nuttall@unep.org.


Juan Carlos Vasquez, diretor de Comunicação e Divulgação da CITES, pelo telefone +41 22 917 8156, ou via e-mail, para juan.vasquez@cites.org.


Richard Thomas, coordenador de Comunicação Global na TRAFFIC Internacional, pelo tel  +1223 651782, ou via e-mail, para richard.thomas@traffic.org.


Lynne Labanne, diretora de Marketing e Comunicações do Programa Global de Espécies da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), pelo tel. +41 22 999 0153, ou pelo fax +41 22 999 0002.


Maxwell Gomera, vice-diretor do UNEP-WCMC, em Cambridge, Reino Unido, pelo tel: +44 1223 814617, ou pelo e-mail: maxwell.gomera@UNEP-wcmc.org


Sobre a CITES


Com 175 Estados-membros, a CITES continua sendo uma das ferramentas mais poderosas do mundo para a conservação da biodiversidade, através da regulamentação do comércio da fauna e da flora selvagens. Milhares de espécies são comercializadas internacionalmente e utilizadas pelas pessoas em suas vidas diárias para alimentação, habitação, saúde, ecoturismo, cosméticos e moda.


A CITES regula o comércio internacional de cerca de 35.000 espécies de plantas e animais, incluindo os seus produtos e derivados, garantindo a sua sobrevivência na  natureza, com benefícios para os meios de subsistência das populações locais e o meio ambiente global. O Sistema de Permissões da CITES visa garantir que o comércio internacional das espécies listadas seja sustentável, legal e rastreável.


A CITES foi criada em Washington DC em 03 de março de 1973. O 40 º aniversário da Convenção será comemorado em março de 2013, coincidindo com a 16 ª Reunião da Conferência dos Participantes, a ser realizada em Bangkok, Tailândia, de 3 a 15 de Março.

O Programa de Monitoramento de Abate Ilegal de Elefantes da CITES (CITES-MIKE) vem monitorando tendências em caça ilegal de elefantes em cerca de 60 locais na África e em 27 locais na Ásia, desde 2002. Esses locais incluem muitas das maiores populações de elefantes em ambos os continentes. O funcionamento do programa MIKE na África, entre 2007 e 2012, foi possível graças ao apoio da União Européia.


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Sobre a TRAFFIC



A TRAFFIC, uma aliança estratégica entre a WWF e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), é a organização líder mundial de monitoramento do comércio de vida selvagem. A TRAFFIC rastreia o comércio ilegal de marfim de elefantes usando registros de apreensões de marfim que ocorreram em todo o mundo desde 1989. O Sistema de Informação de Comércio de Elefantes (ETIS), um dos dois sistemas de monitoramento de elefantes da CITES, é gerido pela TRAFFIC e, atualmente, compreende mais de 18.000 registros de apreensão de produtos oriundos de elefantes em cerca de 90 países, o maior registro desses dados no mundo. A TRAFFIC irá conduzir uma análise detalhada desses dados ainda este ano, para a 16 ª reunião da Conferência dos Participantes da CITES.


Sobre a IUCN

A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), ajuda o mundo a encontrar soluções pragmáticas para os desafios mais urgentes relativos a meio ambiente e desenvolvimento, através do apoio à pesquisa científica, gerenciando projetos de campo em todo o mundo e unindo governos, ONGs, a ONU, convenções internacionais e empresas, para desenvolver políticas, leis e melhores práticas.

Maior e mais antiga rede global de meio ambiente, a IUCN é uma união democrática com a adesão de mais de 1.000 organizações governamentais e ONGs, além de quase 11.000 cientistas voluntários e especialistas em 160 países. O trabalho da IUCN é apoiado por mais de 1.000 profissionais em 60 escritórios e centenas de parcerias em setores públicos, não-governamentais e privados em todo o mundo. A sede da IUCN está localizada em Gland, próximo a Genebra, na Suíça. www.iucn.org.

A Comissão de Sobrevivência de Espécies (SSC) é a maior das 6 comissões de voluntários da IUCN, com uma adesão global de cerca de 7.500 especialistas. A SSC informa a IUCN e seus membros sobre uma vasta gama de aspectos técnicos e científicos de conservação das espécies e se dedica a garantir um futuro para a biodiversidade. A SSC tem contribuído significativamente para os acordos internacionais que lidam com a conservação da biodiversidade.

Sobre o UNEP-WCMC

A UNEP World Conservation Monitoring Centre (UNEP-WCMC) é uma colaboração entre o Programa Ambiental das Nações Unidas, a mais intergovernamental das organizações ambientais do mundo, e a WCMC, uma instituição de caridade baseada no Reino Unido. A UNEP-WCMC é a ala especialista da UNEP para avaliação da biodiversidade e a base de colaboração da UNEP com a WCMC.

O objetivo  é fornecer informações oficiais, relevantes e adequadas para os países, ministérios de relações exteriores, organizações e empresas, para serem usadas no desenvolvimento e implementação de suas políticas e decisões. Para ajudar a atingir esse objetivo, a UNEP-WCMC visa a ser um centro de excelência internacionalmente reconhecido e o parceiro preferencial especializado na síntese, na análise e no compartilhamento de conhecimento sobre a biodiversidade global e serviços para ecossistemas.

Sobre o ICCWC


Em reconhecimento à natureza e à dimensão do comércio ilegal de animais selvagens e à necessidade urgente de uma resposta mais organizada e sofisticada para o problema, demandada pela comunidade de aplicação das leis, cinco organizações internacionais se uniram, no final de 2010, para criar o Consórcio Internacional de Combate aos Crimes contra a Fauna (ICCWC).

O ICCWC compreende o Secretariado da CITES, a Interpol, o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), o Banco Mundial e a Organização Mundial das Alfândegas (WCO). O Secretariado da CITES preside o Consórcio. O ICCWC existe para apoiar os oficiais que servem na linha de frente no exercício das suas funções essenciais e que, assim, trabalham com as redes regionais de aplicação de leis relativas à vida selvagem.

O ICCWC procura assegurar que os autores de crimes graves da vida selvagem enfrentem uma resposta mais contundente e coordenada, diferentemente da situação atual, em que o risco de descoberta e punição é geralmente muito baixo. Procura  também implantar modernas técnicas e tecnologias aplicadas a diferentes áreas para combater crimes contra a natureza, como as entregas controladas e uso da ciência forense da vida selvagem. O ICCWC também procura "rastrear o dinheiro", providenciar o confisco de ativos e combater a corrupção.

Link para o artigo original

Saiba mais sobre o mercado de marfim no website da ElephantVoices

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Aventura Jumbo em Mondilkiri, no Camboja

Aposta em santuário está dando certo

Pouco mais de um ano após a primeira reportagem publicada pelo The Phnom Penh Post, Jack Highwood, Gerente do Elephant Valley Project (Projeto Vale dos Elefantes), fala sobre seu projeto. E ficamos sabendo que o santuário para elefantes em Mondulkiri, Camboja, 'vai muito bem, obrigado'.

Leia a reportagem de 2011, que publicamos abaixo, e saiba como uma floresta que estava prestes a ser derrubada se transformou em um projeto sustentável, bom para os elefantes e para os habitantes da região.

Hoje, o santuário é a casa de 12 elefantes (um macho e onze fêmeas), sendo um de Mondulkiri e os outros de diversas partes do país, e continua a dar assistência veterinária aos elefantes domesticados de diversas partes do país, enquanto ensina aos "mahouts" (cornacas, ou condutores dos elefantes) uma importante lição: se tratarem bem seus animais, serão mais valorizados pelos turistas.

"Aqui, os elefantes têm alimentação natural e estímulos suficientes para que possam ser elefantes", diz Jack. "Esse é o conceito do santuário. O que você quer fazer é o que os elefantes querem fazer".


 Jack Highwood, Gerente do Elephant Valley Prodject em Mondulkiri, fala para o Phnom Penh Post sobre
suas aventuras como Mahout e o que significa criar uma casa para alguns dos elefantes maltratados
do país. 

Aposta em santuário está dando certo

25 de Março de 2011, por 
Mark Bibby Jackson
, The Phnom Penh Post, Camboja


Elefantes não foram feitos para andar nas ruas de Phnom Penh, circundar o templo de Angkor Wat ou morar num zoo, diz Jack Highwood, fundador do Elephant Valley Project, localizado na província de Mondulkiri, no Camboja. “Este é o seu habitat natural. Nós temos uma vasta área de terras aqui, e é a estas terras que eles pertencem.”


 A saúde dos elefantes melhora em um ambiente natural.

Highwood estabeleceu o seu santuário de elefantes nas colinas adjacentes a Sen Monorom há quatro anos.

“Eu trabalhava com os elefantes da Tailândia há dois anos,” diz Highwood. “Ao visitar o Camboja, pude constatar que a situação dos elefantes era caótica. Eles eram muito maltratados.”

Inicialmente, o projeto foi focado em pesquisa e tratamento veterinário para os elefantes. Entretanto, Highwood logo se deu conta de que isso era muito pouco para aliviar o problema real enfrentado por elefantes “domésticos”: o trabalho excessivo.

“Decidimos trazer os elefantes até nós, em vez de irmos até eles, e foi assim que o santuário teve seu início,” ele explica. “Em vez de fazer um projeto de cinco anos, como uma ONG qualquer, e quem sabe depois ter que fechar por falta de dinheiro e não beneficiar ninguém, resolvi fazer uma aposta.”

Highwood apostou na construção de um local de ecoturismo capaz de proporcionar uma renda sustentável para o projeto. No Elephant Valley, turistas podem se hospedar, fazer refeições ou também ser voluntários do projeto. Além de ajudar a dar banho nos elefantes, os voluntários constroem mais alojamentos e plantam árvores. A convivência com os elefantes é garantida.

A renda gerada pelos turistas é usada para cuidar dos elefantes.

“Todos os elefantes daqui foram vítimas de abusos tremendos e tinham ferimentos horripilantes,” diz Highwood. “Você pode fazer um elefante adoecer em uma semana, mas curá-lo leva um ano.”

Como a terra é comunitária, os aldeões são beneficiados através da renda gerada com o aluguel das terras e dos empregos gerados pelo projeto.

“Nós trazemos turistas e voluntários, e isso cria uma porção de empregos,” ele diz.
Todas as vagas, com exceção de duas, são preenchidas por habitantes de uma vila local do distrito de Poutrom. Highwood também fornece para os aldeões serviço médico universal, alimentação, rede contra mosquitos e serviço médico particular.

Essa atitude está começando a gerar dividendos. “Quando eu cheguei aqui, eles queriam derrubar e vender a floresta,” diz ele. “Após um ano, todos concordam que essa foi a melhor alternativa.”

De acordo com Highwood, sobraram somente 121 elefantes “domésticos” no Camboja, dos quais metade vive em Mondulkiri. Além dos sete elefantes que vivem permanentemente no santuário, o projeto disponibiliza tratamento veterinário não invasivo para metade desses elefantes.

A equipe de pesquisa e acompanhamento do projeto regularmente monitora os elefantes da região. Ao descobrir que um elefante precisa de tratamento, a equipe tenta persuadir seus donos a deixá-lo ir para o santuário.

“Nós alugamos o elefante por um mês, para que a renda da família continue sendo a mesma,” diz Highwood. “Nós tratamos o elefante com antibióticos, o curamos e o mandamos de volta, esperando que ele venha a ter um tratamento melhor.”

Segundo Highwood, o acréscimo no número de turistas visitando a província é parcialmente responsável pela piora das condições do elefante “doméstico” em Mondulkiri.

“O turismo é um problema sério,” ele diz. “Os elefantes proporcionam um lucro maciço através do turismo. Os condutores de elefantes são levados a carregar o maior número de turistas possível. Eles usam os elefantes para carregar os turistas pra lá e pra cá.”

Ele cita o exemplo de um elefante que trabalhava com turismo que morreu dezembro passado. “Estávamos tentando conversar com o dono,” ele explica. “Nós avisamos que o elefante estava cada vez mais magro. Ele estava ganhando U$ 20 por dia, enquanto a pousada lucrava U$ 50, U$ 70. Continuaram a forçar o elefante a trabalhar até a exaustão. No final, ele apenas caiu para o lado e morreu.”

Apesar disso, Highwood acredita que os aldeões que o projeto abrange estão começando a se conscientizar de que há uma estreita relação entre o tratamento dado aos elefantes e a sua reputação entre os turistas. Aqueles que tratam bem os seus elefantes terão um lucro maior com o turismo.

Para Highwood, o destino dos elefantes de Mondulkiri é incerto: “Estamos num ponto crítico no momento. Nós não sabemos ao certo qual será o desfecho”.

Link para o artigo original. 

Saiba mais sobre o uso de elefantes como meio de transporte por turistas, comum no Camboja e em muitos países asiáticos. 

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domingo, 17 de junho de 2012

A falta de elefantes e rinocerontes reduz a biodiversidade das florestas tropicais

Perda de habitat, caça ilegal e o conflito entre humanos e elefantes causaram 
a perda de 95% da abrangência de distribuição histórica do elefante asiático (Elephas maximus).
Crédito: Ahimsa Campos-Arceiz


O desaparecimento progressivo de animais dispersores de sementes, como os elefantes e os rinocerontes, coloca a integridade estrutural e a biodiversidade da floresta tropical do sudeste da Ásia em risco. Com a ajuda de pesquisadores espanhóis, um time internacional de especialistas confirmou que nem herbívoros como a anta podem substituí-los.

“Mega-herbívoros agem como jardineiros das úmidas florestas tropicais: eles são vitais para a regeneração da floresta e mantêm sua estrutura e biodiversidade”, como explica Ahimsa Campos-Arceiz, autor-chefe do estudo que foi publicado no jornal “Biotropica” e pesquisador na Escola de Geografia da Universidade de Nottingham, na Malásia.

Nessas florestas no leste da África, a grande diversidade de espécies de plantas significa que não há espaço suficiente para todas as árvores germinarem e crescerem. Assim como a escassez de luz, a dispersão de sementes se torna mais complicada pela falta de vento, resultado do tamanho das árvores, que atingem até 90 metros de altura. A vida das plantas é então limitada a sementes dispersas por animais que comem polpa. Eles espalham as sementes quando deixam cair seu alimento, regurgitando-o, ou ainda mais tarde, através de suas fezes.

No caso das grandes sementes, “plantas necessitam de um grande animal capaz de comer, transportar e defecar as sementes em boas condições”, como descrito por Luis Santamaría, coautor e pesquisador do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados (IMEDEA) da Agência de Pesquisas Científicas CSIC, da Espanha. É aqui que os elefantes e os rinocerontes entram em campo, porque eles podem dispersar uma grande quantidade de sementes, graças ao fato de que vagarosamente digerem poucas quantidades de seu alimento.

Entretanto, a perda de habitat, a caça ilegal e o conflito entre humanos e elefantes causaram a perda de 95% da abrangência de distribuição histórica do elefante asiático (Elephas maximus) e deixaram os rinocerontes a apenas um passo da extinção: há menos de 50 rinocerontes de Java (Rhinocerus sondaicus) e 200 rinocerontes de Sumatra (Rhinocerus sumatrensis).

De acordo com a lista vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), elefantes estão em “perigo de extinção”, e as duas espécies de rinocerontes estão “criticamente ameaçadas”.


As antas asiáticas não são boas dispersoras para plantas
com grandes frutos e sementes. Crédito: Ahimsa Campos-Arceiz

As antas asiáticas não são elefantes

Em face dessa situação, o time de pesquisadores avaliou a capacidade de dispersão de sementes de outro herbívoro pesando 300 quilos que, por razões culturais, não é caçado e tem um sistema digestivo similar ao dos elefantes e rinocerontes: a anta asiática (Tapirus indicus).

O estudo permitiu aos pesquisadores analisar o efeito da dispersão, pelas antas, de sementes – e sua sobrevivência – de nove plantas distintas. Isso incluiu algumas espécies de plantas grandes, como a mangueira e a jaqueira, bem como de outras espécies menores, como a maruleira (Dillenia indica).

Entre outros resultados, concluiu-se que as antas defecaram 8% das sementes de tamarindo ingeridas (das quais nenhuma germinou), em comparação com os elefantes, que defecaram 75% das 2.390 sementes ingeridas (das quais 65% germinaram).

“As antas asiáticas cospem, mastigam ou digerem a maioria das grandes sementes”. Isso tanto as destrói como as deixa no mesmo local onde estavam. Como resultado, as antas não são boas dispersoras para plantas com grandes frutos e sementes”, confirma Campos-Arceiz. Nesse sentido, “considerando a função que desempenham, pertencem a um grupo diferente do dos elefantes e rinocerontes”.

Impedir a caça ilegal é prioridade

“Se esses mega-herbívoros desaparecerem do ecossistema, sua contribuição para os processos ecológicos também será perdida, e o caminho do ecossistema mudará irreversivelmente”, explica o autor principal, que declara ainda que “as mais prováveis consequências são a mudança da estrutura da vegetação rasteira e da floresta e a perda de certas espécies”.

Sem grandes herbívoros, as sementes das grandes plantas sempre cairão próximas à planta-mãe e, consequentemente, serão “incapazes de colonizar o espaço disponível em outras áreas da floresta”, alerta o pesquisador da IMEDEA.

Em virtude disso, aquelas espécies que dependem de grandes mamíferos serão cada vez mais raras, e as que dependem do vento e de pequenos e abundantes animais irão aumentar em termos de densidade e dominância. Campos-Arceiz afirma que, “no final das contas, a composição e a estrutura da floresta mudam e acabam se tornando menos complexas tanto a nível estrutural como funcional: isso se traduz em perda de biodiversidade”.

Para evitar tal cenário, pesquisadores sugerem que a megafauna seja protegida e, em alguns casos, a reintrodução de mega-herbívoros em áreas de onde eles previamente desapareceram. “No sudeste da Ásia, a prioridade é impedir a caça ilegal e diminuir o impacto da perda de habitat”, indica o especialista, criticando a “absurda” motivação para matar, em troca da venda de chifres e presas para a medicina tradicional (”sem benefícios terapêuticos”) ou para fabricação de produtos ornamentais. Isso também reafirma a necessidade de se combater o mercado ilegal “de uma maneira muito mais determinante”.

Link para o texto original

Fonte: Fundação Espanhola para a Ciência e Tecnologia 

Leia também: "A América do Sul precisa de elefantes, segundo ecologista" 

Assista a uma divertida animação: "O elefante planta florestas"