sábado, 16 de junho de 2012

“Memória de Elefante” estreia no Brasil amanhã, 17 de junho, às 19h, na Nat Geo Wild.

O documentário “Memória de Elefante” (War Elephants) estreia na América Latina neste domingo, 17 de junho. No Brasil, será exibido às 19h, no canal Nat Geo Wild HD. O filme, que ganhou um prêmio no prestigiado Sun Valley Film Festival, retrata o contato da cientista Joyce Poole com elefantes que sobreviveram à guerra civil, em Moçambique, quando 2.000 deles foram mortos. A Dra. Joyce Poole, a maior estudiosa de elefantes do mundo, é filmada por seu irmão, Bob Poole, em sua tentativa de transformar o comportamento agressivo desses animais e estabelecer relações de confiança com eles. Assista a um pequeno trecho do filme aqui, com Joyce “falando com os elefantes”. 





Sobre “Memória de Elefante” (War Elephants) no website da National Geographic: “No Parque Nacional de Gorongosa, em Moçambique, os elefantes estão em crise: anos de guerra civil e caça por marfim os deixaram com medo e hostis com relação a humanos. Em um novo filme para tv da National Geographic, a mais notável pesquisadora de elefantes Dra. Joyce Poole, em um documentário feito por seu irmão, o cinegrafista Bob Poole, trabalha para criar confiança e afastá-los de seu comportamento violento”.

Sinopse (Sky TV): “Junte-se aos irmãos Bob e Joyce Poole e viajem para o Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, para uma missão simples, mas perigosa: confrontar elefantes traumatizados, ensiná-los a não atacar pessoas e convencê-los de que, depois de dezesseis anos de guerra civil, caça e destruição, os seres humanos vêm ao parque em paz e para oferecer-lhes proteção, e não terror e derramamento de sangue. Mas, para transmitir esta mensagem, Bob e Joyce devem colocar suas próprias vidas em perigo. Alguns dizem que os elefantes nunca esquecem, e, no Parque Nacional da Gorongosa, eles parecem se lembrar das balas que mataram suas famílias e do terror que destruiu sua cultura. Joyce Poole, cientista e especialista em elefantes, estuda esses magníficos animais há mais de trinta anos. Seu irmão Bob, um cineasta aclamado, ficou filmando o tempo todo. O plano dos dois é uma complexa combinação de ciência e do que alguns considerariam uma insanidade: Bob e Joyce vão dirigir seus carros diretamente no caminho dos elefantes, que vêm para atacar, mas não se deixarão intimidar por eles. A ideia é habituar os elefantes com as pessoas, mostrar que os turistas não são uma ameaça e, com sorte, saírem vivos. Mas quando um elefante de seis toneladas furioso vem correndo em direção ao carro, serão Bob e Joyce capazes de manter a calma e ficar ou vão fugir como prisioneiros do medo? Se estes elefantes realmente não podem esquecer o passado, a questão é: será que são capazes de perdoar?”

sábado, 19 de maio de 2012

Santuário para Elefantes - Princípios Gerais

Dentro do espírito do “The Elephant Charter”  - a carta magna dos elefantes - e partindo do reconhecimento global sobre a necessidade da criação de santuários para elefantes, a ElephantVoices desenvolveu um curto documento, Santuário para Elefantes - Princípios Geraisno qual descreve sua perspectiva sobre um “santuário” para elefantes e os princípios gerais em que esse santuário deve se basear.

Introdução

Elefantes têm sido mantidos em cativeiro para vários propósitos por milhares de anos. Eles são vistos por muitos como recursos naturais a serem explorados pelos seres humanos para satisfazer suas necessidades. Elefantes são colocados para trabalhar em atividades florestais, instituições religiosas, turismo, circos e zoológicos e são objeto de programas de reprodução em cativeiro.

Apesar do fato de elefantes serem altamente adaptáveis a uma enorme gama de condições na natureza, eles não se adaptam ao cativeiro. Existem hoje evidências suficientes de que, em cativeiro, elefantes sofrem de enfermidades físicas e mentais, que frequentemente levam à morte prematura. Pesquisas sobre aspectos biológicos dos elefantes na natureza revelaram a verdadeira gama de capacidades dos elefantes e as condições normais, físicas e sociais em que os elefantes se desenvolvem. Essas condições são raramente, ou nunca, atendidas nas tradicionais formas de cativeiro. Enquanto que o bem-estar animal está claramente configurado nos termos das “5 Liberdades” (1), para elefantes em cativeiro duas delas –   liberdade para expressar comportamento normal e liberdade do medo e do sofrimento – são particularmente problemáticas.

Um macho de Maasai Mara, Quênia, brinca na água -
 m0167 no banco de dados Mara Elephants Who's Who
(©Marcus Westberg)

A incapacidade de atender aos interesses físicos, sociais e cognitivos dos elefantes em cativeiro é evidente. Essa situação gera desafios: Como resolver da melhor forma as necessidades dos elefantes que já sofreram danos ou que correm um risco significativo de sofrerem – devido às condições tradicionais de cativeiro –, mas que precisam, necessariamente, ficar nesse ambiente, permanentemente ou por um determinado período de tempo? Como definir e gerenciar da melhor maneira um “santuário” – locais verdadeiramente seguros de refúgio e conforto – para elefantes vindos de uma outra forma de cativeiro, ou da natureza, como órfãos?

O Objetivo deste Documento

A ElephantVoices busca promover a proteção e o tratamento adequado dos elefantes, onde quer que eles estejam. Um dos principais objetivos do trabalho de bem-estar da ElephantVoices é prover uma orientação para qualquer pessoa que precise atender aos interesses dos elefantes.

A ElephantVoices está constantemente engajada com pessoas e organizações que desejam resgatar e criar santuários para elefantes, já que isso está relacionado à nossa missão e aos princípios da carta magna dos elefantes, o “The Elephant Charter”, do qual somos autores e signatários.

Duas instituições nos Estados Unidos foram pioneiras na concepção de santuários para elefantes cativos. Elas têm procurado criar condições para que cada indivíduo possa recuperar uma vida mais natural em cativeiro, até o limite da capacidade de cada um, o que depende de seu histórico. Além disso, há algumas instituições, em países em que há elefantes nativos, que oferecem refúgio para os que sofrem os efeitos de um longo cativeiro. Outras criam elefantes órfãos, com o objetivo de reintroduzi-los na natureza. De modo genérico, entretanto, o conceito de santuário para elefantes cativos está apenas começando a ser explorado em contextos realmente livres de imposições tradicionais e culturais.

A palavra “santuário” é usada em uma variedade de contextos para uma série de objetivos: pode referir-se a pequenos abrigos de animais, zoológicos, centros ou parques de animais e a habitats ou refúgios naturais relativamente protegidos de distúrbios. O objetivo deste documento é fornecer uma visão da ElephantVoices sobre o que deveria significar um santuário de elefantes. Para fazer isso, consideramos os comentários de muitos que estão engajados ou que têm como objetivo um santuário de elefantes. Pretendemos atingir todos aqueles interessados em ideias sobre como criar um santuário para elefantes cativos, mas, particularmente, aqueles que estão prestes a iniciar ou ajudar no desenvolvimento de um santuário para esses animais. Desse modo, focamos nos princípios globais que acreditamos serem apropriados para qualquer unidade ou organização que pretenda abrigar elefantes sob o nome de “santuário”.

Este documento NÃO apoia o cativeiro de elefantes NEM tampouco tem a intenção de ser um guia universal para o gerenciamento de elefantes em cativeiro. Deliberadamente, evitamos descrever em detalhes como as instalações de um santuário devem ser projetadas e gerenciadas. Em vez  disso, equacionamos o que acreditamos serem os princípios apropriados para qualquer um comprometido com esse trabalho.

Em alinhamento com a estrutura científica da carta magna dos elefantes, o "The Elephant Charter", apresentamos aqui uma definição de santuário de elefantes que:
  • reconhece e reflete o trabalho pioneiro dos santuários de elefantes existentes;
  • estabelece princípios para guiar o desenvolvimento de novos santuários de elefantes, onde quer que eles estejam. 

Definindo um Santuário

A ElephantVoices sustenta que o conceito de prover um santuário para elefantes envolve, antes de tudo, um entendimento profundo e uma aceitação das capacidades e das necessidades físicas, comportamentais e psicológicas dos elefantes. O segredo para se prover um santuário é sempre buscar identificar e atender às necessidades dos elefantes enquanto indivíduos. Isso se refere tanto a uma abordagem de princípios para um engajamento com elefantes individuais como ao projeto e à localização das instalações.

A visão da ElephantVoices de um santuário para elefantes é a de uma instalação segura e confortável, onde um elefante cativo possa expressar seu natural comportamento físico, social e cognitivo, do modo mais completo possível.

Acreditamos que a missão de qualquer santuário de elefantes deveria ser promover e ajudar na reabilitação de elefantes em cativeiro, propiciando ambientes que reproduzam a natureza, vida social e programas de cuidados dirigidos a cada elefante. O foco principal é o bem-estar físico e psicológico dos elefantes como indivíduos, tanto a curto como a longo prazo.

Elefantes asiáticos no Minneriya National Park, Sri Lanka
(©ElephantVoices)

A ElephantVoices identificou os objetivos aos quais, acreditamos, qualquer santuário deve atender, em termos de resultados quanto ao bem-estar de cada elefante cuidado, levando em conta que as necessidades dos elefantes variam com o decorrer do tempo e de acordo com seu histórico individual. Esses objetivos nos capacitam a criar os Princípios para o Programa para a operação de santuários de elefantes e, sequencialmente, nos permitem definir conclusões sobre os Aspectos Físicos – ambiente e instalações – que os santuários devem prover.

Objetivos dos Santuários para Elefantes

A ElephantVoices sustenta que o principal objetivo de qualquer santuário de elefantes é fornecer:
  • uma filosofia de gestão, procedimentos operacionais e layout das instalações baseada nos interesses físicos, sociais e cognitivos dos elefantes, como documentado por pareceres científicos e apresentado na carta magna dos elefantes, o “The Elephant Charter”;
  • um lugar de refúgio que busque restaurar e/ou manter a saúde e o bem-estar de cada um dos elefantes cativos;
  • cuidado positivo e flexível que vise reconhecer, entender e explicar plenamente a história de cada um dos elefantes e suas necessidades individuais;
  • ambientes e recursos nos quais os elefantes sejam ajudados a alcançar seu potencial total para levar uma vida natural, seguindo um ritmo também natural;
  • foco principal no desenvolvimento e manutenção de interações sociais positivas entre os elefantes ao longo do tempo;
  • práticas de trabalho seguras, satisfatórias e protegidas para os tratadores, seguindo, contudo, o ritmo das necessidades dos elefantes, considerando-se um ciclo de 24 horas;
  • recursos que permitam a introdução de novos elefantes aos demais, manutenção contínua (24 horas) de laços sociais e a separação cuidadosa e o isolamento de indivíduos quando necessário para seu bem-estar.

Os elefantes Erin, Enid e Echo mantêm uma discussão
através de roncos, no Parque Nacional do Amboseli, Quênia
(©ElephantVoices)

Os Princípios para um Santuário de Elefantes

A ElephantVoices sustenta que os santuários para elefantes devem:

  • ter uma declaração específica da missão que incorpore objetivos de bem-estar;
  • receber elefantes cativos ou órfãos selvagens resgatados, que possam precisar de cuidados de cativeiro para o resto de suas vidas ou que possam retornar à vida selvagem em lugar e tempo apropriados;
  • avaliar as necessidades individuais de cada elefante e antecipar como as mesmas mudam ao longo do tempo;
  • desenvolver um programa flexível de gerenciamento para cada elefante que leve em consideração sua história particular, desde o período anterior à sua transferência para o santuário até sua liberação na natureza ou sua morte;
  • procurar estabelecer uma vida social natural para cada elefante, que construa, reforce e mantenha a competência social, a confiança e a resiliência;
  • assegurar que todas as interações entre homens e elefantes sejam designadas para reforçar positivamente cada elefante nos passos que o levem em direção a uma vida natural;
  • oferecer um programa de cuidados ininterrupto (24 horas) para todos os elefantes;
  • prestar cuidados de saúde apropriados, com uma visão holística da saúde e do bem-estar do elefante, abordando os problemas subjacentes e não os sintomas;
  • contratar tratadores sensíveis às necessidades dos animais e garantir que programas de treinamento sobre cuidados e comportamento de elefantes estejam de acordo com o melhor interesse dos mesmos;
  • apoiar a saúde e o bem-estar dos funcionários e suas famílias e reconhecer a sua dedicação e serviço;
  • implementar boas práticas, incluindo as práticas de resposta de emergência e práticas que garantam a segurança dos elefantes e dos humanos;
  • desenvolver um plano de negócios para apoiar a sustentabilidade financeira e ecológica de todas as operações do santuário;
  • usar sistemas legais e profissionalmente reconhecidos, de gerenciamento de recursos ambientais, financeiros e humanos;
  • utilizar sistemas de controle legalmente estabelecidos.

Aspectos Físicos de um Santuário para Elefantes

 A ElephantVoices sustenta que um Santuário para Elefantes:

  • é uma instalação projetada para atender às necessidades individuais dos elefantes em cativeiro ao longo do tempo;
  • é uma instalação protegida por uma forte barreira, adequadamente construída, que evita a entrada de pessoas e animais indesejados e a saída dos elefantes, garantindo a segurança e o conforto tanto dos elefantes quanto das pessoas;
  • está localizada em um clima em que elefantes podem ficar confortáveis em áreas externas no decorrer do ano, exceto em um evento climático extremo;
  • abrange áreas de paisagem variada que simula o habitat natural do elefante em termos de topografia e vegetação;
  • abrange áreas apropriadamente variadas que garantam a saúde dos elefantes, com estimulação física e mental durante um ciclo de 24 horas, de acordo com o ritmo natural indicado pela biologia do elefante selvagem;
  • abrange uma área suficiente, que permita que um elefante saudável obtenha níveis apropriados de exercício físico na busca por alimento, água e atividades sociais, através de um ciclo de 24 horas, sem mediação humana direta;
  • abrange um habitat suficiente, que permita ao elefante obter a maioria de sua ingestão nutricional através da busca natural por alimentos;
  • fornece uma escolha de abrigo aos elefantes, desde o caso de eventos climáticos extremos até variações normais do tempo;
  • garante instalações para indivíduos e grupos de elefantes que permitam a segura introdução de indivíduos a outros e também ao grupo; a segura introdução de um grupo a outro, o fornecimento de tratamento médico e o isolamento de indivíduos e grupos para fins de quarentena;
  • inclui segurança, proteção, espaços confortáveis, instalações e equipamentos para os tratadores alimentarem, darem água e proverem tratamento médico e treinamento específico focado no elefante que possam ser necessários para ajudar em sua reabilitação;
  • inclui instalações seguras para o armazenamento de suplemento alimentar para elefantes e equipamento de manutenção;
  • inclui instalações seguras para gerenciamento de registro dos animais e outras funções administrativas associadas à operação do santuário;
  • inclui provisão de acesso para veículos pesados em pontos específicos, para objetivos específicos;
  • faz as provisões adequadas para receber convidados secundários que precisem atender a alguma necessidade dos elefantes, evitando todos os potenciais conflitos entre o bem-estar do elefante e a segurança do visitante. 

Elefantes mais jovens cumprimentam a matriarca Grace, 
respondendo a seu chamado,
no Parque Nacional do Amboseli, Quênia
(©ElephantVoices)


Obs (1): Estas cinco liberdades foram inicialmente formuladas pelo Conselho de Bem-Estar dos Animais de Fazendas, uma organização estabelecida pelo governo do Reino Unido, em resposta ao Ato de Agricultura (disposições variadas) de 1968:
  • Liberdade da fome e da sede – com acesso imediato a água fresca e a uma dieta adequada para manter sua saúde e seu vigor.
  • Liberdade do desconforto – através do oferecimento de um ambiente adequado, incluindo um abrigo e uma área confortável de descanso.
  • Liberdade da dor, de ferimentos e de enfermidades – através da prevenção e rápido diagnóstico e tratamento.
  • Liberdade do medo e do sofrimento – assegurando-se condições e tratamentos que evitem sofrimento mental.
  • Liberdade para expressar comportamento normal – oferecendo-se espaço suficiente, instalações adequadas e companhia de outros animais da mesma espécie.










terça-feira, 15 de maio de 2012

A natureza numa caixa: o retrato dos animais de zoológico na literatura canadense

Brilhante artigo escrito por nosso colega indiano Shubhobroto Ghosh, no qual ele aborda a vida nos zoos, a literatura canadense sobre o assunto e a verdadeira essência da necessidade da transferência das elefantas Iringa, Toka e Thika do Zoo de Toronto para o Santuário PAWS, na Califórnia. A transferência das elefantas foi aprovada pela Câmara Municipal de Toronto e estava prevista para abril deste ano, mas questões levantadas pelo zoo, que ainda estão em discussão, fizeram com que uma nova data fosse planejada para o final de junho. Esperamos que Iringa, Toka e Thika possam, finalmente, desfrutar de uma vida na natureza, como merecem.
 
 

Por: Shubhobroto Ghosh

Recentemente, tenho sido bombardeado por mensagens a respeito da transferência dos elefantes do zoo de Toronto para o Santuário PAWS (Performing Animal Welfare Society), na Califórnia – Estados Unidos – e tenho me lembrado constantemente de uma declaração da poeta canadense Margaret Atwood: “A natureza representa, para os zoológicos, o que Deus representa para as Igrejas”. Uma comparação intrigante, mas, dado o estado da maioria dos zoológicos no mundo todo, e certamente no Canadá, seria mais apropriado dizer: “A estética nos zoológicos é similar à pornografia na arte”. Há tantos livros escritos sobre zoos, especialmente no Ocidente, que as pessoas têm inúmeras opções de escolha quando consideram esse tema. Se as visitas de crianças aos zoos têm o objetivo de ajudar as pessoas a medir a verdadeira beleza e o valor da natureza, então essas instituições estão muito aquém de seus objetivos.

Tradicionalmente, no Canadá ou em qualquer outro país, uma visita ao zoológico tem como objetivo ser um exercício de reconexão com a natureza para cidadãos que perderam totalmente o contato com animais e plantas. E, como qualquer outra instituição, os zoos estão retratados na literatura em todos os países, incluindo o Canadá. Meu colega Rob Laidlaw, diretor da Zoocheck Canada, escreveu um livro para crianças que questiona a ética e os objetivos dos zoos convencionais. Como uma organização sediada em Toronto, que monitora zoos nos Estados Unidos e no Canadá, está em uma posição privilegiada para comentar o assunto. O livro de Rob, como um volume de não ficção, desvenda os mitos que envolvem os zoológicos, pelo menos os tradicionais, que armazenam a maior quantidade possível de animais.

Um escritor canadense chamado Yann Martel ganhou o Booker Prize em 2002 escrevendo um romance sobre uma estadia em um zoo, chamado “A Vida de Pi”. O livro narra as aventuras de um menino chamado Pi Patel, que faz uma viagem com animais de um zoológico e vira náufrago com um tigre. O enredo é de romance, os personagens, tanto o humano quanto o animal, são encantadores, e percebi que a experiência de Yann Martel foi baseada no Zoo Trivandrum, na Índia. Lendo os trabalhos literários desses três canadenses e também os trabalhos científicos mais conhecidos de David Suzuki, penso que a perspectiva canadense sobre zoológicos é, na verdade, uma exibição do pleno retrato dos animais em cativeiro.

O zoo moderno é, por princípio, um produto do colonialismo, e o primeiro exemplar dessa instituição (zoo) foi inaugurado em Londres, em 1826 (o zoo de Viena teve início antes, mas, como a Grã-Bretanha era um império mundial naquela época, decidiu-se que o zoo do Regent’s Park fosse o primeiro zoo moderno da História). A ideia de ver animais exóticos em um cenário de cativeiro era atrativa para o público ocidental e, até hoje, ainda temos resquícios daquela curiosidade de antigamente. Um exemplo trágico e totalmente equivocado de curiosidade humana foi a exposição de Ota Benga, um pigmeu congolês que foi colocado no Zoo do Bronx, em Nova York, em 1901. Ota Benga ficou em exposição junto com os grandes símios, mas a exibição foi interrompida depois que alguns líderes religiosos fizeram objeção a ela, afirmando ser antiética. Muitos artigos foram escritos sobre essa vergonhosa exposição do preconceito humano, e um livro foi totalmente dedicado a esse triste episódio, intitulado “Ota Benga: O Pigmeu no Zoo”, escrito por Phillips Verner Bradford e Harvey Blume e publicado pela St. Martin’s Press, em 1992. Ele não era o único, pois registros europeus daquela época falam sobre a exibição de tribos indígenas não europeias, vindas do mundo todo, na Europa e na América do Norte, como objeto de curiosidade.

Animais de zoológicos retratados na literatura, como nos poemas de Margareth Atwood, representam uma dicotomia do relacionamento do homem com a natureza. Com base em observações feitas no Zoo de Toronto, os animais de Margareth Atwood representam uma ampla variedade de tipos de animais. Como críticos literários, Kathryn Van Spanckeren e Jan Garden Castro declararam que suas observações sobre os animais do zoo representam um retrato da vida em diferentes níveis de existência e destacam a vulnerabilidade de todas as coisas mortais. Sua descrição dos animais do zoo também chama a atenção para a interdependência entre o ser humano e os outros animais.

Enquanto Atwood e Martel, no Canadá, optaram por analisar os animais de zoos na ficção, Laidlaw e Suzuki o fizeram na não ficção. A verdade é ainda mais incrível que a ficção, costuma-se dizer, e assim como qualquer outra literatura tradicional no mundo, a tradição na literatura canadense sobre animais em zoos se aplica a ambos os sexos. O livro de Laidlaw, “Animais Selvagens em Cativeiro”, concentra-se na educação de crianças e jovens, frequentadores de zoológicos e potenciais frequentadores. Qualquer canadense amante da vida selvagem ficaria impressionado com a natureza do atual debate do Zoo de Toronto sobre seus elefantes. A falta de disposição do mesmo para deixar seus paquidermes irem embora é, infelizmente, totalmente característica da irracionalidade que a comunidade de zoológicos exibe em todos os lugares.


 Toka, uma dos três elefantas remanescentes do zoo de Toronto
(Foto: Sandy Nicholson, publicada no artigo
"What the Elephants Know", de Nicholas Hune-Brown)


É importante notar que a análise canadense dos zoológicos na literatura, tanto de ficção como de não ficção, tem tido impacto internacional. Tanto Atwood como Martel são muito conhecidos no mundo de língua inglesa. O livro de Laidlaw foi muito bem recebido na Índia, e os trabalhos de David Suzuki servem como referências úteis para qualquer amante da natureza no mundo todo.

Em um contexto mais amplo, esses trabalhos canadenses também encontraram eco nos trabalhos de Farley Mowat, um dos autores de história natural mais lidos do Canadá. Todos esses escritores têm redigido suas reflexões sobre os animais e a natureza  conforme sua imaginação e suas observações são requeridas ou sejam adequadas a eles. Fazendo isso, eles têm levado muita gente a pensar sobre a tênue relação da humanidade com o mundo natural. Os caçadores canadenses aparecem nas manchetes internacionais todos os anos durante a caça anual às focas. Seriam os canadenses e a comunidade internacional mais ou menos afetados ao lerem esses autores enquanto testemunham essa matança? Não há uma resposta clara, pois não se pode afirmar com segurança se há exclusividade nos escritos de Atwood ou Martel sob uma perspectiva canadense. Mas, pelo menos em uma ocasião, a tradição na literatura de não ficção canadense cruzou fronteiras. A literatura de história natural canadense me ajudou a refinar minhas impressões sobre a Índia no que tange à conservação e me ajudou diretamente no meu projeto sobre zoos. Isso deixaria felizes Atwood, Martel, Laidlaw, Suzuki, Mowat e seus admiradores canadenses.


Link para o artigo original.

Shubhobroto Ghosh conduziu uma investigação sobre os Zoos Indianos, com o apoio direto da Zoocheck Canada. Ele trabalha numa ONG de conservação na India e é um ávido leitor de história natural. 

terça-feira, 24 de abril de 2012

O que acontece por trás da morte de um elefante assassinado


Por: Libera! Asociacion Animalista, Espanha

 
O Rei da Espanha, Juan Carlos, caçando elefantes na África
(Foto: internet)

Botsuana, 15 de abril de 2012 - Os elefantes são animais com uma interação social muito complexa. Organizam-se em famílias, clãs e manadas, sob o cuidado atento de uma matriarca, mas com a participação de todos os membros na educação e na criação das crias e dos elefantes jovens.

Quando uma matriarca morre, seu lugar é assumido por outra elefanta, que recebeu todos os conhecimentos da matriarca morta, como rotas migratórias, onde buscar água, comida etc. A morte de uma matriarca significa que a manada deve se reorganizar, logo depois de passar pelo período de luto, durante o qual fazem ritos funerários. Ritos que se repetem por anos, quando passam por onde estão os ossos do membro da manada morto.

Os caçadores, em seu afã de mostrar ainda não sabemos o quê ao assassinar animais indefesos, buscam matar os maiores exemplares e justificam isso argumentando que sua caça é "ética" e que responde a critérios "conservacionistas". Nada pode estar mais longe da verdade: somente buscam o indivíduo maior, mais velho e majestoso para poder, assim, posar com peças maiores de marfim como troféus.

A verdade é que, quando se mata um elefante adulto, os mais jovens ficam condenados a não ter com quem aprender a encontrar as rotas por onde se movem em busca de comida e água. Isso tem acontecido em muitos povoados e cidades africanas, onde pequenos grupos de jovens elefantes invadem, em uma espécie de ato de vandalismo, desde casas e tendas até plantações e colheitas. Comportam-se como se comportaria (e é assim mesmo que acontece) um grupo de adolescentes que vivesse sem a orientação de seus responsáveis. E quando, então, os caçadores utilizam esses acontecimentos como desculpa para matar também esses jovens elefantes.

A caça não é um esporte: a caça é um vício que se tem que ser combatido. Nenhum animal deveria morrer vítima da violência de quem se entretém portando armas (e usando-as) como forma de passar suas "férias". No caso dos elefantes, além disso, quem os mata demonstra uma grave falta de compromisso com a opinião geral da população, que deseja observá-los vivendo em paz e de acordo com sua natureza, e condena ainda o resto dos membros de sua manada a um futuro incerto.

Recentemente, foi noticiado pela mídia que o Rei da Espanha quebrou a bacia enquanto participava de uma caçada a elefantes em Botsuana. As redes sociais e os veículos de comunicação se inflamaram com a notícia, alguns ressaltando o uso de dinheiro púbico para essas sangrentas férias, outros salientando a classificação de "Vulnerabilidade" com que a IUCN tem catalogado, em sua Lista Vermelha, a espécie Loxodonta africana, a que pertence ou pertencem o/os elefante (s) assassinado (s) pelo monarca. Acreditamos ser necessário ressaltar que a caça é condenável em todas as suas formas, independentemente de suas vítimas estarem ou não em perigo de extinção, ou de quem tenha participado dela ter utilizado dinheiro público ou privado, ou mesmo de não ter desembolsado nem um centavo.


Petição pela proibição de caçadas de elefantes em Botswana.

Jornal Nacional: Rei da Espanha se desculpa por ter caçado elefantes na África.







Conhecendo Mr. Nick

Machos mais velhos são vitais para a sobrevivência e a saúde funcional das populações de elefantes, e tanto a caça por troféus como a caça por marfim podem causar sérios danos por décadas.

Por: Joyce Poole, ElephantVoices (11 de fevereiro de 2008)

Mr. Nick, ou M86 (Male 86, ou Macho 86), foi assim chamado pela enorme quantidade de falhas e pequenos cortes em suas orelhas. Ele tem o que chamamos de orelhas ”serrilhadas”. De fato, suas orelhas são tão serrilhadas quanto seria possível.

 Mr. Nick no Parque Nacional do Amboseli, no Quênia (© Petter Granli/ElephantVoices)

Nomeei Mr. Nick em 1976, quando ambos tínhamos 20 anos de idade - éramos jovens, nós dois. Eu já era crescida, estava ainda na universidade, e havia apenas começado a estudar machos que estavam em período de alto apetite sexual (“musth”). Ele havia deixado sua família alguns anos antes e, embora fosse maior e mais alto do que todas as fêmeas adultas, ele era insignificante, comparado aos outros machos.

Envelhecemos juntos, apesar de que Mr. Nick, aos 52, ainda estava no ápice de sua fase reprodutiva, enquanto que eu, não mais. O Parque Nacional do Amboseli é um dos poucos locais onde você ainda pode ver machos mais velhos e Mr. Nick tem tido sorte por viver tantos anos.

Elefantes machos chegam a seu ápice reprodutivo entre 45 e 50 anos de idade, mas, se são poucos os que vivem o suficiente para procriar, menos ainda são os que conseguem atingir esse ápice. A expectativa de vida de elefantes machos no Parque Amboseli é de apenas 24 anos. Se desconsiderarmos a morte causada por pessoas, sua expectativa de vida sobe para 39 anos. Você deve estar surpreso de saber que num local seguro como o Amboseli as pessoas têm tanta influência na sobrevivência dos elefantes. 

Nos outros locais, o impacto na mortalidade dos elefantes é ainda maior, especialmente em áreas onde o conflito humanos-elefantes é intenso, onde há caça ilegal por marfim, ou onde a caça por troféus é permitida.

As presas de um macho de 50 anos são sete vezes mais pesadas que as de uma fêmea da mesma idade, e, assim, tanto os caçadores ilegais em busca de marfim como os caçadores por esporte os têm como alvo. Os caçadores por marfim costumavam argumentar que os elefantes mais idosos estavam “muito velhos para se reproduzir” e que, portanto, eram dispensáveis, mas meu trabalho anterior com elefantes em seu ápice reprodutivo e em acasalamentos bem sucedidos derrubaram esse argumento. E, num estudo genético recente de paternidade, mostramos que 80% dos filhotes são filhos de machos mais velhos em seu ápice de apetite sexual (“musth”).

Estudos científicos de longo prazo, como aquele levado a cabo no Amboseli, são importantes porque proveem argumentos essenciais para a conservação e a gestão de elefantes. Machos mais velhos são vitais para a sobrevivência e a saúde funcional das populações de elefantes, e tanto a caça por troféus como a caça por marfim podem causar sérios danos por décadas.

 Mr. Nick no Parque Nacional do Amboseli, no Quênia (© Petter Granli/ElephantVoices)

Leia o texto original em Inglês, no website da ElephantVoices

sábado, 7 de abril de 2012

A Comunicação Tátil dos Elefantes

Elefantes são animais extremamente táteis. Eles se tocam propositalmente usando suas trombas, orelhas, presas, patas, rabos, e até mesmo seu corpo inteiro. Interações táteis entre elefantes ocorrem durante uma ampla gama de contextos, incluindo agressividade, defesa, afiliação, sexo, diversão, cuidados com o outro e exploração.


Interações táteis entre Elefantes Asiáticos. (©ElephantVoices)

Dependendo de como suas presas são empregadas, elefantes podem usá-las para cutucar agressivamente outro elefante, para levantar gentilmente um bebê de uma poça de lama, ou para expressar solidariedade durante uma cerimônia de saudação.

Os elefantes frequentemente usam suas orelhas para esfregar outros de maneira afetiva ou por brincadeira, e seus rabos para golpear com força ou gentilmente checar a presença de um filhote.

Uma tromba de elefante pode ser usada para acariciar, tranquilizar ou ajudar um filhote, explorar os genitais, boca ou glândulas temporais de um mebro da família, para tocar ou explorar o corpo de um elefante morto, para tocar ou empurrar outro elefante enquanto brincam. Em contextos de mais agressão ou defesa, um elefante pode usar sua tromba para dar uma bofetada ou bloquear o adversário, ou alcançar e tocar outro elefante para restabelecer sua confiança, enquanto enfrentam um predador. Em contextos sexuais, elefantes usam suas trombas para explorar, testar e controlar os movimentos de outro.

Elefantes usam suas patas para chutar agressivamente ou por brincadeira, ou para explorar, acariciar ou ajudar em uma situação aflitiva. E um elefante pode usar sua cabeça e seu corpo inteiros para empurrar agressivamente ou impor-se sobre outro, esfregar-se sensualmente em outro de uma maneira amistosa ou para convidar uma fêmea para um contexto sexual.

Detalhes e imagens sobre as interações táteis dos elefantes podem ser encontrados no Banco de Dados de Gestos da ElephantVoices.

  Contato social por fricção em Elefantes Africanos. (©ElephantVoices)

O Sentido do Tato

Quando pensamos sobre nosso sentido humano do toque, imediatamente nos vêm à cabeça nossas sensitivas mãos. Da mesma forma, quando imaginamos o sentido de toque dos elefantes, pensamos primeiro em sua tromba preênsil (capaz de agarrrar), pois é com a tromba que os elefantes, na maioria das vezes, tocam outros. Um elefante é capaz de usar sua tromba para perceber diferenças de espessura de sulcos ou ranhuras tão pequenas quanto 0,25 mm.






Interação tátil entre Elefantes Africanos. (©ElephantVoices)

As extensivas especializações sensoriais e motoras da tromba permitem delicadas manipulações tanto de objetos grandes como pequenos, e contêm alguns dos tecidos mais sensíveis já estudados. Chamados de Corpúsculos de Pacini, essas células são compostas por membranas concêntricas de tecido conjuntivo, como as camadas de uma cebola, com um líquido viscoso preenchendo seus vazios. Movimentos ou vibrações alteram essas camadas, estimulando as terminações nervosas e enviando um sinal para o cérebro.

Os Corpúsculos de Pacini também são encontrados em outros mamíferos, como por exemplo nas pontas dos dedos dos humanos, mas estão presentes de forma mais densa particularmente na tromba dos elefantes. A habilidade dos elefantes de detectar vibrações sísmicas sugere que essas mesmas células estão presentes também nas solas de seus pés. Você pode ler mais sobre os Corpúsculos de Pacini aqui.

 Contato de corpo inteiro: banho de lama de Elefantes Africanos. (©ElephantVoices)


Curta a ElephantVoices Brasil no Facebook e compartilhe com seus amigos!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Elefantes que estrelaram com Witherspoon e Pattinson estão de volta ao circo

Por ADI - Animal Defenders International

Filmagem divulgada ontem pela Animal Defenders International (ADI) mostra as estrelas Tai e Rosie, respectivamente dos filmes de Hollywood “Água para Elefantes” e “O Zelador Animal” de volta ao trabalho de circo, se apresentando no El Zagal Shrine Circus, em Fargo, na Dakota do Norte, Estados Unidos.

“As conexões entre Holywood e a indústria circense estão expostas. Não houve um final holywoodiano para Tai e Rose. Para Reese Witherspoon e Robert Pattinson, “Água para Elefantes” foi uma fantasia romântica. Mas para Tai, um pesadelo real. Ela continua nas mãos das pessoas que foram filmadas aplicando-lhe eletrochoques e surras. Não há estreias glamurosas para Tai, sua vida é apenas dor e medo, inflingidos pelos chamados “treinadores”.  É trágico”, afirmou Jan Creamer, Presidente da ADI.

Tai, no picadeiro do Shrine Circus. Os truques que apareceram no filme
"Água para Elefantes" foram ensinados com choques elétricos 
e surras. As estrelas seguiram em frente, mas o pesadelo de Tai continua.


Assista ao vídeo da ADI com legendas em Português:




No ano passado, foram divulgadas filmagens feitas sigilosamente de Tai sendo espancada e eletrocutada, depois dos produtores e estrelas do filme terem afirmado que a elefanta tinha sido tratada com amor e afeição e que nunca tinha sido abusada. A ADI enviou cópias do vídeo para o estúdio, produtores, diretor e estrelas Robert Pattinson e Reese Witherspoon. O ator e a atriz haviam declarado que adoravam a elefanta com quem contracenaram, mas nenhum dos dois respondeu. O mesmo foi feito com relação ao filme “O Zelador Animal”. Também não houve respostas.

Jan Creamer: “Na ocasião, acreditamos que Robert Pattinson e Reese Witherspoon tinham sido enganados. Enviamos o vídeo a eles e pedimos que se manifestassem. Nenhuma palavra. O abuso de animais em filmes não terá fim enquanto as estrelas não derem declarações contra isso.”

Ontem, a ADI postou o novo vídeo nas páginas do FaceBook e Twitter de Robert Pattinson, Reese Witherspoon e Kevin James, pedindo que se manifestem sobre o abuso e dêem suporte à campanha da ADI. DVDs também estão sendo enviados às estrelas.

O video da ADI do treinamento no circo “Have Trunk Will Travel” in Perris, California, mostra:
  • Elefantes sendo continuamente eletrocutados com revólveres para serem forçados a performar truques
  • Elefantes sendo presos por ganchos e espancados com “bullhooks” (bastões com um gancho de aço na ponta)
  • Um bebê elefante sendo espancado, tendo sua tromba espremida de modo a suprimir-lhe o ar e sendo preso por ganchos dentro de sua boca.

Elefantes em circos no Brasil
Também há elefantes em circos no Brasil e eles são obrigados a performar nos picadeiros, sofrem treinamento com métodos cruéis, ficam aprisionados no intervalo das apresentações e são obrigados a viajar longas distâncias em caminhonetes apertadas e inadequadas. Sem poder se defender, passam a vida num estado contínuo de medo e sofrimento. Apenas 9 estados brasileiros e alguns municípios já têm leis que proíbem o uso de animais em circos. O Projeto de Lei 7291/06, que proibirá o uso em território nacional, aguarda aprovação no Congresso Nacional. É necessário que a sociedade se manifeste a respeito e que haja pressão popular pela aprovação desse PL.

Atualmente, há um anúncio do Ministério da Saúde sendo veiculado na televisão, usando  um elefante.