quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Minas Gerais se torna o 10º estado brasileiro a proibir animais em circos

Com a aprovação da lei estadual 21.159/2014, Minas Gerais acaba de se unir a outros nove estados brasileiros que já proíbem o uso de animais em circos - Alagoas, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. O projeto de lei aguardava aprovação há vinte anos na assembleia legislativa. 

Apoiamos todas as organizações e profissionais envolvidos nessa importante conquista e parabenizamos o Governo de Minas Gerais pela aprovação. 


Esperamos que a aprovação do projeto de lei federal 7291/2006, que visa a proibição do uso de animais em circos em todo o território nacional, siga pelo mesmo caminho e que, em breve, o Brasil possa se juntar a outros países que já aprovaram leis similares, como Colombia, El Salvador, Eslovenia, Holanda, Áustria, Bolívia, Bósnia-Herzegovina, Costa Rica, Croácia, Grécia, Israel, Paraguai, Peru e Cingapura.


Leia, abaixo, o depoimento da diretora da ElephantVoices, Dra. Joyce Poole, sobre o uso de elefantes em circos, entregue aos Deputados e ao Governador Antonio Anastasia pelo Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, na ocasião da votação e sanção do projeto. 


Depoimento da Dra. Joyce Poole sobre elefantes em circos


Elefantes resgatados de circo e de trabalho em campings de turismo 
na Tailândia em sua nova vida, no santuário Elephant Nature Park.

Quênia, 12 de Dezembro de 2013.
Aos Deputados de Minas Gerais.

Tenho estudado elefantes e trabalhado por sua conservação e bem-estar há 38 anos. Sou considerada uma especialista de ponta no campo de comportamento e conservação de elefantes. Em meu julgamento, elefantes não deveriam ser usados em circos. Elefantes na natureza caminham por grandes áreas e percorrem distâncias consideráveis ​​a cada dia. Eles são animais inteligentes, altamente sociais, com um complexo sistema de comunicação. Nenhuma situação de cativeiro pode fornecer o espaço de que os elefantes necessitam para se movimentarem ou o tipo e a complexidade de estímulos sociais que eles experimentariam na natureza. Observar uma família de elefantes na natureza é uma experiência gloriosa. Liderados pela fêmea mais velha - a matriarca - a família é ligada por laços de parentesco, filiação, experiência, grande lealdade e afeto. Elefantes em circos são confinados e acorrentados por horas, são comprados e vendidos, separados de companheiros e, com freqüência, transportados de um lado para o outro. Em resumo, eles são tratados como objetos de entretenimento para os seres humanos.

Acredito que esses animais tão inteligentes, socialmente complexos e de vida longa devam ser tratados com respeito e empatia. O lugar de um elefante é na natureza, com seus parentes e companheiros. A existência totalmente anti-natural de elefantes cativos em um circo é grotesca, e permitir que essa prática continue é injustificado e anti-ético.

Joyce H. Poole, PhD
Scientific Director, ElephantVoices

Leia o depoimento de Scott Blais, CEO do Global Sanctuary for Elephants, também encaminhado em Dezembro de 2013 a Minas Gerais.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Uma crise silenciosa: elefantes do Vietnã à beira da extinção

Publicado por Christina Russo em “A Voice for the Elephants” (Uma Voz para os Elefantes), da National Geographic, em 5 de dezembro de 2013.


Elefantes asiáticos, como este da Tailândia fotografado por Jodi Cobb, da NGS, já circularam livremente em um território do tamanho dos Estados Unidos, mas, hoje, estão restritos a espaços fragmentados e isolados, onde são constantemente ameaçados. No Vietnã, eles estão à beira da extinção.

Os elefantes asiáticos não se beneficiam da atenção da mídia e de tantas ONGs como os elefantes africanos, que também continuam a ser abatidos ilegalmente. Por isso, as espécies do Vietnã estão desaparecendo discretamente.

Vítimas de um habitat cada vez mais fragmentado, de fracas leis ambientais, de conflitos com os homens, da exploração florestal e da caça ilegal, os elefantes do Vietnã correm risco de extinção.

De acordo com relatórios, em 1980 existiam, aproximadamente, entre 1.500 e 2.000 elefantes. Hoje, esse número pode ser de apenas 70.

“A situação é extremamente cruel”, diz Barney Long, diretor do Programa de Espécies no Fundo Mundial para a Natureza (WWF – World Wildlife Fund, em inglês). “Eles estão no limite. E vai demorar muito tempo para se recuperarem. É preciso não apenas um grande plano na mudança de conservação, mas também uma grande mudança cultural.”

Long passou muitos anos trabalhando para a WWF no Vietnã e explica que, de maneira geral, o país “não demonstrou um compromisso real com a conservação. Fizeram algumas declarações impactantes e também conseguiram criar algumas áreas de proteção, mas que ainda são pequenas demais e com uma gestão muito ineficaz”.

De acordo com Cao Thi Ly, chefe do Departamento de Recursos Florestais e Gestão do Meio Ambiente (FREM), na Universidade de Tay Nguyen, no Vietnã, elefantes vivem em oito ou nove trechos de floresta distribuídos pelo país, incluindo as fronteiras com o Laos e o Camboja.

Segundo o relatório de Ly, os poucos elefantes do Vietnã estão extremamente isolados. Em algumas províncias, como Nghe An, de seis a dez elefantes vagueiam em um pedaço de terra.

Em outras províncias, como Son La ou Lam Dong, por exemplo, há até menos: apenas um ou dois indivíduos. Seu habitat é altamente fragmentado e existem poucos corredores ligando um território ao outro, quando existem.

Biologicamente, as manadas de elefantes são quase todas compostas de fêmeas da mesma família, como explica Long: “Então, mesmo se o Vietnã conseguisse resolver o problema do espaço e da população, ainda teríamos o problema da genética. Com exceção das populações misturadas com as manadas do Laos e do Camboja, os grupos isolados são realmente grupos isolados. A longo prazo, a viabilidade genética deles deve ser questionada”.

Long acrescenta que não há, atualmente, nenhuma ONG trabalhando especialmente para salvar os elefantes selvagens do Vietnã.

Meenakshi Nagendran é bióloga especialista em vida selvagem e trabalha para o Fundo de Conservação para os Elefantes Asiáticos, do Serviço Americano de Pesca e Vida Selvagem (USFWS – U.S. Fish and Wildlife Service, em inglês). Quando perguntada se 70 elefantes seria um número viável para a população restante, ela respondeu que é possível: “Se o Vietnã tem 70 elefantes, e o país realmente protegesse seu habitat e criasse corredores, poderia haver uma recuperação da população”.  

Quantos elefantes existem?

No entanto, Nagendran acrescenta que não tem certeza se 70 é um número preciso. “Não sabemos se ainda existem realmente 70 elefantes selvagens. Há muitas incógnitas.”
Sobre o número exato, a bióloga começa dizendo que o Vietnã é como um “buraco cinza. Não um buraco negro, mas um buraco cinza”. Em seguida, afirma que, apesar de não ser confirmada, a informação que chega de ONGs é a de que haja apenas 10 ou 15 elefantes selvagens restantes no Vietnã.

Ly argumenta que coletar informações é um desafio e que “são fornecidos dados insuficientes”.

Atualmente, os elefantes estão listados como “em perigo crítico” no Red Data Book of Vietnã. O país é signatário da CITES, o que significa que “toda exportação e importação de elefantes e produtos para fins comerciais são proibidos”.

No entanto, em março de 2013, a CITES também identificou o Vietnã como um dos oito principais países envolvidos no comércio ilegal de marfim, seja como fonte, trânsito ou consumo. 

Em outubro, duas grandes apreensões de marfim aconteceram no Vietnã. Em uma delas, 2,4 toneladas de presas estavam escondidas dentro de sacos de conchas e, em ambos os casos, o marfim havia sido importado da Malásia.

Um passo positivo?

Fontes oficiais da província de Dong Nai anunciaram recentemente um fundo de emergência de 3,5 milhões de dólares para ajudar na proteção dos elefantes e no reforço do cumprimento da lei na região.

“Esta é uma iniciativa fantástica”, diz Long. “Pode se tornar um grande exemplo e deve ser aplaudida.”

De acordo com Long, nove elefantes foram mortos na província nos últimos anos. “Há desmatamento nessa área. Existe plantação de café e de caju e também diversos conflitos entre humanos e elefantes.”

Para que o programa de Dong Nai funcione, Long acredita que o projeto deveria ser integrado aos departamentos governamentais da província, inclusive à polícia.

“Esta é a área onde o último rinoceronte de Java no Vietnã foi alvejado e morto, sem que nenhuma prisão tenha sido feita. Então, quando falam sobre o fortalecimento da aplicação da lei, eles realmente não têm um bom histórico sobre o assunto”, explica o diretor.

Crueldade no cativeiro

Segundo o relatório de Ly, o Vietnã tem 81 elefantes cativos, quase todos explorados para entretenimento, como circos, zoológicos e acampamentos turísticos. É comum esses animais estarem sobrecarregados e desnutridos.

De acordo com uma reportagem, os elefantes, depois de trabalharem o dia todo e passarem a noite acorrentados, “ganham apenas algumas varas de cana-de-açúcar ou bananeira” para se alimentarem.

A pesquisa de Ly aponta que os animais, muitas vezes, “não têm cuidado veterinário e serviços de saúde apropriados”.

As condições dos animais em cativeiro refletem uma atitude de laissez-faire (“deixe estar”) sobre elefantes. “Não há uma ética de conservação real”, diz Long. “Ter elefantes na floresta não é algo que inspire orgulho ou senso de responsabilidade.”

No início deste ano, uma elefanta de 63 anos de idade morreu por excesso de trabalho depois de ter sido “forçada a transportar turistas em suas costas durante anos”.

Em 2011, um elefante de 38 anos foi encontrado morto em um acampamento turístico, amarrado a uma árvore com seus tendões cortados. Mais tarde, a mídia informou que o dono do elefante e seu cuidador foram detidos pelo assassinato. A venda do marfim parece ter sido um fator de motivação.

Por que elefantes asiáticos estão em perigo

Um relatório do USFWS de 2008 citou uma série de causas para a crise que os elefantes enfrentam não só no Vietnã, mas em outras partes da Ásia: a falta de compreensão da biologia do elefante, a falta de esforços para uma conservação específica e apropriada, políticas governamentais e leis fracas, má aplicação da legislação em vigor e uma “falta de vontade política para a conservação dos elefantes em todos os níveis de governo”.

O relatório também observou que “a estimativa da população global de elefantes asiáticos, calculada diversas vezes em cerca de 30.000, 40.000 ou 50.000 indivíduos, na realidade não passa de um palpite, permanecendo inalterada durante 25 anos, apesar da grande perda de habitat dos elefantes durante esse período”.

Meenakshi Nagendran, do USFWS, afirma sem rodeios que nós, seres humanos, somos os culpados: “É incrível ainda termos tigres, rinocerontes e elefantes (na Ásia). Mas ninguém aborda a questão da população humana. Esse é o ponto delicado”.

A caça novamente em alta

Enquanto elefantes africanos de ambos os sexos têm presas, na espécie asiática apenas os machos têm.

"Durante a crise da caça ilegal, há uns 20, 30 anos, a maioria dos grandes elefantes da Ásia foi perdida. Agora as pessoas estão vendo a nova geração crescendo com presas, e isso acaba gerando um aumento da caça ilegal”, explica Barney Long.

“Ninguém fala sobre a caça ilegal na Ásia como falam sobre a África e, no entanto, na Ásia, provavelmente o impacto é ainda maior, já que quanto mais machos desaparecem, menor é a viabilidade genética.”

De acordo com Longo, os elefantes do Vietnã estão enfrentando uma “crise silenciosa”.

Seu prognóstico é sombrio: “O Vietnã provavelmente será o primeiro país da Ásia a perder seus elefantes selvagens”.

Tradução, revisão e edição: Amanda Lourenço, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

Link para o texto original da National Geographic.


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

“Precisamos abolir todos os zoológicos”, diz o mais famoso dono de zoológico da Grã-Bretanha, Damian Aspinall


Um dos mais famosos donos de parques de animais selvagens na Grã-Bretanha chamou o governo para ajudá-lo a realizar seu sonho de longo prazo: abolir todos os zoológicos.


Aspinall, 53 anos, diz que os milhões de libras que são gastos em novos cativeiros poderiam ser melhor utilizados reproduzindo espécies ameaçadas de extinção para retorná-las à natureza

Damian Aspinall quer que seu próprio “negócio” seja gradativamente eliminado nos próximos 20-30 anos, dizendo que é errado manter criaturas sencientes como “prisioneiras sem liberdade condicional” por toda a vida.

Ele diz: “Nós brincamos de Deus quando trazemos esses animais das florestas para os zoológicos, então com certeza podemos brincar de Deus novamente e tentar retornar alguns desses animais a seus lares.”

Por volta de 80% de animais em zoológicos não estão ameaçados de extinção, ele argumenta, adicionando que ou eles são criaturas “híbridas”, sem nenhum valor para conservação, ou eles estão tomando pílulas anticoncepcionais para prevenir que se reproduzam, consequentemente aumentando os custos.

O Sr. Aspinall, 53 anos, diz que os milhões de libras que são gastos em novos cativeiros poderiam ser melhor utilizados reproduzindo espécies ameaçadas de extinção para retorná-las à natureza.

É uma políitica que ele segue com sucesso em seu parque de animais selvagens, Port Lympne and Howletts, em Kent, onde ele diz que “animais estão em primeiro lugar”.

A decisão de alugar uma terra próxima ao parque para dois festivais de música em Port Lympne, como foi reportado no Sunday Express ano passado, foi um “erro”, ele acrescenta.

A Fundação Aspinall, fundada por seu falecido pai John, o famoso magnata dos cassinos e amigo próximo de Lord Lucan, acaba de retornar nove gorilas para as florestas do Gabão, um momento que ele descreveu como “lindo”.

“Eles simplesmente andaram pela floresta e começaram a explorar”, disse ele.

“Se você é um real conservacionista e realmente acredita na natureza, o objetivo final é que você não precisará de zoológicos.

“Eles sempre jogam educação na sua cara, mas isso é um total e completo absurdo.

“Nos próximos 20-30 anos, seria um objetivo encantador ver zoológicos acabarem gradativamente, ou, se eles não acabarem, observá-los fazendo o que eu acredito que seja um real trabalho de conservação.

“O que eu quero dizer com isso é que eles mantenham apenas animais que estejam realmente ameaçados de extinção.

“Zoológicos estão presos numa armadilha porque eles precisam do consenso do público já que, se não, eles irão falir.


Damien Aspinall quer ver zoológicos sendo eliminados nos próximos 20-30 anos.
Macacos na Fundação Aspinall.
“E a única razão de eles ainda conseguirem o apoio do público é simplesmente porque as pessoas estão viciadas em shows de animais: elas anseiam por ver animais em exibição.

“A verdade é que se zoológicos fizessem o que é melhor para os animais, não o que é melhor para o público, eles seriam lugares bem diferentes.

“Eu fico com o estômago embrulhado ao ver zoológicos fazendo shows com animais.

“No meu ponto de vista, nenhum animal deveria estar aqui para nos entreter.

“Nós supostamente somos espécies inteligentes. Com certeza não precisamos ter animais entretendo nossas crianças.”

“O que estamos fazendo é disseminar uma cultura em que nossas crianças acham normal que o homem seja a espécie dominante.”

“Isso é simplesmente errado. Nós precisamos acabar com essa cultura enraizada no público e acabar com os zoológicos.”

“Há um espaço para a atuação do governo nisso.”

Mas no entanto, a Associação Britânica e Irlandesa de Zoológicos e Aquários diz que seus membros já fazem um trabalho significantivo de conservação na natureza.

“Populações em cativeiro podem ser usadas em defesa da conservação e de outros aspectos relacionados ao meio ambiente por aumentarem nossa consciência sobre o problema, e poderiam, um dia, ser devolvidas a seus habitats naturais, se isso for apropriado”, adiciona seu website.

Link para o artigo original.

Leia mais: 




Tradução, revisão e edição: Ruby Malzoni, João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

domingo, 27 de outubro de 2013

Lançamento do Global Sanctuary for Elephants (Santuário Global para Elefantes) - tendo a ElephantVoices como parceira fundadora.

Como muitos dos que nos apoiam já têm conhecimento, nos últimos dois anos a ElephantVoices tem trabalhado com membros de sua equipe no Brasil para promover e apoiar uma legislação progressista, que coloque um fim à antiquada prática de usar elefantes em espetáculos. Como estratégia conectada, exploramos o desenvolvimento de um santuário de elefantes no Brasil. Muitos elefantes em cativeiro no Brasil e em outros países da América do Sul precisam urgentemente de um bem-estar e uma qualidade de vida melhores. Para ajudar a colocar um fim em seu sofrimento, um santuário de elefantes no Brasil é urgentemente necessário.

Recentemente, Scott Blais, cofundador do The Elephant Sanctuary in Tennessee (Santuário de Elefantes no Tennessee) e sua parceira, Katherine Blais, estabeleceram uma nova entidade sem fins lucrativos, a Global Sanctuary for Elephants (GSfE) - Santuário Global para Elefantes, com suporte da ElephantVoices.

Dedicada ao desenvolvimento e suporte de santuários de elefantes com ambientes naturais, progressistas e holísticos, a GSfE irá conduzir o empolgante e, para os elefantes, importante, esforço no Brasil. Por diversas razões, o Brasil é um local bastante adequado para um santuário - clima, habitats que permitem alimentação natural e comportamento social, políticas potencialmente progressistas e nosso time já estabelecido de voluntários estusiastas são apenas alguns dos motivos.
Uma iniciativa de colaboração com objetivos ambiciosos
Com sua vasta experiência em elefantes cativos, Scott e Katherine irão liderar a iniciativa, trabalhando diretamente com a ElephantVoices Brasil, enquanto os diretores da ElephantVoices, Petter Granli e a Dra. Joyce Poole, continuarão a prover aconselhamento e consultoria em todos os principais desenvolvimentos. A ElephantVoices Brasil, com um time de voluntários liderados por Junia Machado, coordenará todas as atividades de campo, trabalhando com agentes do governo brasileiro, investigando novas oportunidades, incluindo exploração de possíveis propriedades para o desenvolvimento do santuário, e continuará a construir relacionamentos profissionais fundamentais, tão essenciais para mover o projeto adiante. Juntos, decidimos que o Santuário de Elefantes Brasil - Elephant Sanctuary Brazil (ESB) - será administrado com base em princípios estabelecidos anteriormente pela ElephantVoices e disponíveis em Santuário para Elefantes - Princípios Gerais (Sanctuary for Elephants - Overall Principles). 

A ElephantVoices se preocupa profundamente com o saúde e o bem-estar de longo termo dos elefantes. Estamos confidentes de que sob a direção de Scott e Katherine, o Santuário de Elefantes Brasil transformará o futuro dos elefantes na América do Sul, enquanto servirá como parâmetro internacional para o desenvolvimento de outras iniciativas relacionadas ao desenvolvimento de santuários no mundo todo. Ver o ESB ativo e operante será como um sonho transformado em realidade.

Muito trabalho pela frente - o Brasil tem a mais alta prioridade



Como estamos agora no início de uma longa jornada, muitas etapas precisam ser desenvolvidas e fundos substanciais necessitam ser levantados para que o projeto dê frutos. O primeiro estágio de desenvolvimento é o trabalho conjunto em campo de Scott e Kat com a equipe da ElephantVoices no Brasil, para finalizar planos de desenvolvimento, e traçar a base do projeto do santuário. Uma vez no país, eles terão acesso a propriedades já identificadas para o potencial desenvolvimento, encontrar-se com agentes do governo e apoiadores, e pesquisar opções de construção que nos permitirão formalizar as necessidades financeiras de longo termo para formular a aquisição de terras e o orçamento de construção. 


Além dos recursos humanos, a ElephantVoices se comprometeu com a doação de U$ 10.000,00 do orçamento de U$ 30.000,00 necessários para custear esta primeira etapa, e já recebemos mais U$ 3.500,00 de organizações e grupos de bem estar animal. Agora, o time do projeto irá trabalhar para obter os remanescentes U$16.500,00 para acelerar a primeira etapa para ajudar os elefantes na América do Sul a andarem e viverem em um santuário.

Pedimos que você considere dar apoio ao Santuário de Elefantes Brasil (ESB) e/ou ao GSfE


Durante os últimos 20 anos, temos testemunhado o tremendo impacto de dois santuários de elefantes referência na América do Norte, The Elephant Sanctuary (TES) e Performing Animal Welfare Society (PAWS), que transformaram as vidas daqueles com sorte o suficiente para ir para o santuário. Você pode ser parte da transformação do sonho em realidade para elefantes em toda a América do Sul. Com o seu suporte ao Santuário de Elefantes Brasil, juntos poderemos assegurar que aqueles  elefantes que já serviram a uma sentença de vida de apresentações possam logo encontrar a paz, o espaço e a autonomia de que eles precisam e merecem. Pedimos a ajuda de todos aqueles (indivíduos, empresas e grupos e organizações de defesa animal) comprometidos a trabalhar por uma melhor qualidade de vida para os elefantes que ajudem a levantar os fundos necessários para mover essa etapa essencial adiante.

Você pode fazer uma doação on-line através dos seguintes links:
Global Sanctuary for Elephants
Crowdfunding campaign for Elephants Sanctuary Brazil
ElephantVoices. Se você doar para a ElephantVoices, assegure-se de designar seus fundos para o projeto, escolhendo “Elephant Sanctuary Brazil Project” no menu de opções.
A pobre Semba faleceu - precisamos avançar com o projeto AGORA 



Soubemos que Semba, uma já idosa elefanta de circo que passou a vida toda na estrada através da América do Sul, e que tínhamos esperança de que um dia pudesse encontrar a liberdade no Santuário de Elefantes Brasil, morreu, sem alarde. Não sabemos nenhum detalhe sobre a causa de sua morte, mas sabemos que sua vida não será esquecida conforme avançamos com grande urgência para assegurar que os outros elefantes em cativeiro ganhem a liberdade que lhe foi privada.

Sigam-nos no Facebook - ElephantVoices e ElephantVoices Brasil - para acompanhar as mais recentes notícias do desenvolvimento em direção a um futuro mais compassivo para os elefantes no Brasil e na América do Sul. 
Você encontrará mais informações em: 

Para perguntas, ou oferta de ajuda, por favor entre em contato com: 
nos Estados Unidos – Scott Blais 
no Brasil – Junia Machado













terça-feira, 17 de setembro de 2013

Massacre de elefantes na Costa do Marfim choca aldeões

Mãe e filhote de elefantes africanos da floresta (Loxodonta cyclotis) 
descansam em uma clareira da África central (Foto: © Melissa Groo)

Abidjan, Costa do Marfim, 17 de Setembro de 2013 – Inúmeros elefantes foram mortos por caçadores armados na Reserva Nacional de Mount Peko, na Costa do Marfim, de acordo com residentes locais.

Aldeões de Bagohouo afirmaram, na segunda-feira, que ficaram aturdidos ao ver tantos elefantes mortos por tiros e com as presas removidas. 

“Nos últimos dias, os caçadores aumentaram os ataques noturnos contra os elefantes. Já informamos as autoridades florestais sobre a presença de indivíduos armados na reserva,” disse Gaspart Guei, residente local.

“De uma população de muitos elefantes há alguns anos atrás, temos agora apenas três elefantes,” Benoit Yrou, outro aldeão, afirmou sobre a área onde está sua aldeia.

A Reserva Nacional de Mount Peko, que tem 34.000 hectares, é um dos maiores parques da Costa do Marfim.

O massacre dos elefantes ocorre logo após a grande estrela do futebol internacional do país, Yaya Toure, ter prometido fazer “tudo o que for possível” para lutar contra a caça ilegal de elefantes na África.

O jogador do Manchester City, time inglês, afirmou que a caça ilegal é uma das mais sérias ameaças à estabilidade política, à economia, à herança cultural e ao gerenciamento adequado dos recursos naturais de muitos países.

Apenas em 2011, segundo uma estimativa das Nações Unidas, mais de 17 mil elefantes foram mortos dentro de áreas protegidas.

Na Costa do Marfim, onde o número de elefantes caiu drasticamente, remanescem apenas 800 elefantes.

Especialistas alertaram sobre essa grave ameaça aos elefantes na Costa do Marfim, pedindo que sejam feitos mais esforços para proteger essa ameaçada espécie.

Link para o artigo original.

Junte-se à nossa campanha "Cada Presa Custa uma Vida" e a compartilhe massivamente. É preciso acabar com o comércio de marfim o mais urgente possível, no mundo todo!

Uma das ilustrações criadas pela artista Asher Jay para a campanha
Cada Presa Custa uma Vida (2013)

Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Caçadores usam cianureto para matar 41 elefantes no Zimbábue

Fontes do governo afirmam que 116 elefantes foram mortos por envenenamento nos últimos oito meses e que esse número pode ser ainda maior

Caçadores misturaram cianureto a sal para matar silenciosamente elefantes no norte do Zimbábue

Por: Sipho Kings,  Mail & Guardian 

Publicado em 05 de Setembro de 2013



Jornais do Zimbábue noticiaram que caçadores mataram
41 elefantes com uma mistura de sal e cianureto (AFP).

O jornal Chronicle, do Zimbabwe, noticiou que a polícia desmantelou um cartel de seis caçadores ilegais que mataram e removeram as presas de 41 elefantes no Parque Nacional de Hwange.

Os caçadores misturaram cianureto a sal, que foi espalhado em volta de grandes lagoas visitadas pelos elefantes para beber água. Quando morreram, suas presas foram removidas e levadas para as casas dos criminosos.

Os caçadores foram pegos depois que guardas florestais ouviram tiros e foram até o local. Eles seguiram as pistas até uma casa que era usada como local para armazenamento do marfim. Um dos caçadores, então, foi persuadido pela polícia e pelos guardas florestais a telefonar para os outros membros da gangue e pedir que viessem à casa, onde foram presos.

A polícia recuperou 17 presas, no valor de R$ 273 mil.  

"O que eles estão fazendo é muito cruel, porque não termina com a morte dos elefantes. Os animais que se alimentarem dos elefantes mortos morrerão, e os que se alimentarem desses últimos, também (porque o cianureto permanece no sistema)", afirmou o inspetor chefe da polícia.

Aumento dramático

A caça ilegal no continente africano aumentou dramaticamente. Um relatório deste ano da convenção da CITES - Convention on International Trade in Endangered Species (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção) -, "Elephants in the Dust – The African Elephant Crisis" (Elefantes na Poeira - A Crise dos Elefantes Africanos), afirma que pelo menos 25 mil elefantes foram mortos na África no ano passado. O comércio de marfim - que é ilegal - dobrou desde 2007, aponta o relatório.

Na Tanzania, 30 elefantes são mortos a cada dia para a retirada de suas presas, dizimando rapidamente a segunda população de elefantes da África. O governo prevê que, a essa taxa, 10 mil elefantes terão sido mortos no país até o final deste ano. 

O problema ainda não atingiu a África do Sul, mas é predominante nos países que fazem fronteira com o país. Julian Blanc, coordenados e analista de dados do Mike -  Monitoring the Illegal Killing of Elephants (Monitoramento da Matança Ilegal de Elefantes), afirma: "Enquanto que os níveis de caça ilegal no sul do continente africano não sejam tão elevados como em outras partes, eles estão crescendo continuamente."

A pesquisa ligou a pobreza à caça ilegal, e isso agora não é um problema menor na África do Sul, acrescentou ele. 

A caça de elefantes foi um problema no país nos anos 80, mas foi erradicada, e, desde então, as populações têm crescido constantemente. A SANParks - South African National Parks (Parques Nacionais Sul-Africanos) está, de qualquer modo, se planejando para um aumento da caça, com documentos de alerta sobre "a ameaça da caça ilegal de elefantes surgindo no horizonte". 


Menino Maasai e seu cachorro ao lado de um esqueleto de elefante
morto por caçadores perto de Arusha, na Tanzânia (AP). 

Leia mais: Total de elefantes envenenados nos últimos meses

Um total de 116 elefantes morreram como resultado de envenenamento das fontes de água por caçadores ilegais, no Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue, nos últimos oito meses, segundo informou à polícia Amos Gwema, uma autoridade da agência governamental de Parques e Gerenciamento da Vida Selvagem. Segundo ele, 97 desses casos estavam relacionados a três dos seis caçadores presos após o recente envenenamento de 41 elefantes na semana passada. 

“Desde Janeiro de 2013, 116 elefantes morreram por envenenamento na área de Mokona, e 97 desses casos estão ligados aos acusados de matar com cianureto esses 41 elefantes”, afirmou Gwema. 

“O Zimbábue é membro da CITES - Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção -, e o que está ocorrendo é uma ameaça à sobrevivência desses animais. Suspeitamos que o número de animais envenenados continue aumentando conforme as investigações prossigam”. 

Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.




sábado, 7 de setembro de 2013

India estuda proibir totalmente do uso de animais em circos


Circense desliza sob um elefante, em apresentação
de circo em Siliguri, na India (Foto: AFP).

“Todo mundo gosta do circo, mas ninguém vê o que está acontecendo por trás da cena, o modo horrível como os animais são tratados e mantidos”, afirma S. Umarani, Secretário do Conselho de Bem-Estar Animal da India - Animal Welfare Board of India (AWB) -, órgão do governo, criado em 1962 pelo Ministério da Agricultura e transferido, em 1990, para o Ministério do Meio Ambiente e Florestas. 

“Temos que estabelecer a legislação correta para acabar com a crueldade. Por isso, o Conselho recomendou uma proibição total. Agora, o Ministério vai considerar e retornar”, disse Umarani. 

Já existe uma proibição em vigor na India para a apresentação de muitos animais selvagens e ameaçados de extinção, incluindo ursos, macacos, tigres, panteras e leões, mas essa mais recente proposta abrange todo e qualquer animal. 

Os elefantes ainda são usados amplamente nos circos indianos, a despeito de uma proibição que entrou em vigor em 2009, afirmam ativistas, que também denunciaram ter descoberto recentemente elefantes e cavalos acorrentados por longos períodos, cães alojados em gaiolas minúsculas e tratadores embriagados. 

Em julho, a Bélgica anunciou a aprovação de uma lei proibindo o uso de animais selvagens em circos, seguindo os passos de Holanda, Áustria, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Grécia, Chipre, Israel, Peru, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Costa Rica e Cingapura.

O governo britânico também planeja proibir o uso de animais selvagens em circos, a partir de 1 de Dezembro de 2015. Esse prazo é para que os donos de circo tenham tempo para adequar seu negócio e encontrar locais apropriados para destinar os animais, segundo David Heath, Ministro da Agricultura no Reino Unido. 

No Brasil, o Projeto de Lei 7.291, de 2006, aguarda votação no Plenário da Câmara dos Deputados. 

Link para a reportagem do The Raw History sobre a proibição na India.



Tradução, revisão e edição: João Paiva, Teca Franco, Junia Machado.